sábado, 16 de junho de 2012

Suspeitas de feitiçaria perpetuam violência contra idosos

AS acusações de feitiçaria, bruxarias, dentre muitos outros actos supersticiosos são a causa dos crescentes actos de violência contra a pessoa idosa no nosso país, segundo foi ontem revelado em Maputo, por organizações não governamentais que trabalham em prol da defesa dos direitos do idoso.

No acto inserido nas comemorações do Dia Internacional de Combate à Violência contra o idoso, António Sitoe, presidente do Fórum da Terceira Idade, disse que em Moçambique os idosos são sempre conotados com a feitiçaria e por essa razão, não raras vezes são violentados. O mais grave, prosseguiu Sitoe, quando o idoso se dirige à esquadra policial, não encontra resposta satisfatória à sua preocupação, o que agrava o seu sofrimento.
Segundo explicou, entre 2010 e 2011 foram mortos em todo o país 20 idosos acusados de feitiçaria, para além de muitos outros (centenas, senão mais) violentados de diversas formas, como são os casos da violação sexual, psicológica e física e falta de assistência alimentar, entre outro tipo.
Para Sitoe, os índices de violência contra aquela faixa etária tende a aumentar no país, dai que para ele é preciso um redobrar de esforços para se colmatar este mal que está a cada dia a atingir proporções alarmantes.
António Sitoe recordou ainda que os idosos têm netos e muitas crianças órfãs a seu cargo, dai que violentá-los ou no pior dos casos matá-los é gerar sofrimento para muita gente e comprometer o futuro da humanidade.
As palavras de Sitoe foram secundadas por Janeth Da Field, directora da organização não governamental Helpage, para quem a situação da violência em Moçambique disparou, dai que seja necessária uma lei protectora da pessoa idosa.
Para ela, é preciso que haja vontade de todos os actores sociais para que se possa contornar este mal. Num estudo levado a cabo pela sua organização nos distritos de Boane, Manhiça e na cidade da Matola, constatou-se que em cada dez mulheres idosas inquiridas, seis havia sofrido violência. Por outro lado, em cada dez pessoas, pelo menos quatro havia sofrido roubo, isto é, violência contra o património.
Deste número, as estatísticas feitas pela Helpage indicam que um quarto dos idosos havia sofrido insultos e ameaças, ou seja violência psicológica.
Ainda de acordo com a pesquisa em alusão, os vizinhos, filhos, e netos são os principais mentores de actos de violência contra o idoso. Todavia, Janeth Da Field reconhece que há muitos casos de violência contra idosos não reportados, o que significa que existe muita gente que olha para este fenómeno de uma forma indiferente.
Para ela, é preciso desenvolver um trabalho de sensibilização constante da sociedade visando  combater este tipo de actos e, sempre que possível, se denunciar às autoridades.
Por último o director nacional da acção social, Miguel Maússe, vincou que a grande arma para o combate à violência contra idoso é a denúncia, que deve ser feita pela própria vítima, assim como por quem presencia ou toma conhecimento de actos desta natureza.
Apesar das ameaças de represálias aos denunciantes, para Maússe não há outra saída, pois o denunciado mal que ficar na cela uma vez, dificilmente voltará a violentar o idoso.
De salientar que só no primeiro trimestre deste ano, o Gabinete de Atendimento à Mulher e Criança vítimas da violência doméstica, na Polícia da República de Moçambique, registou 60 casos de violência contra idosos, em apenas seis províncias do país. Notícias

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