“A masculinidade não deve ser sinónimo de violência, ser homem deve ser sinónimo de tratar a mulher com respeito e com carinho”, explicou Valéria Campos.
Ela lamentou o facto de muitos homens se refugiarem em aspectos culturais e tradicionais para violentarem suas mulheres, filhas, irmãs e mães, situação que deve mudar. De acordo com Campos, é importante que o homem tenha consciência de que a violência não só afecta a mulher, como também é um mal que prejudica toda a sociedade, se se olhar para os custos económicos que dela resultam.
O outro desafio indicado pela nossa interlocutora está relacionado com a necessidade do empoderamento económico da mulher. “Temos progressos na participação política, em termos comparativos com outros países, mas aqui em Moçambique a mulher é mais pobre, é a mais afectada por doenças”, salientou, para depois acrescentar que o maior desafio é encontrar mecanismos que possibilitem esse empoderamento.
Valéria Campos olha para o “boom” de megaprojectos como uma grande oportunidade para o desenvolvimento da mulher. “A questão é como é que essa riqueza vai ser distribuída, até que ponto ela vai servir para promover uma sociedade mais justa, com oportunidades iguais para homens e mulheres”, disse.
Ela considera que esta é uma discussão importante que deve ser tomada em conta pelos moçambicanos para garantir que o crescimento de investimentos permita também o emponderamento da mulher.
A representante da ONU Mulher reconhece o trabalho desenvolvido pelo Governo para a eliminação de todas as práticas de violência contra mulher e rapariga. “Vejo que existe um compromisso do Executivo nesse sentido e o exemplo disso é o quadro jurídico político que é favorável e não ideal para a mulher”.
Campos disse que ainda não é ideal porque ainda tem algumas lacunas, como é o caso da idade mínima para a mulher casar, que deveria ser 18 anos.
A representante da ONU Mulher considera que é necessário um grande esforço para que as medidas que ainda estão na ordem da lei e estratégias possam vir a traduzir-se em acções concretas.
Homens devem ser parte da solução – afirma Júlio Langa
JÚLIO Langa, activista social e defensor da igualdade de género, considera que o homem deve ser parte da solução da violência contra a mulher. Co-fundador da Rede HOPEM, uma organização que surgiu graças à vontade de vários homens e mulheres provenientes de organizações da sociedade civil, Langa disse que a Rede veio a inscrever-se nos esforços existentes para melhorar a qualidade de vida dos moçambicanos e moçambicanas, promovendo a sua dignidade.
Ele afirmou que algumas das razões que encorajaram a criação desta rede são o questionamento das normas e práticas de género e masculinidade prejudiciais para homens e mulheres; a necessidade de reconsiderar os processos de socialização masculina e integrar mais os homens nas acções de promoção de igualdade de direitos entre homens e mulheres; o silêncio quase absoluto de muitos homens e a tolerância social bastante generalizada perante fenómenos que comprometem a realização dos direitos, tais como a violência contra as mulheres.
Segundo o nosso interlocutor, estas razões alimentam continuamente a compreensão de que a reconstrução da actual ordem de género exige uma activa participação, responsabilização e transformação masculina, e que as origens dos comportamentos masculinos se situam, em grande medida, na forma como os homens são educados pela própria sociedade.
“Os homens recebem e reproduzem mensagens de que, para adquirirem reconhecimento da sociedade, em especial dos seus pares, devem ser agressivos, demonstrar coragem, controlar e sancionar o comportamento das mulheres, ter várias parceiras sexuais, evitar expressar as suas emoções, usar a violência para resolver conflitos e fazer de tudo para manter a sua honra”, lamentou.
Langa disse que a Rede tem estado a desenvolver várias acções, entre as quais a marcha, cuja última edição teve lugar no último sábado. “Entendemos que é altura de nós homens assumirmos o nosso papel, reflectirmos e contestarmos elementos da masculinidade negativos”.
Segundo Júlio Langa, nem todos os homens são violentos, existem muitos que nunca levantaram a mão sobre uma mulher e estes também sofrem discriminação dos agressores, que olham para eles como inferiores. “São estes que na sua maioria se identificam com a rede”.
O coordenador da Rede HOPEM, que compara a violência contra mulher com a opressão estrangeira que Moçambique sofreu, disse que o homem que violenta a sua mulher deve imaginar como é duro e humilhante ser violentando por um outro ser igual.
Segundo o nosso interlocutor, estas razões alimentam continuamente a compreensão de que a reconstrução da actual ordem de género exige uma activa participação, responsabilização e transformação masculina, e que as origens dos comportamentos masculinos se situam, em grande medida, na forma como os homens são educados pela própria sociedade.
“Os homens recebem e reproduzem mensagens de que, para adquirirem reconhecimento da sociedade, em especial dos seus pares, devem ser agressivos, demonstrar coragem, controlar e sancionar o comportamento das mulheres, ter várias parceiras sexuais, evitar expressar as suas emoções, usar a violência para resolver conflitos e fazer de tudo para manter a sua honra”, lamentou.
Langa disse que a Rede tem estado a desenvolver várias acções, entre as quais a marcha, cuja última edição teve lugar no último sábado. “Entendemos que é altura de nós homens assumirmos o nosso papel, reflectirmos e contestarmos elementos da masculinidade negativos”.
Segundo Júlio Langa, nem todos os homens são violentos, existem muitos que nunca levantaram a mão sobre uma mulher e estes também sofrem discriminação dos agressores, que olham para eles como inferiores. “São estes que na sua maioria se identificam com a rede”.
O coordenador da Rede HOPEM, que compara a violência contra mulher com a opressão estrangeira que Moçambique sofreu, disse que o homem que violenta a sua mulher deve imaginar como é duro e humilhante ser violentando por um outro ser igual.
Harmonia social começa na família –segundo Alegre Tembe
CARA Alegre Tembe, brigadeiro das Forças Armadas de Moçambique, condena a violência doméstica. “Não concordo com esta prática porque, quando falamos de paz, ela deve começar em casa. Uma pessoa que sai do seu lar triste porque sofre agressão não pode transmitir paz na rua, ou na sociedade em geral”, disse.
Segundo o brigadeiro, é de louvar a iniciativa de mobilizar homens para lutarem contra a violência. “Estou aqui na marcha para dizer não à violência contra a mulher”, afirmou salientando que vive na Matola, mas viajou até a cidade de Maputo para participar na marcha dos homens contra a violência.
Cara Alegre não concorda com o argumento segundo o qual a violência contra a mulher está intimamente ligada à cultura moçambicana. Para ele, os agressores refugiam-se em aspectos culturais. Não existe nenhuma cultura que admite ou encoraja a prática de actos criminosos como a violência. “Isso não tem nada a ver com a cultura, partiu do espírito do próprio homem que se considera superior em relação à mulher”.
Para Cara Alegre, o surgimento de associações lideradas por homens contra violência vai ajudar a combater este mal. “Eu, quando vinha, dizia comigo mesmo que esta marcha só vai ter mulheres, mas no terreno encontrei homens, o que foi positivo”.
Cara Alegre não concorda com o argumento segundo o qual a violência contra a mulher está intimamente ligada à cultura moçambicana. Para ele, os agressores refugiam-se em aspectos culturais. Não existe nenhuma cultura que admite ou encoraja a prática de actos criminosos como a violência. “Isso não tem nada a ver com a cultura, partiu do espírito do próprio homem que se considera superior em relação à mulher”.
Para Cara Alegre, o surgimento de associações lideradas por homens contra violência vai ajudar a combater este mal. “Eu, quando vinha, dizia comigo mesmo que esta marcha só vai ter mulheres, mas no terreno encontrei homens, o que foi positivo”.
Violência doméstica desestrutura o lar – considera Alvino Cossa
POR seu turno, Alvino Cossa, do grupo teatral Oprimido, considera que a violência doméstica pode ser eliminada porque, no seu entender, a sociedade está preparada para aprender nova forma de estar, sendo necessária a intensificação de acções de sensibilização para mudança, através da realização de marchas, palestras e outras actividades.
Segundo Alvino Cossa, estas acções devem mostrar as vantagens e desvantagens da violência. “Uma das vantagens da violência é a harmonia familiar porque um casal que partilha a felicidade e os problemas do lar facilmente ultrapassa os vários constrangimentos impostos pela vida. A segunda vantagem é que o bem-estar moral e social das pessoas traz saúde e uma boa contribuição para o crescimento da família”.
No seu entender, os que praticam a violência recorrem a questões culturais e tradições apenas como refúgio, “mas acredito que existam alguns princípios culturais que influenciam para a prática da violência, como por exemplo o ‘lobolo’”, disse, explicando que muitas vezes os homens evocam o facto de terem ‘lobolado’ a esposa, sendo por isso que têm poderes sobre ela, podendo fazer o que bem entender sobre esta mulher. Notícias
No seu entender, os que praticam a violência recorrem a questões culturais e tradições apenas como refúgio, “mas acredito que existam alguns princípios culturais que influenciam para a prática da violência, como por exemplo o ‘lobolo’”, disse, explicando que muitas vezes os homens evocam o facto de terem ‘lobolado’ a esposa, sendo por isso que têm poderes sobre ela, podendo fazer o que bem entender sobre esta mulher. Notícias
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