sábado, 16 de março de 2013

Relatório da ONU sobre desenvolvimento humano coloca Moçambique em antepenúltimo

Os países mais pobres do mundo estão se desenvolvendo mais rapidamente do que os mais ricos. Isso significa que o planeta está se tornando menos desigual, mostra a ONU. Ainda assim, Moçambique está no fim da lista.

O Relatório de Desenvolvimento Humano 2013 do Programa das Nações Unidas para o desenvolvimento (PNUD) apresentado nesta quinta feira (14.03) traz boas notícias para o países lusófonos.
O relatório analisou 187 países e destaca que em todos os grupos e regiões houve notáveis melhorias em todos os componentes do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Progressos mais acelerados foram percebidos em países de IDH baixo e médio.

Moçambique

No índice de Desenvolvimento Humano das Nações Unidas, Moçambique está na posição de número 185. Está entre os quatros países do continente africano com maior taxa de incidência de pobreza. Moçambique está entre os países cuja pontuação subiu mais de 2% ao ano desde 2000. Ainda assim, mantém-se no fundo da escala. No quesito avaliado, é melhor apenas que o Níger e a República Democrática do Congo.
Ainda assim, o país apresentou melhores resultados nas questões de igualdade de gênero. O Índice da Desigualdade de Gênero (IDG) foi avaliado em 148 países e é um de dois índices experimentais (o outro é sobre pobreza multidimensional). O IDG analisa os resultados registrados na saúde reprodutiva, na capacitação das mulheres e na participação no mercado laboral. Nisso, Moçambique se destacou.

Angola

Angola está no grupo dos países com baixo desenvolvimento humano. Mas da mesma forma que Moçambique está entre aqueles cuja pontuação subiu mais de dois por cento ao ano desde 2000. No IDH, o país subiu uma posição nos últimos cinco anos. Atual colocação é 148. Vem mantendo a tendência de aumento ligeiro da sua pontuação.
Em média, os países perdem 23,3% da sua pontuação quando se contabiliza as desigualdades. Neste caso, Angola é o que mais perde (43,9%). Para comparar, recorda-se que a República Tcheca está no extremo oposto (5,4%).

Guiné-Bissau

Já a Guiné-Bissau piorou. Aproximou-se dos últimos colocados. Este ano, está na posição de número 176 no IDH. Exatamente a mesma colocação em que esteve em 2011, na frente apenas de 11 nações. Apesar de ter vindo a melhorar a pontuação desde 2005, a sua posição no ranking desceu quatro lugares desde 2007. Levando em consideração as desigualdades, o índice da Guiné-Bissau desce 41,4% para 0,213.

Cabo Verde

Entre os países de desenvolvimento médio, Cabo Verde caiu apenas uma posição. Recuou de 131 para 132, apesar de uma ligeira melhoria da pontuação. O melhor registro do país foi em 2009, quando se qualificou na 118ª posição. Um ano mais tarde, porém, caiu 15 lugares.

São Tomé e Príncipe

Dos países lusófonos no grupo de baixo desenvolvimento, São Tomé e Príncipe é o melhor colocado. Mantém a posição 144 desde 2007. O valor do desenvolvimento são-tomense tem vindo a crescer desde 2005, quando era de 0,488, até 0,525 em 2012.

Timor-Leste

Neste cenário de melhorias generalizadas, destaca-se Timor-Leste. Nos últimos dois anos, o país não teve uma variação no ranking, mas entre 2007 e 2012, o território subiu cinco posições. Entre 2000 e 2012, registrou o maior crescimento médio anual no IDH se comparados os países do leste da Ásia e Pacífico. Seguido, ele é pela Birmânia. Timor-Leste figura na colocação de número 134, no IDH do PNUD.
No que diz respeito às desigualdades, o país apresenta a maior lacuna da região (33%), sendo seguido pelo Camboja (25,9%).

Portugal e Brasil

Na Europa, Portugal é considerado de desenvolvimento muito elevado. Assim como Moçambique, também Portugal apresentou melhores resultados em questões de igualdade de gênero do que no desenvolvimento humano em geral. Portugal ocupa a 16ª posição, muito acima do lugar atribuído no IDH geral (43ª).
O IDG inclui dados para apenas dois outros países lusófonos: Moçambique, que sobe 60 níveis, em comparação com o resultado obtido no IDH, e Brasil, que não muda de lugar, mantendo-se em 85ª.
O país lusófono melhor posicionado na tabela é Portugal. Ele é o único de desenvolvimento muito elevado que perdeu quatro posições em 2012. O motivo: foi ultrapassado por outros países.
O Brasil estagnou na tabela desde 2007, apesar de muitos dos seus programas de inclusão ao nível da Saúde, Educação ou Rendimento serem modelo a nível internacional. Um dia após a divulgação do relatório, o governo brasileiro contestou o IDH elaborado pelas Nações Unidas.
O governo brasileiro considera que a classificação do Brasil (85ª) foi "injusta", por utilizar dados desatualizados sobre educação. Porém, o PNUD refere no documento que alguns dados são antigos e recomenda que, uma vez que há sempre inovações e acréscimos de países nos cálculos, que não sejam feitas comparações com anos anteriores.

Os últimos e os primeiros da lista

O país com o melhor IDH é a Noruega. Depois vem a Austrália, os Estados Unidos, a Holanda e Alemanha.
O Níger (186) é a nação que apresenta o pior IDH no ranking do PNUD, ao lado da República Democrática do Congo (186). Melhores que eles: Moçambique (185), Chade (184) e Burkina Faso (183). Ao todo, foram 187 países analisados. Deutsche Welle

Autora: Bettina Riffel (Lusa)
Edição: Renate Krieger

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