quinta-feira, 20 de junho de 2013

Um apelo à preservação da paz no país

SR. DIRECTOR!

Agradeço que publique este artigo na página do vosso jornal reservada aos leitores. O país vive nos últimos meses um clima de instabilidade e incerteza políticas, resultantes de vários factores, um dos quais é a intolerância política.


A falta de diálogo ou o diálogo feito já com ideias pré-concebidas dos resultados tem como consequência o endurecimento de posições entre as partes envolvidas e como ninguém está preparado para perder ou sacrificar o seu orgulho mesmo que isso seja em prol do bem-estar da maioria – o povo moçambicano - podemos sair todos a perder. O diálogo ou negociações como cada um queira chamar é uma plataforma onde cada interveniente deve estar preparado para ganhar algo, mas também para perder‚ mesmo que seja o seu ego. O resultado do diálogo para os intervenientes directos pode ser aquilo que se diz 50/50 mas o povo moçambicano, que na sua maioria pode não ter os seus interesses representados por nenhum dos interesses dos intervenientes directos neste processo ou não se simpatiza com as acções de qualquer um dos intervenientes, sairá a ganhar em 100 porcento.
O povo em muitas ocasiões é abusado porque cada um tem a ousadia de sair e falar em seu nome, mas acredito que tanto de um lado como do outro este poderia dizer não me simpatizo com esta ou aquela atitude deste ou daquele líder ou partido político. O povo é tão inocente que mesmo que alguém saia para fazer guerra em seu nome‚ dificilmente poderá reclamar porque qualquer pessoa pode dar voz ao povo e agir em seu nome. O povo, em última análise, sairá a perder e a sofrer porque enquanto os que tomam decisão de entrar na guerra estão nos gabinetes com ou sem ar condicionado‚ cada soldado ou combatente que receberá ordens para fazer guerra é filho/a de alguém‚ marido ou esposa de alguém e a morte de cada filho/a do nosso povo vai trazer mais órfãos‚ viúvas/os por uma guerra que pode ser evitada e isso devia causar peso de consciência aos líderes políticos.
Todos quando fazem guerra dizem que estão a lutar pelo povo, mas o mais caricato é que quando chegam ao poder poucas vezes lembram-se desse povo pelo qual lutam. Podemos afirmar que quando os lutadores pelo povo chegam ao poder‚ o poder corrompe-lhes até as unhas e esquecem-se da causa principal pela qual lutaram e pensam apenas nas suas contas bancárias e nos seus bolsos. O povo fica em último lugar.
O Dr. Eduardo Mondlane‚ arquitecto da unidade nacional diz no seu livro Lutar por Moçambique: a guerra é uma medida extrema de acção política, que tende a produzir transformações sociais…Não escolhemos a guerra como nosso caminho para a independência. Forçaram-nos à guerra. Mondlane estava coberto de toda a razão porque naquela época histórica‚ e com o colonialismo que nós tivemos em Moçambique‚ o único caminho que restava ao povo moçambicano para reclamar o seu direito à independência‚ era a luta armada. Porém‚ no processo de produzir as transformações sociais preconizadas no projecto de libertação da terra e dos homens‚ alguns dos seus sucessores esqueceram-se do povo. A verdade é que aquele cidadão que alguns dirigentes tem coragem de chamar analfabeto porque não estudou ou estudou pouco e não tem condições para educar seus filhos‚ não tem meios para subir na vida‚ pode ser condenado a ser pobre para sempre. Não é este afinal o povo pelo qual lutaram? E este é o mesmo povo que os outros estão tentando defender e ao chegarem no poder‚ com muita facilidade pode ficar relegado para o segundo plano e reinar a ambição e os interesses políticos‚ pessoais e as contas bancárias dos líderes.
A guerra‚ independentemente das razões que estão por detrás do seu desencadeamento‚ nunca foi boa. Como dizia Benjamim Franklim, um dos pais da independência dos Estados Unidos da América no fim da guerra de independência daquele país em 1783 - desejo que nunca mais voltemos a conhecer a guerra; Pois, a meu ver, nunca houve boa guerra nem má Paz.  
Será que em Moçambique esquecemo-nos tão rapidamente dos efeitos da guerra? Será que não compreendemos até que ponto é que estamos querendo voltar a empurrar o nosso país para o abismo? Mesmo os Estados Unidos que têm uma das melhores indústrias bélicas no mundo‚ poucas vezes ou quase nunca‚ no último século tiveram guerra dentro das suas fronteiras. Eles são bons em fazer guerra para defenderem os seus interesses fora dos EUA, mas melhores ainda em manterem a Paz dentro das suas fronteiras. O que alimenta a guerra‚ é a própria guerra‚ daí que não se pode subestimar nenhum exército por mais pequeno que pareça porque tem tantas possibilidades quanto aquele que parece grande.
A guerra de libertação nacional‚ segundo a história oficial‚ foi iniciada com 250 homens (guerrilheiros da FRELIMO) e não sei quantos homens tinha o exército colonial, mas a história mostra claramente que a vitória não foi determinada pelos números na hora do início mas no fim. A guerra é má e tão cruel…um mal que sempre que possível‚ deve ser evitado a todo o custo. Aqueles que amam o povo‚ este maravilhoso povo moçambicano‚ então devem fazer tudo para evitar sacrificar os filhos do nosso povo porque, em última análise, terão que sentar de novo e conversar e produzir acordos.
Neste momento em Moçambique‚ é possível entrar em acordo antes mesmo de se derramar mais sangue. Procurem de todas as formas evitar a guerra porque não existe uma boa guerra nem uma má Paz.
Com a mais elevada estima e consideração por todos! Notícias

  • Maurício S. Mugunhe

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