domingo, 16 de dezembro de 2012

Achas que sabes escrever?

por Telma Miguel

A Leya criou um site onde qualquer cidadão pode criar o seu ebook e pôr à venda em todo o mundo.
Para a pergunta do título, o New York Times deu uma resposta, um bocadinho ao lado, mas deu: 81% das pessoas consultadas num inquérito disseram que sentiam que tinham dentro de si uma história para contar. Não é surpreendente.
Por causa desta conhecida febre, a Leya – um grupo editorial montado em 2008 a partir da compra de várias pequenas e grandes editoras portuguesas – lançou, na terça-feira, a Escrytos (www.escrytos.com), uma plataforma de selfpublishing onde qualquer um pode editar o seu ebook, com ou sem assistência editorial, e pô-lo no ambiente digital para consumo em todas as livrarias do mundo da rede com a qual a Leya tem acordos. Uma rede que inclui a Amazon, a Barnes&Noble, a portuguesa Wook, ou a FNAC.
Ou seja, as hipóteses de difusão são em teoria infindáveis. Trata-se da primeira experiência deste género em Portugal e, diz Isaías Gomes Teixeira, administrador do grupo, é uma coisa que vai ser grande um dia. Para já, não sendo o seu negócio principal, inclui-se na missão do grupo de «divulgar autores portugueses no mundo». Para a semana, o Escrytos vai ser lançado no Brasil e, aí sim, espera-se que tenha um sucesso mais automático.
Isaías Gomes Teixeira destacou ainda que, ao contrário de outros sites semelhantes (e citou os caso da plataforma da Simon and Schuster), o Escrytos tem uma «usuabilidade» grande. Quer isto dizer que um info-excluído que queira submeter um texto seu ao mercado pode fazê-lo facilmente, seguindo os passos que o computador lhe vai dando. E pode escolher o lettering, várias fotos de capa e de grafismo, fazer o seu próprio trailer comercial, etc. E gratuitamente.
A nova plataforma da Leya fornece, no entanto, serviços especializados, esses pagos, recrutando para isso, e à medida do volume das solicitações, em regime de outsourcing, especialistas editorias que dão aconselhamento ao longo do processo. O preço destes serviços é dado automaticamente assim que o pedido é submetido. É o contrário do comércio tradicional: nada é feito cara a cara, a plataforma funciona em regime de automatismo. Na apresentação à imprensa, no dia 11, foi apresentado em teste um livro de 300 mil caracteres (167 páginas, em média).
Para as regras de direitos de autor e responsabilidade civil, o site segue as leis estabelecidas. O autor, que assina um contrato com a Leya, é inteiramente responsável pelo texto escrito. «Mas há despistagem de mensagens de teor criminal ou plágio», assegura Gomes Teixeira.
Quanto às vantagens comerciais, o autor recebe 25% do preço de capa, o que está estabelecido internacionalmente para o e-publishing, diz o administrador do grupo. E é o autor quem define esse preço de capa. A plataforma é ainda uma oportunidade para a área editorial: «Vai criar muito emprego num meio onde a situação é dramática, há muita gente muito boa sem trabalho. E vai permitir a publicação e divulgação de muitos textos académicos e também na área da poesia, um sector que tem dificuldades de publicação no papel». Sol

telma.miguel@sol.pt

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