quinta-feira, 25 de abril de 2013

Um olhar à distribuição da riqueza nacional

SR. DIRECTOR!

Sirvo-me deste meio para expressar as minhas análises sobre o processo no qual assenta a paz no nosso país. Se nalgum momento me perguntarem qual é o substrato pelo qual se circunscreve a paz, eu responderia sem margem de dúvida que é o bem-estar. Mas, o que é bem-estar? Para mim é o equilíbrio que uma nação estabelece por via de uma busca constante em harmonizar politicamente, socialmente e, sobretudo, economicamente as famílias moçambicanas.

Não se pode deixar despercebido que hoje, nesta sociedade tão avançada técnico e cientificamente, as dinâmicas económicas implicam ou moldam todas as implicâncias sociais e políticas. Sendo assim, o núcleo pelo qual é feita a gerência ou o controlo da riqueza nacional deve assentar principalmente numa tentativa de busca equilibrada da distribuição da nossa riqueza.
Não há nenhuma sociedade que resistiu a manifestações populares, a greves, protestos, ou mesmo ao eclodir e alastramento das guerras, se a gestão da economia (riquezas) não for equilibrada. Isto para dizer que em Moçambique a principal causa ou a natureza principal do não entendimento político é a ausência de um modelo de repartição dos recursos existentes, principalmente as descobertas recentes que, a meu ver, excluem a maioria da população nacional.
Fala-se que a repartição dos bens nacionais ou que o usufruir das nossas riquezas deve ser feito maioritariamente pelo povo moçambicano. Garanto-vos que isso ainda é uma utopia, ainda é um sonho por se realizar, talvez de hoje até 50 anos. Isto, porque numa sociedade imbuída num sistema capitalista existe sempre um padrão segundo o qual as implicações económicas favorecem sempre os mais ricos e os mais pobres (maioria) ficam sempre à mercê dos esbanjadores do dinheiro e assim estamos longe de se criar uma sociedade harmónica e, consequentemente, tentarmos buscar uma igualdade social.
De salientar que não se pode criar critérios de natureza equilibradora das inquietações sociais com uma comunidade de moçambicanos maioritariamente analfabeta, ou seja, não pode em nenhum momento haver uma harmonia na distribuição da nossa riqueza sem mentes educadas. Educadas para questionar ou terem uma vida participativa na forma como as nossas riquezas estão a ser feitas para que os mesmos antes de reflectirem melhor,  antes de partirem para a violência e ameaçarem a paz, façam uma busca consciente e sobretudo inteligente do destino necessário das nossas riquezas.
De referir que se Moçambique continuar a não apostar numa educação do cidadão capaz de levar o mesmo cidadão a ter uma vida participativa baseada numa inteligência das mentes, nunca o diálogo para a manutenção da paz terá efeito. Pois, o diálogo não pressupõe apenas a discussão dos interlocutores apenas com visões políticas, mas sim, pressupõe a estabelecer a relação existente entre a política e sociedade, tendo como fundamento destas a economia (repartição de bens). Pois o que os políticos, os economistas, os sociólogos, filósofos e os demais debruçam deve se fazer sentir nas mentes de quase todos os moçambicanos. Porém, isso não é possível sem uma educação abrangente e com estímulo participativo da forma como a nossa riqueza deve ser levada à causa necessária e certa.
Costumo afirmar que quem tenta enganar economicamente uma sociedade analfabeta e se essa achar que já não consegue sobreviver às circunstâncias, esse mesmo homem acaba sendo apedrejado. Quem tenta enganar um povo suficientemente alfabetizado, antes de sofrer revoltas dos mesmos, primeiro vai à mesa de discussões e pode ou não cair no acordo. Mas, quem é manifestado por um povo maioritariamente analfabeto cai sempre no descrédito, pois não há um diálogo possível com elementos de comunidades de visões diferentes.
Há que salientar que a formação de um recurso humano capaz de intervir activamente no processo da repartição da riqueza emergente em Moçambique não pode excluir os efeitos dinâmicos do mundo globalizante e do mundo globalizado, ou seja, ser analfabeto hoje não é apenas não sabermos ler ou escrever, mas também é não saber usar principalmente as tecnologias de informação e comunicação e ter isso em Moçambique a curto prazo garanto que ainda é uma utopia, mas sim, é possível iniciar com o projecto sem se esquecer da relação necessária que a prática tem para com as ciências teoréticas.
Ano pós ano vai-se buscar as fórmulas para a garantia da paz em Moçambique, mas a solução da mesma está na forma deficitária como a distribuição de riqueza está a ser empreendida.
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  • EMÍLIO ALBINO CHANIÇO

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