terça-feira, 12 de março de 2013

Papel da mulher na sociedade moçambicana

SR. DIRECTOR!

“A Igualdade de Género assenta no pressuposto de que todos os seres humanos são livres para fazerem escolhas e desenvolver as suas capacidades pessoais, sem as limitações estabelecidas pelos papéis de género socialmente estereotipados.”

A minha admiração no concernente ao desempenho da mulher para a conquista do espaço que reivindica há muito tempo levou-me à escrita deste artigo, com o qual pretendo partilhar as minhas cogitações no tocante ao lugar da mulher na sociedade. A reflexão não diz respeito à relação homem – mulher na família (em casa). Pois, este é um assunto debatido nos mais diversos meandros quer a nível nacional, quer noutras partes do mundo e em todos os escalões sociais, todavia prevalecem argumentos antagónicos.
Os homens foram cépticos em relação à emancipação total da mulher, particularmente em sectores-chave do desenvolvimento socioeconómico do país. Por muito tempo a mulher esteve ligada a actividades de carácter doméstico e comercial, sobretudo no “dumba-nengue”. Note-se que raramente fazia comércio grossista ao qual esteve por muito tempo incumbido o homem.
Houve já vários debates em torno deste assunto (em epígrafe), nos quais a questão principal era se “a mulher seria capaz de, em pé de igualdade, exercer todas as actividades até então concebidas como de cunho masculino?” Argumentos foram bastantes que provassem as limitações da mulher em determinadas actividades. Por exemplo, os homens maioritariamente perguntavam se a mulher seria capaz de fazer trabalhos pesados, de perseguir um ladrão, abrir uma cova para enterrar lixo?
Hoje é possível rever o ditado que diz: “o tempo resolve”, mas neste caso o tempo esclarece. Pois o cepticismo manteve-se ao longo do tempo até que os factos viessem à tona e chamassem a nossa atenção. A partir de uma dada altura tornou-se comum ver mulheres ligadas a actividades administrativas, ao corpo governativo, ao comércio grossista nos grandes mercados nacionais, vendedoras das barracas, recepcionistas, na polícia, na defesa historicamente como a área-chave da sua emancipação, na comunicação social, etc. Apesar destas ocupações a dúvida prevalecia nas mentes quer dos homens, quer das mulheres mais conservadoras da nossa sociedade.
No entanto, temos acompanhado ultimamente, seja através dos órgãos de comunicação social ou mesmo da observação directa, casos salutares, mulheres que conseguem quebrar os tabus e o cepticismo de alguns concidadãos. Pelo menos na nossa nação ainda não podemos falar de uma Presidente da República mas já temos provas de que sem tardar não mais será místico este facto, pois, a Assembleia da República é actualmente presidida por uma mulher e vários ministérios liderados por mulheres.
Um dos primeiros sinais de que a mulher está a lutar de todas formas possíveis para ocupar o seu lugar na sociedade notabiliza-se pelo seu aparecimento na realização de actividades pesadas como condução de “txova” e camiões de recolha de lixo na capital maputense, nos autocarros dos TPM, primeiro como cobradora e posteriormente como condutora. Algum tempo depois aparece também como cobradora da FEMATRO.
A sua presença em autocarros levou-nos a uma grande admiração. Entretanto, ninguém imaginava que ela pudesse um dia aparecer nos semi-colectivos, carros com capacidade para 15 passageiros, com dupla função, isto é, ocupando os lugares dos habituais motoristas e cobrador. É facto observado no “chapa” da rota Praça dos Combatentes/Anjo Voador, via Compone. A condutora é uma senhora mais velha que a cobradora.
Podemos tirar algumas ilações deste novo fenómeno (a mulher na rota do chapa). Um dos aspectos que pode melhorar com a presença da mulher neste contexto é a relação entre os utentes e os dirigentes do carro. Penso que a condutora e a cobradora do “chapa” têm ou conseguem moderar a linguagem na sua interacção com os utentes e estes por sua vez poderão demonstrar assaz respeito pelas primeiras.
Outro aspecto crucial a avançar nesta observação tem a ver com a prudência na condução, os encurtamentos e desvio de rotas. Por um lado, parece-me que a mulher na condução de carro de passageiros é cautelosa na observância de sinais de trânsito por isso não se espera que ela provoque congestionamento nas estradas e nem ponha em risco a vida dos utentes e do peão. Por outro, talvez seja neste aspecto que ela se difere dos homens, não me parece que elas tenham a coragem de encurtar e/ou desviar a rota do “chapa”. Notícias
  • Cristiano Tsope

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