A imposição de novas medidas na Alfândega Angolana, como análises
laboratoriais a todos os bens alimentares importados, pode também pôr em
causa o poder de compra do consumidor angolano.
Encontrar uma solução que agilize a entrada de bens de empresas
estrangeiras na área da distribuição alimentar em Angola foi o tema
discutido pela Direcção-Geral das Anfândegas de Angola e os seus
importadores no dia 26 de Março, em Luanda.
Recentemente, foi posta em vigor na Alfândega angolana uma obrigação de análise laboratorial de todos os bens alimentares importados para o território, que veio criar elevados custos dos produtos e demora na saída de bens importados no porto de Luanda.
Quem está responsável pela análise de todos os alimentos estrangeiros é a Bromangol, empresa recentemente criada para o propósito. Victor Jorge, analista angolano e director da revista Distribuição em Expansão, alerta para o resultado que a sobretaxa sobre os produtos alimentares irá criar em Angola.
"Qualquer produto alimentar ou bebidas importados tem que ser sujeito a um processo de análise em laboratório", explica, exemplificando: "um contentor para vir de Roterdão para Luanda custa 4 mil e 500 dólares. Só a análise pode custar mais do que o transporte do contentor, somando o valor que os importadores têm que pagar pelas análises feitas pela Promangol, mais a nova pauta aduaneira".
Poder de compra do consumidor angolano posto em causa
A pauta aduaneira, segundo o analista, "vai ter um aumento de preços que vai encarecer o produto de tal maneira, que a dúvida agora é uma: não suportando o executivo o custo das análises, quem é que vai suportá-lo?". "É o importador ou vão ser transferidos para o consumidor?", questiona.
O poder de compra do consumidor angolano pode estar a ser comprometido com esta medida, que vai ver os produtos importados serem vendidos por preços muito mais elevados. Para Victor Jorge, esta medida surge como um incentivo à produção nacional. Contudo, na perspectiva do analista, o problema que é levantado, é o facto de não existir uma rede de produção em Angola e o país ser dependente da importação de bens estrangeiros.
"Em Angola, se formos a uma prateleira de supermercado eventualmente 80% a 90% dos produtos são importados", afirma, concluindo que "se fechar as portas a produtos importados desta maneira, ou não se vai ter os produtos ou os produtos vao ficar caros, porque a produção nacional de determinados produtos não acontece de um dia para o outro".
Apesar das medidas, "Angola ainda é aposta", diz analista
De acordo com o analista, "se houvesse produção nacional, eventualmente nós não estaríamos contra estas taxas e estas medidas". Não havendo, considera, "é muito difícil de perceber porque é que o executivo quer taxar os produtos importados de tal maneira que depois não podem ser consumidos pelo consumidor angolano".
Mas será que esta dificuldade encontrada na entrada dos produtos estrangeiros está a desincentivar a aposta de mercados internacionais? Victor Jorge acha que Angola ainda é um "país de oportunidades", mas "agora as oportunidades não são ou não estão à mercê de quem vem para cá sem uma operação perfeitamente pensada, organizada e estruturada e na busca do parceiro certo a nível local, porque nada se faz aqui sem encontrar um parceiro local". Deutsche Welle
Recentemente, foi posta em vigor na Alfândega angolana uma obrigação de análise laboratorial de todos os bens alimentares importados para o território, que veio criar elevados custos dos produtos e demora na saída de bens importados no porto de Luanda.
Quem está responsável pela análise de todos os alimentos estrangeiros é a Bromangol, empresa recentemente criada para o propósito. Victor Jorge, analista angolano e director da revista Distribuição em Expansão, alerta para o resultado que a sobretaxa sobre os produtos alimentares irá criar em Angola.
"Qualquer produto alimentar ou bebidas importados tem que ser sujeito a um processo de análise em laboratório", explica, exemplificando: "um contentor para vir de Roterdão para Luanda custa 4 mil e 500 dólares. Só a análise pode custar mais do que o transporte do contentor, somando o valor que os importadores têm que pagar pelas análises feitas pela Promangol, mais a nova pauta aduaneira".
Poder de compra do consumidor angolano posto em causa
A pauta aduaneira, segundo o analista, "vai ter um aumento de preços que vai encarecer o produto de tal maneira, que a dúvida agora é uma: não suportando o executivo o custo das análises, quem é que vai suportá-lo?". "É o importador ou vão ser transferidos para o consumidor?", questiona.
O poder de compra do consumidor angolano pode estar a ser comprometido com esta medida, que vai ver os produtos importados serem vendidos por preços muito mais elevados. Para Victor Jorge, esta medida surge como um incentivo à produção nacional. Contudo, na perspectiva do analista, o problema que é levantado, é o facto de não existir uma rede de produção em Angola e o país ser dependente da importação de bens estrangeiros.
"Em Angola, se formos a uma prateleira de supermercado eventualmente 80% a 90% dos produtos são importados", afirma, concluindo que "se fechar as portas a produtos importados desta maneira, ou não se vai ter os produtos ou os produtos vao ficar caros, porque a produção nacional de determinados produtos não acontece de um dia para o outro".
Apesar das medidas, "Angola ainda é aposta", diz analista
De acordo com o analista, "se houvesse produção nacional, eventualmente nós não estaríamos contra estas taxas e estas medidas". Não havendo, considera, "é muito difícil de perceber porque é que o executivo quer taxar os produtos importados de tal maneira que depois não podem ser consumidos pelo consumidor angolano".
Mas será que esta dificuldade encontrada na entrada dos produtos estrangeiros está a desincentivar a aposta de mercados internacionais? Victor Jorge acha que Angola ainda é um "país de oportunidades", mas "agora as oportunidades não são ou não estão à mercê de quem vem para cá sem uma operação perfeitamente pensada, organizada e estruturada e na busca do parceiro certo a nível local, porque nada se faz aqui sem encontrar um parceiro local". Deutsche Welle
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