quinta-feira, 21 de Junho de 2012

Desenvolvimento económico e globalização em África (conclusão)

Por CARLOS ALBERTO MOSSE

 (mossealberto@yahoo.com.br)


A preocupação para os africanos reside no facto de que, não aderir à globalização pode ser uma morte súbita e aderir pode ser uma morte lenta. Sendo que África, perante a globalização, está entre a morte súbita e lenta.
Porém, a globalização não é de todo má, pois:
“(…) desperta aos povos e países africanos a consciência de que os problemas relativos ao bem-estar das populações, ao aumento do nível e da qualidade de vida  das populações, da justiça social, da paz e desenvolvimento, de segurança, de dívida externa, de acesso ao mercado internacional, acesso ao capital, o aumento de poder no sistema internacional, entre outros, são comuns, devem ser tratados conjuntamente”, Notícias Maputo (2002:12)
Portanto, o esforço dos africanos para alterar de forma radical o modelo de desenvolvimento ocidental, negaria as inaceitáveis mentalidades de que não existe alternativa para África face às crises actuais. Urge que África desperte atenção, mude a sua consciência para entender que os interesses ocidentais difundem de forma larga, instrumentalizando através de formação de instituições.
Estes instrumentos funcionam como autênticas armas de destruição maciça, vinculam, fazem propagandas e testam os valores ocidentais, sobretudo, no Sul levando a entender que estes constituem o único modelo verdadeiro e viável para o bem-estar das sociedades. O pensamento crítico permitiria que África produzisse o seu modelo alternativo de desenvolvimento que resulte de uma perfeita combinação dos seus múltiplos valores culturais no contexto mundial.
As actuais correntes europeias anti-globalização constituem uma prova inequívoca da ineficácia, das terríveis desigualdades, fragmentação e exclusividade de que os povos são alvo, resultantes deste fenómeno.
Realmente, África pode ter alguma alternativa que vale a pena mencionar. Primeiro, dependeria do nível de seriedade com que os africanos encaram o seu projecto da União Africana, que o devem assumir como verdadeiro e originariamente africano; o desenvolvimento africano deve ser um processo endógeno.
Sobre a “endogeneidade” do processo de desenvolvimento africano, Ngoenha aponta que:
“Para pensar o universal, cada homem parte da sua situação específica, particular. Quem pensa o universal é sempre o homem singular, pertencente a um grupo particular, situado no espaço e no tempo. Isto tanto é válido para quem pensa a partir da Grécia, como quem pensa a partir de Moçambique”.
O problema hodierno é compreender em que medida é intrinsecamente histórico o entendimento que o homem africano tem de si mesmo, e vice-versa.
A estranha ironia da globalização, é que quer que todos os progressos da ciência e da técnica se transformem em meios de coerção para nos transformar em objectos e consumidores das vontades alheias. Ngoenha (1993:113) entende que os pensadores africanos “têm a grande responsabilidade de formar as gerações presentes e futuras em ordem a uma consciência civil. Está em jogo o futuro da nossa liberdade, da nossa historicidade, se por acaso abandonarmos os valores fundamentais em nome da razão do Estado, do desenvolvimento”.
NYERERE (1966) acreditava que as pessoas não deviam se desenvolver a partir de outras pessoas. Pelo que não se pode esperar que a União Africana logre resultados positivos quando em muitos países africanos não existem políticas que concorram para uma boa governação, políticas que atraiam investimentos e nem uma União ou Unidade.
Diferentemente, o que acontece é que em muitos países incitam-se ressurreições e golpes de Estado que privam a satisfação das necessidades básicas das sociedades.
Nestas todas equações, há que se ter em conta a importância do conhecimento indígena no processo de desenvolvimento económico e das democracias africanas. Diário de Moçambique

BIBLIOGRAFIA

1. LIPSET, S. M. O Homem Político. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1967. In: http://www.webartigos.com/artigos/autonomia-da-sociedade-civil-e-democracia-na-perspectiva-dos-teoricos-da-mudanca-politica. (06/06/12)
2. NGOENHA, Severino Elias: Filosofia Africana: Das Independências às Liberdades. Maputo: Paulistas, 2003.
3. NYERERE, Julius: Freedom and Unity.  London: Oxford Press, 1996.
4. MAZULA, Brazão: A Construção da Democracia em África: O caso de Moçambique. Maputo: Ndjira, 2000.
5. PICASSO, Tomé J. L: Da Organização da Unidade Africana (OUA) à União Africana (UA): Percurso, Lições e Desafios. Maputo: Ciedima, 2003.
6. Notícias, Maputo, Moçambique, 25/11/2002. Pag. 12

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