terça-feira, 8 de janeiro de 2013

CRIME ECONÓMICO - Interpol caça estrangeiros na rede: Rubi de Namanhumbir a saque por garimpeiros

SÃO repetitivas as informações dando conta de que, em paralelo com a exploração oficial, a cargo da Montepuez Ruby Mining, Lda, o saque daquele recurso natural por parte de garimpeiros ilegais, encorajados por estrangeiros de diversas nacionalidades, continua, o que clama por uma acção mais contundente em defesa da riqueza nacional e do Estado moçambicano.

A Policia Internacional está ao encalço de cidadãos estrangeiros ou nacionais que ilegalmente transaccionam o rubi de Montepuez, extraído na mina de Namanhumbir, depois de ter caído sob a sua alçada, um cidadão, presumivelmente de nacionalidade tanzaniana, na posse de avultadíssimas somas de dólares, segundo soube o nosso jornal, de fonte insuspeita da corporação e confirmou junto da empresa Mwiriti, Lda, parte da Sociedade concessionária do jazigo atrás referido.
Informações a que o “Noticias” teve acesso, indicam que está em investigação desde dia 8 de Dezembro do ano passado um cidadão de nacionalidade tanzaniana, conhecido pelo único nome de Victor, na posse de mais de um milhão de dólares americanos, não declarados, e que para justificar terá dito que provinham da venda do rubi, semana antes, ao chefe de um grupo de 10 a 11 cidadãos tailandeses que se encontram em Montepuez.
Esta revelação, suscitou-nos o interesse de obter alguma informação junto da “Montepuez Ruby Mining, Lda”, que é resultado de uma “joint-venture” entre a moçambicana Mwiriti, Lda e a empresa britânica Gemfields.
O sócio-gerente daquela sociedade, pela Mwiriti, Lda, Asghar Fakhr, confirmou-nos o contacto com alguém que se identificou como falando da central da Interpol, bem assim, de ter sido ouvido em declarações pela Policia moçambicana.
 Quanto às quantidades de dinheiro, presumivelmente provenientes da venda ou compra de rubi, a fonte lamentou o facto e insistiu que se trata duma accao continuada provocada e promovida pelos estrangeiros ilegais que pululam em Montepuez e cercanias, agora com esta indicação de que estejam envolvidos avultadíssimos valores em dinheiro vivo.
Conforme Asghar Fakhr, a Montepuez Ruby Mining, Lda, que resulta da fusão das duas empresas atrás citadas, cujas negociações para tal, haviam começado em Maio do ano passado, é a única licenciada para qualquer transaccao daquele minério, na zona em referência.
“Acontece que ate ao dia 11 de Dezembro deste ano, quando nos chegou essa notícia, nem a Mwiriti, Lda, nem a Montepuez Ruby Mining, Lda, venderam sequer um grama da sua produção. Como se sabe, a empresa está na fase de prova (teste) da área concessionária” disse o sócio-gerente da Montepuez Ruby Mining.
Dados em nosso poder indicam que a Mwiriti, Lda obteve duas concessões mineiras sobre uma área aproximadamente de 32.000 hectares (4702 C e 4703 C), em Novembro de 2011. Em 15 de Dezembro do mesmo ano, pediu ao Ministério dos Recursos Minerais a transferência destas concessões para a “Joint-venture” a que atrás nos referimos.

Quando se delapidam riquezas nacionais

A presença de estrangeiros ilegais, em Montepuez, de diversas nacionalidades, sobretudo, tailandeses, tanzanianos e de outras nacionalidades africanas, principalmente dos Grandes Lagos e da parte ocidental do continente, foi muitas vezes associada à exploração ilegal do rubi em Montepuez, vistos como responsáveis pela instrumentalização de moçambicanos para a extracção daquele minério, fora de normas estabelecidas, ao arrepio da legalidade vigente e lesando grandemente o Estado moçambicano.
Por outro lado e como consequência dessa presença invulgar de estrangeiros ávidos de ganhar muito em pouco tempo, a instabilidade está sempre presente em Namanhumbir e regiões adjacentes, onde a animosidade contra a empresa concessionária faz parte do dia-a-dia da região.
Nos últimos tempos, as autoridades ter-se-ão apercebido que o problema em Namanhumbir não se coloca simplesmente à empresa interessada na exploração empresarial do minério, mas sim, atinge as arraias da soberania nacional, quando se delapidam as riquezas nacionais do jeito que, a partir de fora, agora chegam-nos noticias alarmantes como a que está a rodar o mundo esta semana.
Nos últimos tempos, sucedem-se visitas a Namanhumbir, de entidades oficiais moçambicanas, quer do foro político, para amainar as tensões que o ambiente criou durante largo tempo, quer de interesses económicos, incluindo bancos.
Já em Marco de 2010 falava-se de um cidadão de Namanhumbir que extraíra ilegal e artesanalmente na área da, então única, Mwiriti, Lda, 2,7 gramas de Rubi, e chegou a vender por 60.000.00 MT, no local, que foram postos a 18.000 Dólares na Tailândia e a mesma quantidade acabou sendo vendida em Hong Kong, por 85.000 Dólares. Na verdade, cada grama de Rubi, chega a custar no mercado internacional entre 2 a 3 mil dólares. Notícias

PEDRO NACUO

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