sexta-feira, 17 de maio de 2013

Cadê a solidariedade entre nós?!

SR. DIRECTOR!

Mais uma vez obrigado pela oportunidade que dá para publicar uma carta neste espaço do leitor. O ser humano é complicado! Tão complexo que nós não conhecemos nem 50 por cento daquilo que nós somos/de que é constituída a matéria humana, tanto a nível psicológico como espiritual! Por isso, ninguém está, ou devia estar em condições de/posição de julgar o outro!

Isto quando este falha/cai em qualquer que seja a situação, sem primeiro procurar perceber as circunstâncias, o contexto em que o nosso próximo se move/vive! Na verdade, o homem não aprendeu a apreciar o seu próximo como a si mesmo, não aprendeu a seguir a máxima bíblica já secularizada que diz: “ama o seu próximo como a si mesmo”. Quando o fazemos, é da boca para fora, são palavras vazias, palavras sem acção!
Quando alguém falha várias vezes, seja com relação à escola, ao trabalho, à família, à amizade, etc., o que recebe das pessoas à sua volta, sejam-lhe estas próximas ou não, na maior parte das vezes é zombaria, gozação, sorrisos disfarçados e murmúrios pelas costas. Ninguém procura saber do outro como ele está, quais as dificuldades que tem e se está a precisar de ajuda! A única coisa que as pessoas sabem fazer é julgar!
Não conseguimos ver a beleza do ser humano, a sua complexidade, a necessidade de aproximarmo-nos de nós mesmos para que nos conheçamos! Pelo contrário, preferimos nos estranhar, e pensar que eu sou melhor que aquele lá que passa a vida a falhar/chumbar nos testes, nos exames, sem ao menos parar um pouco para reflectir, se perguntar o que se passa com este meu companheiro, colega, e depois procurar ajudá-lo! Nestas situações/circunstâncias, é onde se vê a hipocrisia e cinismo das pessoas/ser humano em acção directa! É isto que tenho estado a constatar a partir de um cenário, “a faculdade”! Embora este mal afecte toda a sociedade! Na faculdade, ninguém está para ajudar a ninguém, cada um que se vire, é cada um por si e Deus por todos, vive-se muitas vezes um estado da natureza!
Se estás a sofrer, o problema é teu, se falhas, és alvo de gargalhadas, se estás a passar por uma crise pessoal ninguém quer saber, e logo, não terás nenhum apoio, ou consegues por si mesmo atravessar o deserto, e depois de muita luta sair vencedor, ou então, desistes, e no caso extremo suicidas-te, e no caso de suicídio, há quem pode ainda atrever-se a comentar, como se soubesse do assunto, como se te tivesse conhecido, que este é um fraco, que este é aquilo, é não sei o quê, que se fosse eu nunca teria cometido tamanha estupidez, enfim, cada um fala o que entende, mas sem saber que não sabem o que estão a falar! São os tais que, quando precisaste de uma mão, de um ombro amigo, fizeram de contas que nada viam, agiram como se não fosse com eles!
Mas hoje que jazes numa campa caiada, já sabem opinar desdenhosamente, criticando e julgando, falando como se fossem sabidos, quando na verdade são pessoas estultas! É isso, nós somos egoístas, a solidariedade não é connosco! No entanto, muitos vão sofrendo, incluindo nas faculdades, vão lutando contra um sistema social que lhes pressiona a ser vencedores e homens e mulheres de sucesso segundo os padrões do sistema capitalista-liberal, onde o que impera não é só a lei do mais forte, mas também a concorrência selvagem.
A tal concorrência predadora, onde os homens/as pessoas não só se medem pelos graus académicos que possuem (licenciado, mestre, doutor, etc.), mas também pelo tamanho e nível de rendimentos (salários, bónus, etc.) que auferem, ou seja, o que importa nos nossos dias é o ter do que o ser, é o dinheiro, o carro, o palácio, do que o próprio homem! E como a pressão vem de todos os lados, incluindo do único lugar que devia ser o nosso porto seguro, a família, a derrocada do indivíduo é inevitável, o chão vai-se, trememos, a insegurança instala-se, a seguir as paredes desabam e nós caímos, então, psicologicamente nos desfazemos, resultado: viramos farrapos humanos, tornamo-nos irreconhecíveis, até para nós mesmos! Nestes casos, em vez de ajuda, tentativa de compreensão, recebemos julgamentos, risadas! Em vez de sermos ajudados a sair do lago, eles ajudam-nos a afogar nestes lagos da incompreensão humana que nos cercam a todos! Desculpem-me pela dureza das palavras, mas somos isto… Notícias

Joel Hamba Jr.

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