A afirmação é de Marcel Krüse, diretor-executivo do banco angolano
Kwanza Invest. Krüse está na Alemanha para participar numa conferência
sobre negócios em África, na Bolsa de Frankfurt.
O suíço Marcel Krüse veio de propósito de Luanda para falar, em
Frankfurt, sobre "financiamento de investimentos em Angola“, numa mesa
redonda integrada na "Africa Business Week". Krüse é o presidente do
conselho de administração do Banco Kwanza Invest, um banco de
investimento de capitais angolanos, com sede em Luanda, fundado em 2008
por José Filomeno ("Zénu") dos Santos, um dos filhos do Presidente de
Angola.
Marcel Krüse, de 48 anos, dirige, pois, um banco completamente angolano,
administrado por uma equipa germano-suíça, constituída também pelo
ex-presidente do Banco Central Alemão, Ernst Welteke, e o
angolano-suíço, Jean-Claude de Morais Bastos.
Em entrevista à DW África, Marcel Krüse fez questão de sublinhar que, ao
contrário do que tem sido veiculado na imprensa internacional, não é o
Banco Kwanza Invest que gere o Fundo Soberano de Angola: "O Fundo
Soberano não tem nada a ver com o Banco Kwanza Invest", disse.
Quantum Global
Desde o lançamento do Fundo Soberano de Angola, em outubro de 2012,
têm sido feitas muitas críticas contra o Banco Kwanza Invest. As
críticas atingem também os parceiros de Krüse no conselho de
administração do banco, nomeadamente o alemão Ernst Welteke e o
suíço-angolano, de Morais Bastos, também chefes da firma de
investimentos suíça, Quantum Global.
A DW África perguntou a Marcel Krüse se a Quantum Global está envolvida
em negócios do Fundo Soberano angolano, com um capital inicial de cinco
mil milhões de dólares americanos. E, se isso se verificar, de que forma
está envolvida e porquê?
Porém, Krüse declinou responder: "Sou o CEO do Banco Kwanza Invest em
Angola, vivo no país há nove anos, represento os interesses do Banco
Kwanza Invest e não posso falar de outras instituições."
Outro fundo
Marcel Krüse confirmou, no entanto, que o Banco Kwanza Invest está
envolvido na gestão de um outro fundo público, o Fundo Ativo de Capital
de Risco Angolano (FACRA), uma entidade pública criada em junho de 2012.
"Sobre o FACRA posso falar: Trata-se de um fundo criado pelo Estado
angolano e nós gerimos esse mesmo fundo", explicou Krüse. "Nós
candidatámo-nos à gestão desse fundo. Somos um entre 23 bancos, mas os
únicos especializados em 'investment banking' [banca de investimento]. O
nosso cliente, o Estado angolano, é da opinião que todos os outros
bancos teriam conflitos de interesses e que nós seríamos os melhores
posicionados para prestar esse serviço."
Ações de "Zédu" dos Santos
O lançamento do FACRA aconteceu de forma discreta, ao contrário do Fundo
Soberano de Angola que foi lançado, com pompa, em outubro do ano
passado. Afirmava-se, então, que esse Fundo ajudaria a preservar a
grande riqueza de petróleo para usufruto das gerações futuras.
Mas o facto do filho do Presidente angolano ter sido nomeado um dos
gestores do Fundo Soberano gerou severas críticas por parte da imprensa
internacional, tendo, por exemplo, o Wall Street Journal escrito um
artigo com o título: "Fundo Soberano de Angola é um negócio de família".
Será que José Filomeno dos Santos já vendeu as suas ações que tinha no
banco Kwanza Invest, como anunciara em outubro aquando da sua nomeação
para gestor do Fundo Soberano? O diretor-executivo do Banco Kwanza
Invest não confirmou que essa venda tenha, de facto, acontecido.
"José Filomeno anunciou no ano passado que iria vender os seus
'shares' no banco, depois de ter aceite o posto de administrador do
Fundo Soberano do petróleo", disse Marcel Krüse. "Penso que a venda da
sua participação no banco se irá concretizar ainda no decorrer deste
ano, com alguma brevidade. Por isso, penso que esta questão ficará
resolvida em breve.“
Perguntas sem resposta
Ficaram por responder, entre outras, as seguintes perguntas: O que
qualifica Marcel Krüse para a gestão do Banco Kwanza Invest, e nessa
qualidade, para a gestão do Fundo Ativo de Capital de Risco Angolano
(FACRA), para além da sua proximidade com o filho do Presidente de
Angola? Outra pergunta: Como explica ao público angolano o facto de ter
sido acusado e condenado, por um tribunal suíço em dezembro de 2012, por
má e abusiva gestão de um outro fundo que geria na Suíça?
Perguntas que Marcel Krüse recusou responder. Deutsche Welle
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