sábado, 23 de fevereiro de 2013

Diáspora-Fobia Progressiva na Guiné-Bissau

Neste longo texto, Filomeno Pina discute as relações inerentes à separação da Diáspora Guineense dum regime político vigente no País natal nos anos/70, a partir da independência do regime colonial Português. O autor irá discutir os aspectos psicológicos desse afastamento e as implicações sociais para a família guineense; atentando para uma critica a um oportunismo político.

A revolta recalcada e a separação da Diáspora Guineense dum regime político vigente no País natal nos anos/70 teve o seu início a partir da independência do regime colonial Português. Esta separação vista como fenómeno físico e psicológico de inibição e afastamento do País, teve os seus argumentos de acordo com a natureza e motivos implícitos/explícitos vivenciados por grande número de famílias guineenses, que perderam a sua estabilidade psicológica, material e social durante o período de readaptação ao regime pós-25 de Abril. Um facto social resultante da defesa do indivíduo perante a situação complexa em que se encontrava no ambiente da política que se vivia na época.
Muitos cidadãos abandonaram, por opção, o seu País para irem viver longe da Terra que os viu nascer, não resistindo às novas exigências “ideológicas”, às condições de vida impostas pelo regime novo regressado da Luta de Libertação Nacional e, sobretudo, pelo medo da mudança como fenómeno desconhecido que gera até falsas interpretações.
Note-se no entanto este aspecto paradoxal, de alguém que vai a “fugir” daquilo que gosta mais, ou seja, do seu próprio País, para sobreviver longe, com mais dignidade, não tendo que se rebaixar, ser subserviente ao poder político instalado, consentir abusos perante ameaças e represálias, por ter vivido no País com o regime colonial, estando rotulado com preconceitos xenófobos e tribalistas, por vezes, sendo vitima de baixa política, que não garantiu justiça social num sistema de regime político partidário de si altamente “blindado”, porque insensível, para a sociedade encontrada com a independência e sobretudo os Bissau-Guineense, neste regime frio e insensível às diferenças encontradas no Povo circundante, não aceitou todos, pois escolheu e separou filhos da mesma Mãe, numa altura que o Partido deveria demonstrar uma “maternidade” exemplar. Não aconteceu, os filhos rebeldes e feios, foram maltratados, presos, torturados, e ninguém ficou com dúvidas de que este “Pai”, regressado da luta, afinal vinha de certo modo perturbado emocional e politicamente, pronto para um ajuste de contas com um certo número de pessoas, era agressivo e mau. A esperança de uma mudança de comportamento morreu na praia, durante décadas, ninguém percebeu este diagnóstico, desta nossa sorte fatal de quarenta anos lutarmos apenas uns contra os outros, o que provocou um abandono progressivo do País.
Toda esta metamorfose crítica e de crises constantes, mal interpretadas pelo poder político, complicou ainda mais a pouca confiança existente no novo regime. Muita coisa era mal percebida no seio do Povo (por exemplo os fuzilamentos em que a comunidade local era obrigada a assistir), uma sociedade exposta perante um poder que manipulou e perseguiu politicamente tudo e todos, os potenciais adversários e não simpatizantes do regime de partido único na época. Um certo número desta sociedade que viu suas vidas declinar ética, social, moral e materialmente em pouco tempo, instalando-se o medo, gradualmente foi-se perdendo “confiança” política no novo regime, i. é, pouco tempo depois da independência, rotulados que estavam pelo regime, muitos partiram para sempre.
Situação relevante a anotar foi esta descriminação implantada pelo método selectivo de divisão entre os Guineenses com a conotação (revolucionário/simpatizante ou reaccionário/alienado) de bons e maus, em vez de trabalharmos todos juntos com determinação positiva para unir Guineenses, sem excepção, preferiram implantar manhas e manias políticas para dividir, com benefícios para uma minoria que conseguiu ascender despida, por vezes, de toda a afectividade de origem como pessoa, em substituição da família natural pela família “política” como prova de “amor” à ideologia do partido único. Veja-se hoje como muitos filhos da Guiné-Bissau passaram de promessas esperançadas num País novo e independente, para vítimas inocentes do mesmo regime político, ao qual juraram promessas, e pergunto porquê? Continue lendo aqui.

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