Quero o meu dinheiro e nada mais
Amélia Sambo, cozinheira de profissão, dedicou seis anos da sua vida ao serviço do Nautilus, mas foi surpreendida com uma nota manuscrita informando-a da não renovação do seu contrato de trabalho. Pela assinatura da nota recebeu seis mil meticais.
“Eu só quero o meu dinheiro. Trabalhei seis anos e se hoje o meu patrão é rico parte dessa riqueza deve-se ao meu suor. Nunca faltei ao serviço senão em folga e ou férias, mas, em compensação, recebi este tratamento.”
Mãe solteira, com dois filhos menores, Amélia Sambo tem apenas seis mil meticais para enfrentar a vida e nada mais. De quem de direito exige que seja feita a justiça.
Quatro mil e 450 meticais é o que a nossa interlocutora ganhava por mês e, segundo disse, o patrão pagou-lhe apenas dinheiro das férias deste ano e os 14 dias do mês de Fevereiro.
“Eu fui chamada pelo patrão Yassin. Na altura julguei que queria pedir que servisse comida. Só que de seguida entregou-me uma carta que me informava que não renovaria o meu contrato e disse que de 14 de Fevereiro em diante não devia mais pôr os pés no Nautilus por não fazer mais parte do efectivo”, explicou. Ela diz que é estranho que o patrão afirme que há muita gente que já foi expulsa e fez cartas através de advogados, mas que não foram ressarcidos. “Disse de viva voz que prefere dar o dinheiro que seria da indemnização ao seu Governo corrupto”, adiantou.
A massa laboral, que veio ao “Notícias” no que chamou de busca de socorro, queixa-se de não gozar férias de há alguns anos a esta parte e, das poucas vezes que usufruíram do direito, terem-no feito de forma repartida, o que baralha completamente a organização pessoal de cada assalariado.
Os queixosos falaram ao nosso Jornal na condição de anonimato, porque, garantiram, a direcção do empreendimento, um dos restaurantes de referência para a classe média, inviabilizou todas as tentativas de criação de um comité sindical local, outra questão que lhes inquieta.
“Não temos sindicato porque a gerência não quer que isso exista. Da última vez que tentámos criar, todos os colegas propostos para o órgão acabaram sendo demitidos por razões não muito claras”, contaram.
No que diz respeito às férias, a Direcção é que decide quando é que os trabalhadores descansam, uma vez que é ela que marca o encerramento da instituição de acordo com a sua agenda.
A título de exemplo, a casa de pasto está encerrada entre 25 de Fevereiro corrente e 11 de Março próximo, parcialmente porque a gerente, Joana Barreto, terá de estar na sua terra natal, Portugal, no dia 26 deste mês para tratar de assuntos pessoais.
Ao período de férias colectivas que os cerca de 80 trabalhadores vão gozar entre este mês e o próximo junta-se o observado entre 12 e 19 de Novembro do ano passado e 7 a 14 de Janeiro último, totalizando 31 dias referentes a 2012, de acordo com uma nota distribuída pela chefia à massa trabalhadora.
O facto dos trabalhadores do restaurante, incluindo os afectos à cozinha, que lidam com comidas, não terem sanitários em condições de tomar banho no fim ou durante o expediente é outra preocupação apresentada ao nosso Jornal.
Entretanto, os membros de Direcção, dois portugueses, nomeadamente Joana Barreto e José Godinho, dizem que os trabalhadores do “Escorpião” são “mimados”, porque têm uma série de regalias que não encontram em outros estabelecimentos do género.
“Nós damos três refeições. Pagamos cerca de 30 mil meticais por mês para a segurança social deles e não descontamos nos seus salários”, exemplificam os gestores, acrescentando ainda que oferecem carrinha de transporte até as suas residências aos que saem à meia-noite.
No que respeita a férias, dizem que por natureza do seu funcionamento, não há como cada um gozar os 30 dias de descanso anuais doutra forma a não ser nas interrupções decretadas pela Direcção.
Quanto à criação de um comité sindical, Barreto e Godinho disseram que são a favor, mas da última vez que os trabalhadores tentaram fazê-lo propuseram colegas processados disciplinarmente por roubo e que acabaram abandonando a casa. Desde então, garantiram, nunca mais se falou na iniciativa.
Joana Barreto disse não perceber como é que aqueles trabalhadores, com tantos problemas que lhe criam, ainda lhe “apunhalam pelas costas, indo queixar a um órgão de informação”, acrescentando que “não me falta vontade de encerrar o restaurante e ir-me embora daqui”. Contineu lendo aqui.
Mãe solteira, com dois filhos menores, Amélia Sambo tem apenas seis mil meticais para enfrentar a vida e nada mais. De quem de direito exige que seja feita a justiça.
Quatro mil e 450 meticais é o que a nossa interlocutora ganhava por mês e, segundo disse, o patrão pagou-lhe apenas dinheiro das férias deste ano e os 14 dias do mês de Fevereiro.
“Eu fui chamada pelo patrão Yassin. Na altura julguei que queria pedir que servisse comida. Só que de seguida entregou-me uma carta que me informava que não renovaria o meu contrato e disse que de 14 de Fevereiro em diante não devia mais pôr os pés no Nautilus por não fazer mais parte do efectivo”, explicou. Ela diz que é estranho que o patrão afirme que há muita gente que já foi expulsa e fez cartas através de advogados, mas que não foram ressarcidos. “Disse de viva voz que prefere dar o dinheiro que seria da indemnização ao seu Governo corrupto”, adiantou.
Empregados e gestores “picam-se” no “Escorpião”
Os trabalhadores do “Escorpião” e a gerência daquele restaurante, localizado na Baixa da cidade de Maputo da cidade de Maputo, estão de costas voltadas, com os primeiros a chamarem o patronato de arrogante e insensível, enquanto os outros falam de “empregados mimados e ingratos”.A massa laboral, que veio ao “Notícias” no que chamou de busca de socorro, queixa-se de não gozar férias de há alguns anos a esta parte e, das poucas vezes que usufruíram do direito, terem-no feito de forma repartida, o que baralha completamente a organização pessoal de cada assalariado.
Os queixosos falaram ao nosso Jornal na condição de anonimato, porque, garantiram, a direcção do empreendimento, um dos restaurantes de referência para a classe média, inviabilizou todas as tentativas de criação de um comité sindical local, outra questão que lhes inquieta.
“Não temos sindicato porque a gerência não quer que isso exista. Da última vez que tentámos criar, todos os colegas propostos para o órgão acabaram sendo demitidos por razões não muito claras”, contaram.
No que diz respeito às férias, a Direcção é que decide quando é que os trabalhadores descansam, uma vez que é ela que marca o encerramento da instituição de acordo com a sua agenda.
A título de exemplo, a casa de pasto está encerrada entre 25 de Fevereiro corrente e 11 de Março próximo, parcialmente porque a gerente, Joana Barreto, terá de estar na sua terra natal, Portugal, no dia 26 deste mês para tratar de assuntos pessoais.
Ao período de férias colectivas que os cerca de 80 trabalhadores vão gozar entre este mês e o próximo junta-se o observado entre 12 e 19 de Novembro do ano passado e 7 a 14 de Janeiro último, totalizando 31 dias referentes a 2012, de acordo com uma nota distribuída pela chefia à massa trabalhadora.
O facto dos trabalhadores do restaurante, incluindo os afectos à cozinha, que lidam com comidas, não terem sanitários em condições de tomar banho no fim ou durante o expediente é outra preocupação apresentada ao nosso Jornal.
Entretanto, os membros de Direcção, dois portugueses, nomeadamente Joana Barreto e José Godinho, dizem que os trabalhadores do “Escorpião” são “mimados”, porque têm uma série de regalias que não encontram em outros estabelecimentos do género.
“Nós damos três refeições. Pagamos cerca de 30 mil meticais por mês para a segurança social deles e não descontamos nos seus salários”, exemplificam os gestores, acrescentando ainda que oferecem carrinha de transporte até as suas residências aos que saem à meia-noite.
No que respeita a férias, dizem que por natureza do seu funcionamento, não há como cada um gozar os 30 dias de descanso anuais doutra forma a não ser nas interrupções decretadas pela Direcção.
Quanto à criação de um comité sindical, Barreto e Godinho disseram que são a favor, mas da última vez que os trabalhadores tentaram fazê-lo propuseram colegas processados disciplinarmente por roubo e que acabaram abandonando a casa. Desde então, garantiram, nunca mais se falou na iniciativa.
Joana Barreto disse não perceber como é que aqueles trabalhadores, com tantos problemas que lhe criam, ainda lhe “apunhalam pelas costas, indo queixar a um órgão de informação”, acrescentando que “não me falta vontade de encerrar o restaurante e ir-me embora daqui”. Contineu lendo aqui.
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