quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

África e o desenvolvimento

SR. DIRECTOR!

Agradeço mais uma vez, pela ocasião de tomar este espaço magnífico como o lugar da desvelação do ser, através da palavra, mas devo deixar claro que, esta desvelação é uma possibilidade.

“O desafio do desenvolvimento em África impõe aos intelectuais a capacidade de inventar estratégias de desenvolvimento de África.” (Paulin Hountondji)
Eu como africano devo pensar por mim e para mim. Como Homem esta ousadia não me é estranha, porque é humana.
Quando penso no tempo e no espaço, me aparecem o presente e o futuro e a África como o lugar dos condenados edênicos. Neste momento, o passado nos interessa apenas para evitar os erros que já foram cometidos.
África é neste espaço em que faço parte, é tarefa dos intelectuais pensarem nos projectos que visam o desenvolvimento. O lugar da intelectualização é a escola, é neste espaço onde são implantados os objectivos da nossa escolarização e nós como africanos devemos nos preocupar com a bandeira africana, mesmo que nos cortem os braços não a deixemos cair.
O desenvolvimento de África deve ser preocupação de todos e este desenvolvimento não é algo do “Devir”, porque está ligado as oportunidades oferecidas, mas atenção, se não somos oferecidos oportunidades, então, nós mesmos podemos criar, porque não se justifica que os outros consigam e nós não. As oportunidades das quais eu falo são: oportunidades de escolha, de exercer a cidadania, mas não só incluem os direitos básicos necessários tais como a educação e a saúde, como também a segurança, a liberdade, a habitação e cultura.
“Vivemos num mundo de opulência sem precedentes, mas também de privação e opressão extraordinária. O desenvolvimento consiste na eliminação de privações de liberdade que limitam as escolhas e as oportunidades das pessoas de exercer ponderamente sua condição de cidadão.” (Amartya Sen)
Eis a razão que fez com que Adam Smith (1723-1790) enfatizasse a importância de valores éticos para a convivência social, mas constatou com base no pensamento de David Hume (1711-1776), que apesar de ser louvável e desejável, o essencial para o bom funcionamento da sociedade é a justiça, entendida como limite às acções individuais danosas aos outros homens.
Ora vejamos, o projecto de Kwame Nkrumah (1909-1972). “A Unidade Africana” não só tinha objectivos políticos ligados ao socialismo, mas também a criação dos fundamentos de uma África desenvolvida economicamente, portanto, nós como africanos interessados pelo desenvolvimento do continente devemos estar unidos ideologicamente, mas é tarefa dos intelectuais desenvolver projectos que visam o desenvolvimento e a execução é tarefa de todos.
Neste meu elóquio gostava de propor a integração das partes como uma unidade, isto é, o contrato de gerações que, segundo NGOENHA, caberia a todos, os temas futuristas, tais como, tecnologia e inovação, meio ambiente, geração de empregos assim como compromissos sociais, portanto, o contrato de gerações faria parte integrante da planificação estratégica para o desenvolvimento.
Hoje em dia há um obstáculo que é colocado inconscientemente e de uma forma abismal que é a valorização das ciências empíricas. Será que é possível formar um Homem ligado ao desenvolvimento sem educar a sua animalidade humana?
Não poderei dar uma resposta do tipo dicotômico, mas ver-se-á a veracidade do meu pensamento ao longo da minha lucubração. O Homem que é formado para novos desafios, não poderá executar a sua atividade sem uma base teórica bastante sólida, não poderá se comunicar com os outros se não domina a língua, as relações entre os homens e a lógica do pensamento.
Para haver um desenvolvimento é necessário uma ecumené (união) entre as diversas áreas do saber, é necessário que haja um diálogo interdisciplinar.
A tendência excludente que tem sido verificado, pode de alguma forma criar um clima abnegação, dado que cada área tenderá a se autoafirmar e foi devido a este de conflito que fez com que, em vez dos africanos tentarem desenvolver projectos com vista o desenvolvimento, lutaram para demonstrar aos europeus que eles pensam e que têm história, portanto, enquanto os europeus preocupavam-se com o desenvolvimento do seu continente, os africanos preocupavam-se em provar a sua racionalidade.
O engajamento como intelectual, me leva com este artigo aos desafios que os intelectuais devem ser submissos, porque é tarefa dos intelectuais lutarem por uma causa justa que beneficie a colectividade, a minha contribuição como integrante da “elite intelectual”, apelo que se faça uma total reorganização da formação. E essa reorganização não se refere ao acto de ensinar. Refere-se à luta contra os defeitos do nosso sistema educativo que estão cada vez maiores. O ensino das disciplinas separadas e sem comunicação entre si produz uma fragmentação e uma dispersão que nos impede de ver globalmente coisas que são cada vez mais importantes para o desenvolvimento.
Não nos esqueçamos da equidade como senso de justiça que é concebida como a faculdade de conceber o bem, esta característica é inerente a pessoas livres, iguais e morais que vivem numa sociedade democrática. Notícias
   
  • AUGUSTO EDVALDO NHACUMBE

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