terça-feira, 5 de março de 2013

Vaticano, Irão e Rússia tentam travar direitos

por Lusa, publicado por Luís Manuel Cabral

O Vaticano, o Irão e a Rússia são alguns dos países que estão a tentar travar os esforços no combate à violência contra as mulheres, segundo responsáveis que participam na conferência das Nações Unidas sobre o tema.

Mais de 6.000 representantes da sociedade civil estão presentes na sessão anual da comissão da ONU sobre o estatuto da mulher, que se realiza em Nova Iorque.
"É a maior reunião internacional jamais organizada para pôr fim à violência contra as mulheres", frisou, na sessão de abertura, a diretora executiva da ONU Mulheres, Michelle Bachelet.
A responsável lembrou que a reunião decorre num contexto de mobilização para o problema, após o ataque dos talibãs contra uma adolescente paquistanesa e da violação coletiva duma jovem indiana em dezembro.
"A impunidade continua a ser a norma e não a exceção", lamenta a ex-Presidente chilena.
De acordo com responsáveis da reunião, o Vaticano, o Irão e a Rússia, entre outros, têm tentado travar uma parte do projeto de comunicado final que afirma que a religião, costumes ou tradições não podem servir de pretexto a um Governo para se demitir da sua obrigação de lutar contra a violência das mulheres.
Segundo a agência noticiosa France Press, os mesmos Estados opõem-se a que as relações sexuais impostas a uma mulher pelo seu marido sejam consideradas violação.
"A violência contra as mulheres deve ser considerada como um problema de direitos humanos e isso nada tem a ver com cultura ou religião", declarou a ministra norueguesa da Igualdade, Inga Marte Thorkildsen.
"O Vaticano, as forças religiosas conservadoras dos Estados Unidos e da Europa, certos países católicos e muçulmanos tentam ligar-se para impedir que as mulheres conquistem os seus direitos sexuais", afirmou a ministra, que prevê negociações difíceis nas duas semanas da conferência, que decorre em Nova Iorque.
A Organização das Nações Unidas pede aos governos que abordem o drama da violência contra as mulheres com "mais ação" e "menos documentos bonitos", num mundo onde mais de 600 milhões de mulheres vivem em países onde não há leis que tipifiquem como crime a violência de género. Diário de Notícias

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