quinta-feira, 16 de maio de 2013

Discurso político deve ser orientado para a paz - apela sociedade civil

O DISCURSO político deve ser orientado para a preservação da paz e da unidade nacional. Toda e qualquer manifestação violenta, com recurso a uma linguagem belicista, deve ser prontamente rejeitada por todos os cidadãos.

Este pronunciamento foi feito, sexta-feira, ao “Notícias”, por diversas individualidades da sociedade civil, a propósito do apelo lançado, no Parlamento, pelo Procurador-Geral da República no seu informe sobre a situação da justiça, sobre a necessidade de todos os moçambicanos, em geral, e os políticos, em particular, evitarem o discurso de guerra.
“Vamos retirar a palavra guerra do nosso dicionário”, afirmou Augusto Paulino, para depois exortar a todos os cidadãos para que juntos trabalhem na manutenção e consolidação da paz, içando a bandeira da paz.
“Quando estamos a içar a bandeira da paz e aparece alguém a baloiçar, ela não sai da base do mastro para o topo. Todos temos de lutar para que, continuamente, icemos a bandeira da paz”, disse. 
Debruçando-se sobre o que chamou de contenção verbal dos actores políticos no incitamento à violência, o Procurador-Geral da República indicou que a consolidação da paz, estabilidade do Estado e prevalência do primado da lei impõem-se, defendendo a superioridade dos princípios e normas constitucionais na observância da lei para o convívio e harmonia sociais.

Continuar a cultivar a paz – Dom Dinis Sengulane, bispo anglicano

Para o bispo anglicano Dom Dinis Sengulane, o apelo feito pelo Procurador-Geral da República na Assembleia da República constitui a outra forma de dizer “olá à paz”, no sentido de que todos os esforços dos moçambicanos devem se concentrar na sua preservação.
“Vejo o apelo do senhor Procurador-Geral da República como estando dentro do espírito do olá à paz. A grande fome dos moçambicanos é a paz. As nossas acções e gestos devem mostrar o nosso compromisso para com a paz. As famílias têm de continuar a ser a fábrica e a machamba da paz”, disse.
Para Dom Dinis Sengulane, devem ser considerados quatro factores fundamentais para a preservação e manutenção da paz no país. O primeiro é o diálogo, que deve ser permanente a todos os níveis. O segundo é a necessidade de se desarmarem as mentes, e nesta perspectiva, os artefactos de guerra devem estar fora das mãos de qualquer que seja o cidadão.
O Conselho Cristão de Moçambique, refira-se, está a desenvolver, há mais de 10 anos, um programa denominado “transformação das armas em enxadas”, que visa a recolha de artefactos de guerra em poder das comunidades. O programa tem logrado êxitos, numa experiência reconhecida e elogiada a nível internacional.
O terceiro factor apontado pelo bispo é a garantia de que todos os cidadãos participem nas eleições para a escolha dos seus dirigentes, e o quarto e último relaciona-se com a necessidade de cada moçambicano ser orgulhoso de si mesmo.
A propósito das eleições, Dinis Sengulane afirmou que elas são uma grande festa para a qual todos os moçambicanos são convidados. “Todos nós devemos participar nas eleições. Ninguém deve se excluir e nem ninguém tem o direito de impedir que os outros participem nelas”, apelou.
Sobre a criminalidade nas suas diversas formas, uma das grandes preocupações levantadas pelo Procurador-Geral da República no seu informe defendeu a necessidade de se continuar a trabalhar para que ela não seja parte da realidade moçambicana.
“O crime deve estar fora das nossas práticas”, disse.
Numa observação geral ao informe do PGR, Dom Dinis Sengulane afirmou que nem todas as sensibilidades poderiam ficar satisfeitas com o mesmo, realçando que o mais importante é que Augusto Paulino foi honesto e partilhou a sua experiência sobre o que se passa na área da administração da justiça.
“A justiça é uma área que diz respeito a todos nós”, indicou.

Afastar discursos violentos – Gulamo Tajú, sociólogo

Para o sociólogo Gulamo Tajú, o apelo do Procurador-Geral da República para se retirar a palavra guerra do dicionário é no sentido de que os discursos de incitação à violência devem ser afastados.
“O apelo do Procurador-Geral da República junta-se às vozes que clamam pela manutenção da paz no país”, disse, observando, contudo, que apesar de alguns discursos violentos proferidos por certos círculos políticos, “ainda não resvalámos para situações de grandes tensões”.
Indicou que um dos aspectos fundamentais para a estabilidade do país é a necessidade de todos os cidadãos se sentirem iguais em termos de oportunidades. Igualdade de oportunidades é um factor estabilizador, porém, cada um poderá usufruir delas de acordo com as capacidades que tem.
Gulamo Tajú observou que uma parte substancial do “barulho” que se verifica no país, sobretudo no domínio político, é justamente devido ao acesso às oportunidades. Elas devem ser colocadas à mesa, para que cada um possa delas se beneficiar segundo as suas capacidades.
Apelou para que as diferentes partes, os diferentes actores sociais trabalhem numa perspectiva nacionalista. Sublinhou que a questão económica é fundamental, não que todos os cidadãos sejam iguais uns aos outros, mas que todos se sintam na situação de poderem concorrer no quadro das oportunidades criadas.
Uma das questões colocadas por Gulamo Tajú, neste contexto, é que os grandes projectos negociados com multinacionais ou companhias estrangeiras devem contar com a participação do cidadão nacional. A título de exemplo, afirmou que a China era um país socialista, mas adoptou uma política de que os benefícios dos investimentos estrangeiros deviam ser repartidos a 50 por cento. Continue lendo aqui.

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