quarta-feira, 1 de maio de 2013

Suíça ainda silenciosa sobre novas acusações contra personalidades angolanas

Relatório sobre corrupção foi também entregue aos Estados Unidos

João Santa Rita

As autoridades suíças ainda não se pronunciaram sobre o pedido feito por organizações anticorrupção para a reabertura de uma investigação judicial ao alegado desvio de fundos de milhões de dólares para dirigentes angolanos, incluindo o presidente José Eduardo dos Santos.
Segundo os investigadores a decisão poderá ser anunciado num espaço de seis a oito semanas desde a entrega da queixa na Procuradoria-Geral federal Suíça no passado dia 12 de Abril.
Nesse mesmo dia uma queixa foi também entregue na Procuradoria-Geral da República de Angola para um a investigação no mesmo sentido.
O caso não é novo pois foi arquivado em Abril de 2005 por falta de provas, mas um relatório agora elaborado pela organização “Corruption Watch” e pela Associação Mãos Livres detalha agora mais pormenores da alegada fraude que terá beneficiado o presidente angolano José Eduardo dos Santos em 36.250.000 dólares, o embaixador angolano Elísio Figueiredo em 17.557.000 dólares, o antigo director geral da SONANGOL e ministro da Indústria Joaquim Duarte da Costa David em 13,250,000 dólares, o director geral da Sonangol José Paiva da Costa Castro em 4,465,000 dólares e José Leitão da Costa e Silva, ministro do Gabinete da presidência de Angola em 3,358,000 dólares.

http://static.publico.pt/DOCS/Mundo/The-Corrupt-Debt-Deal-PT.pdf

Milhões de dólares foram transferidos através de bancos baseados na Suíça, Luxembrugo, Chipre, Holanda, Ilhas Virgens britânicas e a Ilha de Man para beneficio dessas figuras angolanas e também russas.
A investigação fornece pormenores de uma vasta teia de transacções financeiras envolvendo uma dívida original de cinco mil milhões de dólares à União Soviética que foi reduzida pela Rússia para 1,5 mil milhões de dólares.
Uma companhia Abalone Investments, foi especialmente formada para receber os pagamentos e registada na Ilha de Man.
A Abalone era propriedade de dois homens conhecidos pelos seus negócios com Angola, nomeadamente Arcadi Gaydamak e Pierre Falcone que abriram uma conta no banco suíço UBS. Falcone e Gaydamalk foram investigados e condenados em frança não neste caso mas no caso da venda de armas em 1993 e 1994 ao governo angolano. As suas penas foram reduzidas num recurso em PRIS EM 2011 E Angola concedeu a Falcone um passaporte diplomático.
Gaydamak não foi presos e nunca mais terá voltado a França e provavelmente vive na Rússia e Israel. Entre Outubro de 1997 e Julho de 2000 Angola transferiu 774 milhões de dólares para as contas da Abalone junto do banco UBS. Gaydamak terá embolsado 138 milhões e Falcone 124 milhões. Essa conta foi usada para pagar 3 milhões e 350 mil dólares a José Leitão.
Uma transferência de 618 milhões de dólares foi feita para um banco em Chipre por a pedido de Gaydamak e esse dinheiro, juntamente com o anteriormente transferido para as contas da UBS deveria ter pago totalmente a divida angolana o que não aconteceu.
O relatório foi entregue na semana passada aqui em Washington ao Departamento de Estado, ao Fundo Monetário Internacional e a uma comissão de investigação do Senado.
O antigo embaixador angolano em Genebra Adriano Parreira fez parte da delegação a convite da Corruption Watch. Ele falou á Voz da América sobre o caso. Voz da América

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