sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

CONTRA MULHER - Homens buscam solução da violência

HÁ dois anos que começaram a surgir no nosso país alguns homens, ainda que de forma incipiente, advogando os direitos humanos das mulheres. Trata-se de uma conquista, tendo em conta que o principal acusado de perpetrar a violência doméstica contra a mulher é exactamente o homem.

Assim, a luta contra a eliminação da violência doméstica contra a mulher e a criança, segundo as organizações femininas, só pode ter sucessos se o homem estiver envolvido e consciencializado. Neste sentido, para além da aprovação da Lei sobre a violência doméstica contra a mulher, pela Assembleia da República, em Julho de 2009, é um facto que um movimento de homens, defendo os direitos das mulheres, é uma conquista que se espera permanente.
Gilberto Macuacua, membro da Rede Homem pela Mudança e apresentador do programa Homem que é Homem, num dos canais televisivos, faz parte deste movimento. Falando ao nosso jornal, sobre o seu envolvimento na iniciativa, disse ter a ver com a experiência pessoal na questão da violência doméstica. “Fui violento e agressivo para a minha família, mas quando me apercebi que estava a ficar sem ela, refiro-me à minha esposa e filhos resolvi mudar, abraçando esta causa. Agora convido aos outros a seguirem o meu exemplo”, disse.
Segundo o nosso entrevistado, algumas pessoas não vêm com bons olhos o facto de um homem estar envolvido na causa das mulheres. Algumas pessoas chegam a duvidar da sua masculinidade. “Algumas pessoas quando me ouvem a defender a igualdade de direitos entre homens e mulheres mostram-se indignados, pois no seu entender, homens que se juntam à causa das mulheres não estão alinhados com os padrões “normais” de masculinidade”, lamentou.
Macuácua, falando sobre as dificuldades que enfrentou quando iniciou o programa televisivo Homem que é Homem, disse que não foi fácil, pois algumas pessoas pensavam que não chegaria longe, teria uma morte natural. Todavia, valeu lhe a convicção de que todo o processo de mudanças, leva o seu tempo, mas estava certo dos passos que era necessário dar para ter  sucessos. “Estava consciente que teria problemas e contestações, que teria inimigos, pessoas que tentam colocar “cascas de banana” para o programa fracassar. Há quem não acreditava que não passaríamos de seis meses, mas felizmente  o programa  vem desde  Maio de 2011.
A  necessidade de sensibilizar a sociedade a abandonar a violência contra a mulher é o que moveu o nosso entrevistado a promover o programa. Para ele, há soluções para a violência contra a mulher protagonizada pelo seu parceiro no nosso país. “ O facto de serem homens os protagonistas destes crimes contra a mulher, isso  indica-nos que eles são parte do problema e que não devem ser ignorados em todos os esforços empreendidos para a sua solução. Na minha opinião, a socialização masculina deve ser revista a nível dos países da SADC e é importante que os homens estejam envolvidos neste processo. A abordagem do envolvimento de homens no combate à violência contra a mulher já provou trazer bons resultados em alguns países como Brasil e Estados Unidos da América.”, disse.
Gilberto Macuacua explica que uma das causas da violência em vários países, incluindo Moçambique, tem a ver com a socialização masculina, sendo que o combate a este mal passa pelo envolvimento de homens no processo de reflexão sobre o modelo de socialização masculina vigente na sociedade, o que lhes permitirá apurar, à violência e podem também atrasar o desenvolvimento.
Fazendo a avaliação da participação do homem no nosso país nesta luta pela igualdade de oportunidades e direitos iguais e, sobretudo, no combate à violência, Macuacua explicou  que ainda que incipientes os esforços neste sentido, alguns resultados imediatos já se notam, como por exemplo, a sua adesão cada vez mais crescente em iniciativas contra a violência promovidas pela Rede Homens Pela Mudança, Programa de Televisão Homem que é Homem e outras organizações nacionais e internacionais. “Este é um pequeno passo e encorajador de muitos outros a serem dados e mostra que a mudança é possível”.

Uma boa terapia para aliviar “stress”

Questionado sobre  se considera que o homem moçambicano está preparado para ver a  mulher como uma parceira com quem deve partilhar tudo, incluindo as actividades domésticas, Gilberto Macuacua explicou que tudo tem a ver com a socialização. “A mulher acorda mais cedo para preparar água para o banho do marido e o pequeno-almoço. Ambos trabalham e voltam para casa à mesma hora, mas o homem já anuncia estar cansado, limitando-se a ficar na sala a assistir os programas da televisão. A questão que coloco é que ele está cansado mais que quem? A mulher não está cansada? O homem trabalhou mais que quem? Eu penso que o facto de não podermos fazer trabalhos em casa estamos a perder uma grande oportunidade de conversar e conhecermos melhor as nossas esposas. Por causa de muitas horas de trabalho, elas envelhecem mais cedo do que nós”, lamentou.
Acrescentando, disse “eu por exemplo, era assim e perdi muito por isso. Às vezes comprava coisas que não tinham importância para casa, porque achava que só eu é que estava certo. Hoje compro aquilo que sei que ela vai gostar. Mas também às vezes compramos coisas em nome da família quando na verdade é para o nosso uso pessoal. Por exemplo, é normal o homem comprar taças de vinho em nome da família, mas na verdade quem vai usar aqueles copos é só ele. A mensagem é que ao realizarmos actividades domésticas seria uma grande oportunidade para nos conhecermos melhor, mas também é uma boa terapia para aliviar “stress.”
Que entendimento tem sobre a emancipação da mulher? _ questionamos ao nosso entrevistado, ao que disse: Continue lendo aqui.

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