sábado, 11 de maio de 2013

Há que afastar argumentos para eclosão da guerra

SR. DIRECTOR!
 
A guerra em Moçambique terminou há mais de 20 anos. Os seus resultados foram um país devastado, milhares de mortos, uma população deslocada e esfomeada, e o país vive de ajudas distribuídas pela comunidade internacional.
 
O povo não pode pagar por uma guerra provocada por ambição desmedida de “alguns…” Falar e/ou escrever sobre “GUERRA” talvez seja uma das maneiras de fomentá-la (ou talvez não)…!?
Razão pela qual tão pouco gostaria de mencionar o assunto “GUERRA...”, mas perante a situação fiquei me questionando “afinal de contas… quais são os argumentos para a guerra”?
Talvez até possam existir, mas não para tanto… por mim as guerras já estão fora da moda…
Não se pode esgotar o diálogo para a preservação da paz; não se deve criar oportunidades de desentendimento para que se tenha a GUERRA como solução final.
É verdade que estamos num dos países mais pobres do mundo, mas não precisamos de mostrar a nossa pobreza até na nossa mentalidade, porque antes vale viver na dita pobreza que viver na guerra.
Ora, com a assinatura dos acordos de paz em Moçambique, em 1992, sentimos a paz e com ela descobrimos que é com a paz que há desenvolvimento. Difícil é entender como é que passados tantos anos de sossego alguns ainda sintam “saudades” de pegar em armas e voltar ao mato, ou seja, retardar o desenvolvimento que se está confirmando, não somente o desenvolvimento económico mas também o desenvolvimento no geral.
Está mais do que provado que, quanto mais riquezas forem descobertas no solo e subsolo moçambicano, e a sua distribuição não for equitativa, haverá um certo descontentamento no seio das comunidades e não só. A Renamo e o Governo, na minha opinião, deixaram claro que estavam à espera duma oportunidade para fazerem sentir as suas exigências, descarregando a sua raiva no povo, que é inocente, inofensivo e desprotegido. Sabemos de antemão que a questão do descontentamento da “perdiz” não se prende em participar ou não nas eleições que se avizinham, sendo que a falta de abertura para dialogar “politicamente” por parte do governo do dia alimenta de certa forma a ira da Renamo e do seu presidente, Afonso Dhlakama.
Para todos os partidos políticos sem excepção, reina um “cancro de ambição em enriquecimento”, onde imagino que dividir o país em dois possa estar na agenda ou nos planos do partido da “perdiz”, se por acaso um dia vir a ganhar as eleições, porque deixou bem claro que pretendia transferir a capital do país para Beira.  
É muito feio quando não se respeitam os direitos do povo em primeiro plano, ao ponto de massacrarem-no quando bem lhes apetece.
Em forma de ilustração, o ex-presidente americano George Bush e o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, aliados quando invadiram o Iraque, eclodindo desta forma a guerra que todo mundo se opunha, invocaram como motivos para a invasão o facto de este país estar a produzir e armazenar armamento químico. Hoje, ambos os países (americano e britânico) dizem-se envergonhados, pois admitem terem tido falsas informações dadas por um espião iraquiano ao serviço da CIA, sem, no entanto, admitir a real causa que os levou a ceifar vidas pela ambição desmedida que tinham. Isto já para não me referir à pouca vergonha que os franceses cometeram na Líbia.
Voltando ao nosso país, será mesmo que existem razões plausíveis para tamanha vergonha?
Considero vergonha pois não se pode justificar o facto de se matar gente inocente, que está farta e tão pouco quer ouvir falar de política, gente que anualmente vê o imposto lhe ser agravado, sendo que é obrigatório o seu pagamento sob certos riscos, mas que quando se trata de aumentar o salário mínimo as percentagens estão aquém de satisfazer as necessidades do trabalhador, e quando vem o tal aumento este situa-se muito abaixo relativamente ao aumento do imposto pessoal autárquico, exemplo (185,00Mt e 240,00Mt para as cidades de Maputo e Matola, respectivamente).
O povo quer viver sem medo, para que possa estudar e trabalhar para a progressão do país. Para tal não quer mais guerra. Notícias
 
  • Félix Mondlane

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