sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Países africanos enfrentam crise de democracia

A maior parte dos países africanos estão a passar por uma crise democrática em que não há inclusão da população nos processos políticos e de boa-governação.A constatação foi feita pelos jovens africanos, durante o encerramento da Conferência Africana da Juventude que terminou ontem na capital moçambicana, Maputo.
A exclusão dos jovens nos processos políticos e democráticos dos países aficanos preocupa milhares de jovens residentes.
Para Adão Ramos participante de Angola, poucos países africanos vivem democracia. Ele justificou dizendo que existe défice de boa-governação em que a juventude é a principal excluída nos processos eleitorais.
“No país, por exemplo, os jovens não tem espaço para exporem as suas ideias políticas. O nosso sistema político está em transição, mas a situação da juventude e dos cidadãos em geral não é das melhores”, explicou.
A fonte referiu ainda que para uma participação massiva da juventude no processo da democracia e boa-governação é necessário que se invista na educação dos cidadãos “porque só assim teremos juventude pronta para responder a questões políticas da sociedade”, sublinhou.
Num outro desenvolvimento do assunto, Ramos defendeu os investimentos estrangeiros que aparecem em África, como sendo, um grande caminho para a formação e criação de emprego para jovens. 
“O acesso à habitação é um problema de todos jovens africanos. Os governos deviam aproveitar o fluxo dos investimentos estrangeiros em África, para enquadrar os jovens nos processos de governação, acatando as ideias deste grupo e criando oportunidades de emprego e formação”, considerou.
 Para a moçambicana Isvéra Perreira, também participante na conferência, falta um espaço ao nível dos governos africanos para a juventude expor as suas ideias.
A fonte considerou que a participação dos jovens nos processos da democracia e boa-governação é muito lenta, sendo que existe uma necessidade ao nível dos governos de investirem mais na juventude.
“Nós os jovens aqui reunidos vamos continuar a lutar para encontrar uma forma de participarmos na vida politica dos nossos países. O que acontece hoje nos países africanos é que os líderes de ontem são os mesmos com os  de hoje, assim os jovens nunca terão espaço para implementar as suas ideias”, disse.
A participante da Suazilândia,  Nothando Ngcamphalala, deu a conhecer ao “Diário de Moçambique” que na Suazilândia não existe democracia. Maior parte da população suazi, a juventude, é excluída das grandes decisões sobre assuntos que por norma deviam opinar.
Nothando Ngcamphalala citou o exemplo da falta de transparência nos investimentos que o reinado de Mswati III faz.
“No meu país não há democracia. Há uma grande exclusão da população sobre assuntos relacionados, por exemplo,  com os investimentos feitos em diferentes áreas. Há igualmente falta de liberdade de expressão. Temos no nosso país polícias a controlar quase tudo e todos”, explicou.
A fonte esclareceu ainda que na componente igualdade do género o seu país ainda tem muito que fazer para que se atinjam níveis como da África do Sul, por exemplo, onde, na sua ideia, há uma consideração pela opinião da mulher.
“A governação no meu país é bastante doentia. A corrupção está em alto nível. Os jovens e as mulheres não são dados espaço para se expressar”, afirmou.
Ela sublinhou que  “este é um encontro dos líderes do amanhã. Estes quatro dias em que estivemos aqui estivemos, para além de trocar experiências sobre as diferentes governações em África, descutimos assuntos que irão contribuir amanhã, para uma África cada vez mais democrática e mais bem governada”, indicou.   
Por sua vez, a sul-africana Zamaswazi Shabangu defendeu durante o encontro que os jovens devem lutar para conquistar o seu espaço e não esperar da vontade dos políticos que hoje são governantes.
“Os jovens precisam de se impor, procurar consquistar o seu espaço. Infelizmente esta conferência foi mais de apresentações e não de discussões sobre o que queremos que a África seja, de facto, amanhã”, disse.
 Salientou ainda que a governação de um país deve ser classificada de acordo com o desenvolvimento do mesmo.
Reagindo as declarações do angolano Adão Ramos, que considera a África do Sul como um dos exemplos de país bem governados comentou que no seu país há, uma ligeira, má governação.
A título ilustrativo, citou a corrupção, embora não em grandes níveis que prevalece.
“Para qualquer país menos desenvolvido em relação a África do Sul, o meu país é bem governado. Mas há índices de corrupção, embora não em níveis altos”, revelou. 
Apontou alguns aspectos que o seu país precisa de melhorar, sobretudo na componente boa- governação e participação da juventude na tomada de decisões. Para ela, a expulsão do líder da Juventude do ANC, Julius Malema deste partido, é a prova de que a juventude é de certa forma excluída na governação.
Em relação à igualdade do género, a fonte afirmou que “no meu país há um certo equilíbrio na participação da mulher em assuntos de governação. Temos muitas mulheres que ocupam lugares cimeiros na esfera política nacional”.
Entretanto, ficou decidido  que a próxima conferência terá lugar em 2013 na Borkina Fasso.
Segundo o presidente do Parlamento Juvenil, o moçambicano Salomão Muchanga, este tipo de eventos vai se repetir anualmente, de modo a encontar mecanismos de enquadramento da população jovem nos processos de democracia e boa-governação.
“África vive uma situação sombria. Queremos com este tipo de eventos recuperar o sonho de África, estabelecer um diálogo político entre os governantes e a juventude. É nosso interesse também fazer com que os governos implementem de uma forma efectiva a Carta Africana da Juventude”, concluiu. Diário de Moçambique

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