segunda-feira, 1 de abril de 2013

Como o imperialismo continua a sua acção

SR. DIRECTOR!

Gostaria de ver publicado no jornal que V.Excia dirige este texto sobre o que as sociedades de hoje vivem face ao processo do chamado” quintal global”.

Nas últimas décadas do século passado, o termo “imperialismo” andava vinculado aos discursos de muitos dirigentes, sobretudo os dos países mais desfavorecidos. O imperialismo é a política decorrente na época da Segunda Revolução Industrial. Trata-se de uma política de expansão territorial, cultural e económica de uma nação sobre outra. Assim, alguns legados do imperialismo podem traduzir-se em efeito na vida económica dos povos africanos.
O sistema colonial destruiu o padrão económico que existia nos países. O colonialismo também ligou a África, economicamente, às grandes potências, de modo a que  os benefícios provenientes de tal sistema revertessem sempre a favor dos países poderosos e nunca retornassem para a África.
Outro mal causado pelo colonialismo foi a introdução das ideias europeias de superioridade racial e cultural, atribuindo pouco ou nenhum valor às manifestações culturais dos povos africanos.
A história da exploração económica teve um papel determinante na forma como certos governos africanos independentes se preocuparam em desenvolver as suas próprias economias.
Na altura das lutas pela libertação  e das proclamações das independências dos países africanos, o movimento imperialista ensombrou a vida de povos destas nações, como forma de vincar que a sua acção iria permanecer após as respectivas independências. Nessas alturas, dirigentes das novas nações apresentavam-se como balões de oxigénio, afirmando a sua vontade de transformar a realidade dos seus países, com vista a garantirem o bem-estar aos seus respectivos compatriotas.
Para o efeito, os pais das independências nacionais falavam do desejo de não se transformarem em novos colonizadores; da vontade de verem as riquezas de seus países reverterem a favor dos seus concidadãos; de alargarem os cuidados de saúde e  educação para a maioria da população; do sonho de verem os viventes de suas pátrias  habitando em casas condignas, com acesso, em grande medida, à água potável. Enfim, de verem reduzido o fosso económico e social entre as diferentes camadas sociais.
Estas vontades foram-se concretizando em cada país de forma diferente. Nalguns, os avanços foram, sem dúvida, consideráveis. No entanto, na maioria dos casos, os avanços foram insignificantes,  tornando o continente africano num continente com elevados índices de pobreza.
Passado este tempo, o que se pode hoje dizer sobre o efeito do movimento imperialista? A verdade manda dizer que este termo já não se veicula facilmente aos dizeres dos dirigentes mundiais. Todavia,uma nova palavra passou a predominar no vocabulário político económico e social:  “globalização”.
A globalização  é um processo de integração económica, cultural, social e política. Esse fenómeno é gerado pela necessidade de o capitalismo conquistar novos mercados, principalmente se o mercado estiver saturado. A intensificação da globalização aconteceu na década de 70, e ganha grande velocidade na década de 80. Um dos motivos para essa aceleração é o desenvolvimento de novas tecnologias como, por exemplo, no ramo da comunicação.
Assim, o produtor compra matéria-prima em qualquer sítio onde ela seja de boa qualidade e barata. Transforma esta matéria-prima noutro local onde a mão-de-obra seja mais barata e vende o produto final em qualquer parte do mundo.
Neste processo realizado no chamado “quintal global”, os países menos poderosos, felizmente nalguns casos ou infelizmente noutros, são os possuidores das maiores riquezas mundiais. A exploração e o uso dessa mais-valia, na maioria dos casos, não se reflecte na vida dos cidadãos mais desfavorecidos desses países.
Na verdade, os interesses de muitos dos actuais dirigentes dos países da periferia estão virados para os seus próprios interesses ou de grupos económicos, sociais ou outros, por eles representados, apesar de, nos seus discursos, continuarem a apregoar as vontades dos pais das independências nacionais. Desta forma, os interesses dos “globalizadores” encontram terreno fértil para, de maneiras diferentes, continuarem a marginalizar a maioria dos povos desfavorecidos. A globalização, que poderia ser uma força propulsora de desenvolvimento e da redução das desigualdades internacionais, está sendo corrompida por um comportamento hipócrita que não contribui para a construção de uma ordem económica mais justa e para um mundo com menos conflitos.
Portanto, o imperialismo só mudou de cara. O processo de retardar ao máximo possível o desenvolvimento dos países da periferia continua na agenda dos países poderosos. Notícias
 
  • Naimito Marina

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