terça-feira, 11 de junho de 2013

Impacto da ajuda externa nas políticas do país

SR. DIRECTOR!

Caros leitores! Sociologicamente tentarei debruçar-me em torno deste tema que muito tem inquietado o povo moçambicano, particularmente a sociedade civil, académicos, entre outros.

Moçambique é um dos países que se tem se beneficiado de notáveis fluxos de ajuda externa, em contrapartida esta ajuda não se reflecte em termos de desenvolvimento do mesmo, muito pelo contrário, o país continua sendo um dos mais pobres do mundo, isto é, a pobreza ainda persiste, a subalimentação, carências de saúde, emprego, continuam sendo uma “pedra no sapato” de quase metade da população.
Contudo, na minha óptica, a questão da ajuda externa é extremamente preocupante porque o país tornou-se cativo dela, e essa situação condiciona para que haja um rapto da liberdade social, política, cultural e económica do povo, porque a dependência passa pela dominação, isto é, a influência dos doadores nos diversos níveis de tomada de decisão no país.
Portanto, percebo que o país é altamente receptivo, permeável e frágil, razão pela qual vários imigrantes olham para Moçambique como um El dorado, cidade mágica, um ponto estratégico onde eles podem viver, desenvolver várias actividades e enriquecer sem muitos problemas. E essa fragilidade e permeabilidade que o país tem farão com que daqui a alguns anos desapareça o termo “estrangeiro” entre nós, ou então, o povo moçambicano transformar-se-á em estrangeiro no seu próprio país. É claro que tenho a consciência da importância da ajuda externa e acredito que a questão não está na ajuda em si, mas sim na modalidade em que essa ajuda é feita.
De acordo com Macamo (2005), salienta que a noção de ajuda estrutura as relações entre países. No caso vertente, estas relações se estruturam em dois sentidos: no primeiro sentido, a ajuda em si define o lugar dos que ajudam os “países desenvolvidos”, por outro lado dos que são ajudados, os países subdesenvolvidos. Esta constatação tem implicações profundas, na medida em que aqueles que ajudam lhes são reconhecida uma aptidão especial para lidar com o mundo, são-lhes reconhecidas formas superiores de organização social, política e económica. Parte-se do pressuposto de que o êxito lhes dá razão, se as suas formas de organização não fossem superiores reconhecida essa aptidão para lidar com o mundo, as suas formas de organização são inferiores. Aliás, a sua condição de necessitados é a prova dessa inaptidão. Ser ajudado passa então a constituir um atestado de incapacidade.
Contudo, percebo que apesar de ser de uma forma diferente e estranha, a ajuda externa tem desenvolvido este país, porque tem se verificado uma evolução a nível social, político e económico, mas essa evolução é visível numa pequena classe de pessoas privilegiadas, em detrimento das não privilegiadas. No entanto, apelaria que os mecanismos de promoção da cidadania fossem acautelados pelo Estado, não simplesmente porque o cidadão é alguém residente no país tem direitos e deveres, mas também porque esse cidadão é humano, tem sensibilidades. Está claro que dificilmente este país competirá com alguns na arena internacional em termos de desenvolvimento, mas há necessidade de adopção de políticas que beneficiem a todos e não uma pequena parte da população, porque se o desafio das nações é o alcance dos objectivos e metas do desenvolvimento do milénio é importante que as políticas sejam feitas olhando para a realidade de cada país e o caso de Moçambique não deve ser excepção, isto é, as políticas e estratégias de desenvolvimento devem ser adoptados olhando para a realidade do povo moçambicano e não do povo ocidental. E se ainda esse cenário continuar, estará a comprovar a ideia de Macamo (2010), quando afirma que o problema da pobreza está patente nos discursos políticos, isto é, a filosofia política é que obriga com que haja uma eliminação total da pobreza.
Mas cá entre nós, nem tudo está perdido, porque o país ainda mantém elevadas taxas de crescimento do PIB e baixas taxas de inflação. No entanto, sem exageros, existe um interesse na redução e eliminação da pobreza mas o seu impacto suscita dúvidas, porque com todo o respeito caros políticos entre vós, com excepção de alguns, desapareceu a ideia do dever político. Por onde anda o dever político? Será que também foi raptado? Se assim for o povo moçambicano agradecia que o resgatassem porque pouco a pouco, sem nos apercebermos, estaremos a hipotecar o futuro do país. Notícias

  • Angelina Barros

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