quarta-feira, 10 de abril de 2013

Mais de 2500 elefantes dizimados em Moçambique

MAIS de 2500 elefantes, representando 17,5 por cento da população total, foram dizimados no país, entre o período 2009 e 2011, revelou a organização WWF Moçambique.

Segundo aquela organização, nos últimos cinco anos o país tem vindo a assistir uma autêntica delapidação da fauna bravia, com particular ênfase para as espécies de alto valor económico e ameaçadas de extinção como o elefante e o rinoceronte.
O extermínio ocorre um pouco por todo o país, sobretudo nas áreas de conservação e outras áreas livres de maior concentração. Os seus autores principais são cidadãos nacionais e estrangeiros.
Dados disponíveis das contagens realizadas no país revelam que a caça-furtiva tem vindo a intensificar-se desde 2004, tendo atingido o pico em 2011 quando se estimou que o país perdeu acima de 2500 elefantes (17,5 por cento da população) entre 2009-11 e maioritariamente nas províncias nortenhas de Cabo Delgado e Niassa.
Esta situação põe em risco não só a sobrevivência das próprias espécies como também reduz a contribuição do sector na economia nacional, assim como afecta a segurança nacional e Estado de Direito e, acima de tudo, afecta as relações interestaduais regionais e denigre a boa imagem do país no mundo.
“O comércio ilegal de produtos da fauna atingiu níveis alarmantes nas regiões Oriental e Austral de África. É momento para que todos nós acabemos com o comércio que está a destruir o nosso potencial turístico e a nossa herança natural. É necessária uma forte vontade para desmantelar todos os cartéis envolvidos no tráfico e comércio de marfim, incluindo medidas punitivas quando os infractores são encontrados”, disse o Director Regional do WWF para África Oriental e Austral, Niall O’Connor.
“Na minha recente visita ao Parque Nacional das Quirimbas, constatei que numa pequena área de concentração de elefantes, cerca de 85 elefantes foram abatidos nos últimos 14 meses. São elefantes adultos e jovens mortos indiscriminadamente. Os elefantes bebés ou jovens são abatidos em primeiro lugar, pois as mães ficam por perto e também são alvo fácil a abater. Isto tem tido um imenso impacto nas manadas e nos sobreviventes que perdem os adultos que têm a informação sobre os locais onde se encontra a água. A imagem é demasiado triste para ser descrita”, afirmou a Director Nacional do WWF em Moçambique, Helena Motta.
Dados do relatório do WWF divulgado em 2012 (Wildlife Crime Scorecard) e outros organismos internacionais indicam que Moçambique, para além de ser palco destes crimes, é também considerado um dos maiores corredores de marfim de elefantes e pontas de rinoceronte, com destino à Ásia.
Estima-se que com os 2500 elefantes abatidos ilegalmente nos últimos dois anos, o país perdeu em receitas para o Estado cerca de 12.321.428 dólares norte-americanos em taxas e sobretaxas para além de outros rendimentos multiplicativos típicos da indústria turística (acomodação, transporte e salários).
De acordo com um relatório da Convenção Internacional sobre Comércio das Espécies em Perigo (CITES), neste momento regista-se um grande declínio do número de elefantes, devido à acção dos caçadores furtivos.
Refira-se que no âmbito da petição levada a cabo pelo WWF a nível internacional, o Governo tailandês acaba de abolir a comercialização de todos os produtos feitos à base de marfim no seu território, o que se consubstancia como uma grande vitória contra a prática da caça furtiva, principalmente dos elefantes africanos, que são os que mais alimentam o mercado asiático.
“Ademais, a caça furtiva resulta em perdas humanas nas unidades de fiscalização e aumenta a insegurança nacional, com a possibilidade de as armas sofisticadas usadas pelos furtivos caírem em mãos de outros criminosos”, disse o Director de Conservação do WWF para a região da África Oriental e Austral, Dr. Taye Teferi.
Por seu turno, o gestor do programa de elefantes para África no WWF, Lamine Sebogo, disse que em 2011 registou-se o mais elevado volume de comércio de marfim em grande escala. Estes números revelam o envolvimento de redes do crime organizado, mas poucos casos foram investigados com devida rigorosidade.
O WWF tem vindo a apelar a toda a sociedade para que se envolva mais na protecção dos seus recursos naturais, em especial aqueles que são tão preciosos pelo seu valor natural e cultural e pelo seu estado de conservação. Notícias

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