segunda-feira, 29 de abril de 2013

CASAS DE PASTO: Vergonha por detrás do prato que vai à mesa

QUEM vai aos bares, restaurantes e outros locais de diversão que fornecem refeições já parou para questionar o que está por detrás do todo processo de preparação do prato que lhe é servido à mesa? Se esta questão fosse feita talvez ninguém mais comeria algo nestes lugares.

Uma “visita” da Inspecção Nacional das Actividades Económicas (INAE) do Ministério da Indústria e Comércio (MIC) surpreendeu algumas estâncias que se dedicam à confecção de refeições, bares e discotecas na cidade de Maputo, sem as condições adequadas para o efeito.
A má conservação dos produtos usados na cozinha, a não observância dos prazos de validade, péssima apresentação dos sanitários públicos e exercício de actividade não licenciada, são algumas das várias situações encontradas.
A nossa Reportagem acompanhou durante duas noites os trabalhos de uma das equipas de inspectores INAE, acompanhadas por pessoal da Polícia da República de Moçambique (PRM) e Municipal (PM) e testemunhou o cenário crítico e sobretudo a falta de higiene prevalecente nos locais onde são confeccionados os alimentos.
Os alvos daquelas duas noites de trabalho foram o Coconuts Live, Gil Vicente, Chiundo África Bar, Elvis Bar, Next To You, Havana Bar, Xima e 1908,na cidade de Maputo.
O objectivo era verificar a implementação do decreto que regula o exercício da actividade de restauração, venda de bebidas, e salas de dança e acabaram sendo identificados outros de vária ordem que poderão culminar com a imposição de multa e até encerramento, caso não sejam corrigidos.
Os bares Gil Vicente, Chiundo África Bar e Xima estão na lista dos piores em termos de condições da cozinha e conservação dos alimentos, segundo avançou o Inspector da Direcção de Indústria e Comércio na cidade de Maputo, Elias Frederico Jamisse.
“No total efectuamos visitas a oito estabelecimentos que exercem actividade do ramo hoteleiro e de restauração e, todos eles foram notificados por diversas irregularidades. Deste, sete delas exercem uma actividade não indicada no seu alvará de licenciamento”, disse.

Cozinha-se em péssimas condições

Grande parte das casas que preparam os alimentos tem os ingredientes armazenados e conservados em condições pouco saudáveis. Em sítios como o Chiundo África Bar e Xima, por exemplo, foi encontrada carne não tapada e no congelador, grelhas apresentando sinais de ter sido lavada há muito tempo e até panos de loiça sujos e sem condições de serem utilizados.
Uma das inspectoras do INAE viu-se obrigada a colocar os referidos panos na lata de lixo, e ainda levar o tomate e cebola que supostamente seriam reutilizados nas refeições do dia seguinte para fazer uma salada aos clientes.
“Fomos aconselhados a manter conservados os legumes e em caso de já terem sido utilizados parcialmente, não poderão servir para o dia seguinte. As carnes temperadas devem ser mantidas em tigelas plásticas e com tampas, ao invés de recipientes abertos e desprotegidos”, explicou o gestor do Chiundo África, João de Brito.
No Xima, a inspecção deparou-se com carne já preparada e que seria vendida no dia seguinte, em condições de armazenamento deficientes. Aliás, o corredor utilizado para a circulação dos funcionários daquele bar, da cozinha até a parte do restaurante, é muito estreito e põe em causa os produtos a serem consumidos.
"Temos que prestar mais atenção a forma como guardamos as carnes já prontas para o consumo para não prejudicarmos a saúde dos nossos utentes. Quanto às outras observações também vamos tentar corrigir e melhorar para que não sejamos autuados pelas irregularidades”, reconheceu um dos gerentes do Xima, Inocêncio Matine.

Dos produtos fora de prazo à má conservação

Para quem costuma tomar uma cerveja, um refresco, sumo até mesmo leite sem reparar no prazo de validade atenta contra a sua própria saúde. Uma pequena vista de olhos nas geleiras do Xima e do Chiundo África bar detectou produtos fora do prazo.
Uma amostra de quantidade de leite não especificada terá que ser enviada a laboratório em virtude de não apresentar etiqueta indicando o prazo de validade, o mesmo sucedendo com o tomato sauce e maionese usada no preparo de sandes e hambúrgueres no Xima.
“Há pelo menos 12 refrigerantes a lata cuja validade expirou no princípio do mês e foi ignorado pelos colegas que fazem o controlo do stock”, disse Inocêncio Matine, gerente do Xima, comentando que há clientes que poderão ter consumido aquele produto.
Uma situação semelhante embaraçou a gerência do “África Bar”, que para além de ver destruídas algumas bebidas por apresentar o prazo de validade vencido, foram alertados sobre a conservação das mesmas antes do consumo.
“Foram encontradas caixas de diversos produtos armazenados sobre o cimento, o que põe em causa a sua qualidade. Pensamos que podíamos guardar em melhores condições para evitar a sua deterioração precoce”, lamentou o gestor do África Bar, João de Brito.
Os gestores destes locais reconhecem haver necessidade de impor maior rigor principalmente para não comercializarem bens de consumo fora do prazo.
“Esta situação pegou-nos de surpresa. Sempre verificamos o “stock” e a validade de todos os produtos. Há um gestor que se encarrega destas situações. Não sabemos como é que deixou escapar estas bebidas”, explicou-se Inocêncio Matine, do Xima. Continue lendo aqui.

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