Nos últimos meses, mais de 270.000 moçambicanos tiveram que abandonar as suas casas por causa das cheias. A DW África foi ao leste da província de Gaza, uma das regiões mais afetadas, para saber como estão os refugiados.
O maior centro de acomodação da zona sul de Moçambique situa-se em Chiaquelane, no leste da província de Gaza. Estão no local 70 mil pessoas vítimas das cheias que afetaram a cidade de Chokwé e arredores, em janeiro.
Muitos perderam tudo nas enchentes. Francisco, um dos que encontro refúgio em Chiaquelane, conta que houve desleixo na altura que a informação sobre as cheias na cidade de Chokwé foi espalhada: "Eu ouvi, mas não acreditava. Estava a trabalhar. Quando estava a dormir ouvir pessoas a dizer que vem ai a água. Mas as 16 horas da quarta-feira, a água chegou na minha casa."
Tucha, proprietária de uma boutique em Chokwé, também não acreditava que as coisas fossem sérias: "No fundo, no fundo, não estávamos a levar a sério. Por isso que a maioria das pessoas perdeu tudo, principalmente as pessoas que tinham comida", disse à reportagem da DW África.
Albergados em tendas
Em Chiaquelane, debaixo de um intenso calor, a DW África encontrou pessoas de todas as idades albergadas em tendas. Umas a cozinhar, outras à procura de água e alimentos.
As tendas não chegaram para 70 mil pessoas. A alternativa são plásticos enormes improvisados para construir um albergue. É o que fez a dona Izilda: "Nós dormimos aqui, não temos tendas. Os plásticos que tínhamos eram para fazermos a casa de banho. Mas quando pensamos na chuva tivermos que construir um albergue por causa das crianças", relatou.
Queixas de fome apesar de haver comida
Mas em Chiaquelane, as tendas não constituem grande problema. A DW África constatou que ninguém dorme fora. A fome, essa sim, é que é o maior bico de obra do centro.
Por isso que as pessoas se aglomeram no local onde são distribuídos os alimentos. A comida é distribuída uma vez em cada 15 dias. Cada família recebe 20 quilos de arroz, um litro de óleo e cinco quilos de açúcar.
Rossana recebeu comida, fazia pouco tempo. Mas já esgotou o stock. Quando soube que não iria receber, pois ainda não era a vez do seu bairro, se queixou: "Temos que receber todos. Não é para dar um bairro e outro ficar sem comida. Todos temos que ter comida!"
Desorganização na distribuição dos alimentos
É que para receber comida se obedece a certos critérios, explica o líder comunitário, e responsável pela distribuição, Ernesto Matuwage. "Cada secretário do bairro tem uma lista e chama famílias uma de cada vez. Por exemplo, famílias do primeiro bairro são chamadas e vão receber comida."
A desorganização é visível. Todos querem ser os primeiros na fila. Quando se anuncia a chegada do camião do INGC com alimentos, instala-se a confusão que dificulta a distribuição.
As pessoas estão impacientes. Têm que ficar muito tempo na fila e debaixo do sol ardente à espera da sua vez.
Enquanto o camião do INGC descarrega, Rossana continua inconformada. Esgrime todos os argumentos para convencer os responsáveis que os víveres não estão a ser distribuídos aos que veem dos bairros da cidade de Chokwé: "Nós somos de Chokwé, agora, este bairro não é o único que sofreu com cheias. Nós também temos que ter comida. Têm que distribuir para todas as pessoas e não para uma pessoa e um bairro só."
São argumentos que não convencem. Rossana tem que se render e esperar mais uma semana. As regras foram estabelecidas assim.
Aliás, o administrador de Chokwé, Alberto Paulo, explica que todas as famílias foram alistadas para receber alimentos. E ninguém fica sem comida: "O nosso principal parceiro na distribuição trabalha em função das listas apresentadas desde o primeiro momento pelos secretários dos bairros."
Medo de ter que domir com fome
Há famílias que tentam poupar. Outras preferem comprar comida localmente com o pouco dinheiro que ainda guardam. Foi o caso da Cláudia, que é comerciante, em Chokwé. "Desde aquela vez, ainda não recebemos comida", conta Cláudia. "Restou um pouco de arroz e não sei se ainda vai dar para os próximos dias. Já estou a temer porque posso dormir com fome."
Quem também guarda alimentos por razões de segurança é o jovem Vitorino. Tal como Rossana, também ele ficou de fora da lista porque ainda não chegou a sua vez. "Esses 20 quilos que nos deram já estão praticamente a acabar. Assim temos que poupar até quando chegar a nossa vez de receber", relata o jovem moçambicano de Chokwé que encontrou refúgio na vizinha cidade de Chiaquelane. "Diziam que tínhamos que levar antes de ontem, mas até aqui não nos disseram nada. Dizem que quem está a receber são os dos doutros bairros." Continue lendo aqui.
Muitos perderam tudo nas enchentes. Francisco, um dos que encontro refúgio em Chiaquelane, conta que houve desleixo na altura que a informação sobre as cheias na cidade de Chokwé foi espalhada: "Eu ouvi, mas não acreditava. Estava a trabalhar. Quando estava a dormir ouvir pessoas a dizer que vem ai a água. Mas as 16 horas da quarta-feira, a água chegou na minha casa."
Tucha, proprietária de uma boutique em Chokwé, também não acreditava que as coisas fossem sérias: "No fundo, no fundo, não estávamos a levar a sério. Por isso que a maioria das pessoas perdeu tudo, principalmente as pessoas que tinham comida", disse à reportagem da DW África.
Albergados em tendas
Em Chiaquelane, debaixo de um intenso calor, a DW África encontrou pessoas de todas as idades albergadas em tendas. Umas a cozinhar, outras à procura de água e alimentos.
As tendas não chegaram para 70 mil pessoas. A alternativa são plásticos enormes improvisados para construir um albergue. É o que fez a dona Izilda: "Nós dormimos aqui, não temos tendas. Os plásticos que tínhamos eram para fazermos a casa de banho. Mas quando pensamos na chuva tivermos que construir um albergue por causa das crianças", relatou.
Queixas de fome apesar de haver comida
Mas em Chiaquelane, as tendas não constituem grande problema. A DW África constatou que ninguém dorme fora. A fome, essa sim, é que é o maior bico de obra do centro.
Por isso que as pessoas se aglomeram no local onde são distribuídos os alimentos. A comida é distribuída uma vez em cada 15 dias. Cada família recebe 20 quilos de arroz, um litro de óleo e cinco quilos de açúcar.
Rossana recebeu comida, fazia pouco tempo. Mas já esgotou o stock. Quando soube que não iria receber, pois ainda não era a vez do seu bairro, se queixou: "Temos que receber todos. Não é para dar um bairro e outro ficar sem comida. Todos temos que ter comida!"
Desorganização na distribuição dos alimentos
É que para receber comida se obedece a certos critérios, explica o líder comunitário, e responsável pela distribuição, Ernesto Matuwage. "Cada secretário do bairro tem uma lista e chama famílias uma de cada vez. Por exemplo, famílias do primeiro bairro são chamadas e vão receber comida."
A desorganização é visível. Todos querem ser os primeiros na fila. Quando se anuncia a chegada do camião do INGC com alimentos, instala-se a confusão que dificulta a distribuição.
As pessoas estão impacientes. Têm que ficar muito tempo na fila e debaixo do sol ardente à espera da sua vez.
Enquanto o camião do INGC descarrega, Rossana continua inconformada. Esgrime todos os argumentos para convencer os responsáveis que os víveres não estão a ser distribuídos aos que veem dos bairros da cidade de Chokwé: "Nós somos de Chokwé, agora, este bairro não é o único que sofreu com cheias. Nós também temos que ter comida. Têm que distribuir para todas as pessoas e não para uma pessoa e um bairro só."
São argumentos que não convencem. Rossana tem que se render e esperar mais uma semana. As regras foram estabelecidas assim.
Aliás, o administrador de Chokwé, Alberto Paulo, explica que todas as famílias foram alistadas para receber alimentos. E ninguém fica sem comida: "O nosso principal parceiro na distribuição trabalha em função das listas apresentadas desde o primeiro momento pelos secretários dos bairros."
Medo de ter que domir com fome
Há famílias que tentam poupar. Outras preferem comprar comida localmente com o pouco dinheiro que ainda guardam. Foi o caso da Cláudia, que é comerciante, em Chokwé. "Desde aquela vez, ainda não recebemos comida", conta Cláudia. "Restou um pouco de arroz e não sei se ainda vai dar para os próximos dias. Já estou a temer porque posso dormir com fome."
Quem também guarda alimentos por razões de segurança é o jovem Vitorino. Tal como Rossana, também ele ficou de fora da lista porque ainda não chegou a sua vez. "Esses 20 quilos que nos deram já estão praticamente a acabar. Assim temos que poupar até quando chegar a nossa vez de receber", relata o jovem moçambicano de Chokwé que encontrou refúgio na vizinha cidade de Chiaquelane. "Diziam que tínhamos que levar antes de ontem, mas até aqui não nos disseram nada. Dizem que quem está a receber são os dos doutros bairros." Continue lendo aqui.
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