Segundo ele, se o país continuar a registar os actuais índices de caça furtiva, em cinco anos, populações de elefantes, búfalos e de outros grandes antílopes, poderão atingir níveis de extinção.
“O que vi e conheci no Niassa e nas Quirimbas indica um caminhar para a total destruição do património faunístico do país, se não tomarmos medidas firmes para impedir esta catástrofe”, frisou a fonte acrescentando que a caça furtiva na Reserva do Niassa, em particular, não somente gera impactos negativos sobre a biodiversidade como também no turismo. “O facto de, nos últimos anos, nenhum operador faunístico da província do Niassa ter conseguido abater um elefante, com pontas de marfim pesando o mínimo de 50 libras, (aproximadamente 23 quilogramas), conforme o estabelecido na Lei de Florestas e Fauna Bravia, é por si um indicador claro do abate indiscriminado daqueles animais”, disse.
No que se refere a outras espécies como o búfalo e outros grandes antílopes não restam dúvidas que os métodos utilizados pelos caçadores furtivos vão contribuir para o declínio e fragmentação das populações a médio e longo prazo, acrescentou Carlos L. Pereira.
O uso massivo de trincheiras e laços com a ajuda de vedações que se prolongam por mais de um quilómetro de extensão, prova que a caça furtiva não é motivada pelas necessidades de subsistência das populações, mas sim por objectivos comerciais, sublinhou o nosso interlocutor.
Para o conservacionista, o mais correcto seria banir totalmente a caça ao elefante, nas coutadas e nas reservas de caça. A medida, segundo ele, levaria os operadores faunísticos a explorarem outras atracções turísticas nas suas concessões e não teriam que inventar desculpas de última hora para os clientes, a quem tenham prometido o abate de elefantes com pontas pesando mais de 50 libras.
De acordo com aquele veterinário, face à escassez de elefantes adultos na Reserva do Niassa e no Parque Nacional das Quirimbas, com pontas pesando o mínimo de 50 libras, operadores faunísticos há que solicitaram às autoridades competentes, autorização para abater animais daquela espécie, com o marfim abaixo do peso exigido por lei. Pela mesma razão, caçadores furtivos abatem elefantes com menos de quatro anos de idade, no Parque Nacional das Quirimbas.
Carlos L. Pereira mostra-se preocupado ainda com o envolvimento de alguns elementos das autoridades da província do Niassa na caça furtiva, directa ou indirectamente, de forma aberta ou a pretexto do conflito Homem/fauna bravia. “ Há meses que me diziam que elementos da guarda fronteira, na província do Niassa, estavam envolvidos nesta prática ilegal. Pedi aos colegas que trouxessem provas inequívocas do seu envolvimento e eles trouxeram. Hoje o próprio comandante da Polícia em Mecula já não consegue negar o envolvimento dos seus homens, porque pudemos demonstrar inequivocamente o seu envolvimento recente, através da entrega de armas de fogo a caçadores furtivos”, revelou.
Guarda Fronteira envolvida no tráfico de marfim
Em Dezembro de 2011, oito elementos da Guarda Fronteira, na província do Niassa, estiveram envolvidos na venda de trezentos e cinquenta quilogramas de marfim aprendido a cidadãos tanzanianos, tendo sido apenas transferidos, ao invés de serem exemplarmente punidos, conforme o estabelecido na lei, que agrava a penalização quando se tratar de membros da autoridade.
O estabelecimento de comandos conjuntos, constituídos por elementos da Guarda Fronteira e da Direcção Nacional das Áreas de Conservação, para a protecção de espécies faunísticas e florestais, nas províncias do Niassa e de Cabo Delgado, embora bem-intencionado não constitui um mecanismo viável para conter a caça furtiva no terreno, defende Carlos L. Pereira.
Ele justifica que o fracasso se deve à ausência de métodos claros de trabalho e da fraca preparação dos elementos da Guarda Fronteira em matérias de fauna e flora, em relação aos fiscais ajuramentados.
“O envolvimento de militares (especializados) é uma opção, mas tem que ser devidamente enquadrado para se alcançar resultados consistentes. É necessário que eles encontrem no terreno a serenidade e profissionalismo necessários para poderem ser bem enquadrados, encaminhados e sucedidos”, concluiu o conservacionista Carlos L. Pereira, para quem a solução do actual problema passa pela revisão de todo o sistema de fiscalização faunística e florestal, começando pela correcta selecção dos candidatos e treino dos fiscais a serem afectos nesta área. Notícias
Ele justifica que o fracasso se deve à ausência de métodos claros de trabalho e da fraca preparação dos elementos da Guarda Fronteira em matérias de fauna e flora, em relação aos fiscais ajuramentados.
“O envolvimento de militares (especializados) é uma opção, mas tem que ser devidamente enquadrado para se alcançar resultados consistentes. É necessário que eles encontrem no terreno a serenidade e profissionalismo necessários para poderem ser bem enquadrados, encaminhados e sucedidos”, concluiu o conservacionista Carlos L. Pereira, para quem a solução do actual problema passa pela revisão de todo o sistema de fiscalização faunística e florestal, começando pela correcta selecção dos candidatos e treino dos fiscais a serem afectos nesta área. Notícias
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