Em primeiro saúdo a vossa Excia. por ter aceite publicar este artigo na página dedicada aos leitores. Antes de entrar no cerne deste artigo, é preciso salientar que a greve ou reunião é um direito constitucional preconizado na nossa lei mãe no seu artigo 51: “Todos os cidadãos têm direito à liberdade de reunião e manifestação nos termos da lei.”
Posto isso, gostava de fazer algumas ilações sobre o cenário que temos estado a vivenciar quase que de forma consistente na nossa sociedade. O ano 2013 iniciou com uma situação que não vai se apagar facilmente da memória de muitos moçambicanos, falo concretamente da eclosão da greve dos médicos que durou mais de uma semana e que cessou algum tempo depois com o prévio acordo entre o Governo e a Associação Médica de Moçambique. Este cenário da greve trouxe consigo uma instabilidade na prestação dos diversos serviços de assistência sanitária entre outros cuidados da responsabilidade dos homens da bata branca. Tem-se verificado ao longo desses tempos que esse elemento de recorrer à greve parece estar a tomar contornos alarmantes, na medida em que qualquer meio de poder se fazer ouvir perante a quem é de direito a única forma tem sido a greve. Falo isso na medida em que para além dos médicos, vivenciamos constantemente manifestações vindas de seguranças de empresas privadas, paralisação de actividades por parte dos professores, o braço de ferro entre empresas de exploração mineira e camponeses/oleiros em Tete e até greve dos profissionais de cabine da companhia de transporte aéreo de bandeira nacional.
Não quero em nenhum momento com este artigo descredibilizar qualquer que sejam as reivindicações que dei exemplo anteriormente, quero apenas referir-me que o caminho mais adequado quando não há entendimento entre duas partes beligerantes é o diálogo com vista a se estabelecer uma solução. Num processo de negociação sempre existirão casos onde um das partes deve ceder à outra, e isto é que importa numa negociação e a via de consenso é o diálogo.
O nosso país não pode continuar a ser palco de sucessivas greves e ameaças a estabilidade social dos moçambicanos, porque os reflexos destes acontecimentos têm sido sentidos por parte daquele cidadão que nada tem a ver com estes impasses, e este inúmeras vezes é que fica prejudicado. O cidadão fica sem cuidados médicos porque o médico está em greve, são alunos que ficam sem aulas porque o professor não veio, estes são apenas alguns exemplos da repercussão nefasta que as greves em Moçambique têm trazido a sociedade nos últimos dias.
Quero desta forma apelar que antes de se pensar primeiro em fazer uma greve, que se olhassem para as consequências da mesma que por vezes são mais nefastas que as próprias reivindicações.
O mesmo apelo alastra-se a quem é de direito para que dentro do quadro legal e económico deste país encontre meios eficientes de resolver qualquer instabilidade porque uma das funções principais do Estado é a garantia da estabilidade social para todos.
Mais não disse! Notícias
- Dércio Ernesto J. Tsandzana
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