Gostaria de ver publicado no jornal que V.Excia dirige este texto sobre o que as sociedades de hoje vivem face ao processo do chamado” quintal global”.
Nas últimas
décadas do século passado, o termo “imperialismo” andava vinculado aos
discursos de muitos dirigentes, sobretudo os dos países mais
desfavorecidos. O imperialismo é a política decorrente na época da
Segunda Revolução Industrial. Trata-se de uma política de expansão
territorial, cultural e económica de uma nação sobre outra. Assim,
alguns legados do imperialismo podem traduzir-se em efeito na vida
económica dos povos africanos.
O sistema colonial destruiu o
padrão económico que existia nos países. O colonialismo também ligou a
África, economicamente, às grandes potências, de modo a que os
benefícios provenientes de tal sistema revertessem sempre a favor dos
países poderosos e nunca retornassem para a África.
Outro mal
causado pelo colonialismo foi a introdução das ideias europeias de
superioridade racial e cultural, atribuindo pouco ou nenhum valor às
manifestações culturais dos povos africanos.
A história da
exploração económica teve um papel determinante na forma como certos
governos africanos independentes se preocuparam em desenvolver as suas
próprias economias.
Na altura das lutas pela libertação e das
proclamações das independências dos países africanos, o movimento
imperialista ensombrou a vida de povos destas nações, como forma de
vincar que a sua acção iria permanecer após as respectivas
independências. Nessas alturas, dirigentes das novas nações
apresentavam-se como balões de oxigénio, afirmando a sua vontade de
transformar a realidade dos seus países, com vista a garantirem o
bem-estar aos seus respectivos compatriotas.
Para o efeito, os pais
das independências nacionais falavam do desejo de não se transformarem
em novos colonizadores; da vontade de verem as riquezas de seus países
reverterem a favor dos seus concidadãos; de alargarem os cuidados de
saúde e educação para a maioria da população; do sonho de verem os
viventes de suas pátrias habitando em casas condignas, com acesso, em
grande medida, à água potável. Enfim, de verem reduzido o fosso
económico e social entre as diferentes camadas sociais.
Estas
vontades foram-se concretizando em cada país de forma diferente.
Nalguns, os avanços foram, sem dúvida, consideráveis. No entanto, na
maioria dos casos, os avanços foram insignificantes, tornando o
continente africano num continente com elevados índices de pobreza.
Passado
este tempo, o que se pode hoje dizer sobre o efeito do movimento
imperialista? A verdade manda dizer que este termo já não se veicula
facilmente aos dizeres dos dirigentes mundiais. Todavia,uma nova palavra
passou a predominar no vocabulário político económico e social:
“globalização”.
A globalização é um processo de integração
económica, cultural, social e política. Esse fenómeno é gerado pela
necessidade de o capitalismo conquistar novos mercados, principalmente
se o mercado estiver saturado. A intensificação da globalização
aconteceu na década de 70, e ganha grande velocidade na década de 80. Um
dos motivos para essa aceleração é o desenvolvimento de novas
tecnologias como, por exemplo, no ramo da comunicação.
Assim, o
produtor compra matéria-prima em qualquer sítio onde ela seja de boa
qualidade e barata. Transforma esta matéria-prima noutro local onde a
mão-de-obra seja mais barata e vende o produto final em qualquer parte
do mundo.
Neste processo realizado no chamado “quintal global”, os
países menos poderosos, felizmente nalguns casos ou infelizmente
noutros, são os possuidores das maiores riquezas mundiais. A exploração e
o uso dessa mais-valia, na maioria dos casos, não se reflecte na vida
dos cidadãos mais desfavorecidos desses países.
Na verdade, os
interesses de muitos dos actuais dirigentes dos países da periferia
estão virados para os seus próprios interesses ou de grupos económicos,
sociais ou outros, por eles representados, apesar de, nos seus
discursos, continuarem a apregoar as vontades dos pais das
independências nacionais. Desta forma, os interesses dos
“globalizadores” encontram terreno fértil para, de maneiras diferentes,
continuarem a marginalizar a maioria dos povos desfavorecidos. A
globalização, que poderia ser uma força propulsora de desenvolvimento e
da redução das desigualdades internacionais, está sendo corrompida por
um comportamento hipócrita que não contribui para a construção de uma
ordem económica mais justa e para um mundo com menos conflitos.
Portanto,
o imperialismo só mudou de cara. O processo de retardar ao máximo
possível o desenvolvimento dos países da periferia continua na agenda
dos países poderosos.
Notícias
- Naimito Marina
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