SR. DIRECTOR!
A guerra em Moçambique terminou há mais
de 20 anos. Os seus resultados foram um país devastado, milhares de
mortos, uma população deslocada e esfomeada, e o país vive de ajudas
distribuídas pela comunidade internacional.
O povo não
pode pagar por uma guerra provocada por ambição desmedida de “alguns…”
Falar e/ou escrever sobre “GUERRA” talvez seja uma das maneiras de
fomentá-la (ou talvez não)…!?
Razão pela qual tão pouco gostaria
de mencionar o assunto “GUERRA...”, mas perante a situação fiquei me
questionando “afinal de contas… quais são os argumentos para a guerra”?
Talvez até possam existir, mas não para tanto… por mim as guerras já estão fora da moda…
Não
se pode esgotar o diálogo para a preservação da paz; não se deve criar
oportunidades de desentendimento para que se tenha a GUERRA como solução
final.
É verdade que estamos num dos países mais pobres do mundo,
mas não precisamos de mostrar a nossa pobreza até na nossa mentalidade,
porque antes vale viver na dita pobreza que viver na guerra.
Ora,
com a assinatura dos acordos de paz em Moçambique, em 1992, sentimos a
paz e com ela descobrimos que é com a paz que há desenvolvimento.
Difícil é entender como é que passados tantos anos de sossego alguns
ainda sintam “saudades” de pegar em armas e voltar ao mato, ou seja,
retardar o desenvolvimento que se está confirmando, não somente o
desenvolvimento económico mas também o desenvolvimento no geral.
Está
mais do que provado que, quanto mais riquezas forem descobertas no solo
e subsolo moçambicano, e a sua distribuição não for equitativa, haverá
um certo descontentamento no seio das comunidades e não só. A Renamo e o
Governo, na minha opinião, deixaram claro que estavam à espera duma
oportunidade para fazerem sentir as suas exigências, descarregando a sua
raiva no povo, que é inocente, inofensivo e desprotegido. Sabemos de
antemão que a questão do descontentamento da “perdiz” não se prende em
participar ou não nas eleições que se avizinham, sendo que a falta de
abertura para dialogar “politicamente” por parte do governo do dia
alimenta de certa forma a ira da Renamo e do seu presidente, Afonso
Dhlakama.
Para todos os partidos políticos sem excepção, reina um
“cancro de ambição em enriquecimento”, onde imagino que dividir o país
em dois possa estar na agenda ou nos planos do partido da “perdiz”, se
por acaso um dia vir a ganhar as eleições, porque deixou bem claro que
pretendia transferir a capital do país para Beira.
É muito feio quando não se respeitam os direitos do povo em primeiro plano, ao ponto de massacrarem-no quando bem lhes apetece.
Em
forma de ilustração, o ex-presidente americano George Bush e o
ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, aliados quando invadiram o
Iraque, eclodindo desta forma a guerra que todo mundo se opunha,
invocaram como motivos para a invasão o facto de este país estar a
produzir e armazenar armamento químico. Hoje, ambos os países (americano
e britânico) dizem-se envergonhados, pois admitem terem tido falsas
informações dadas por um espião iraquiano ao serviço da CIA, sem, no
entanto, admitir a real causa que os levou a ceifar vidas pela ambição
desmedida que tinham. Isto já para não me referir à pouca vergonha que
os franceses cometeram na Líbia.
Voltando ao nosso país, será mesmo que existem razões plausíveis para tamanha vergonha?
Considero
vergonha pois não se pode justificar o facto de se matar gente
inocente, que está farta e tão pouco quer ouvir falar de política, gente
que anualmente vê o imposto lhe ser agravado, sendo que é obrigatório o
seu pagamento sob certos riscos, mas que quando se trata de aumentar o
salário mínimo as percentagens estão aquém de satisfazer as necessidades
do trabalhador, e quando vem o tal aumento este situa-se muito abaixo
relativamente ao aumento do imposto pessoal autárquico, exemplo
(185,00Mt e 240,00Mt para as cidades de Maputo e Matola,
respectivamente).
O povo quer viver sem medo, para que possa estudar e trabalhar para a progressão do país. Para tal não quer mais guerra.
Notícias
- Félix Mondlane
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