Falar do Plano Curricular do Ensino Superior em Moçambique, é o mesmo
que falar dos currículos dos níveis primário e secundário, que têm como
objectivo dotar o graduado de competências necessárias para a
satisfação das exigências do mercado de trabalho. Tudo isto, ele aprende
dentro dum espaço de ensino-aprendizagem (escola ou universidade),
sendo o professor a figura chave para a mediação dos conhecimentos, os
quais media-os através de diversas estratégias tais como: trabalhos para
casa, avaliações (oral e escrita) e trabalhos de investigação, sendo
que alguns destes são apresentados na sala de aulas em forma de
seminário.
Em relação ao seminário, como uma estratégia de
ensino/aprendizagem, ele é um método que consta quer do plano analítico
quer do plano de aulas da maior parte dos docentes do ensino superior em
Moçambique e que, pela sua natureza, quando bem aplicado, evidentemente
dota os estudantes de capacidades que possam ser úteis, tanto nas
comunidades de onde são oriundos, como na vida profissional ou ainda em
ambiente de trabalho.
Parafraseando Moreira at all (1997) o
seminário constitui a primeira manifestação daquilo que se
convencionou chamar de métodos activos, calcados na actividade e acção
intelectual do aluno sobre o objecto da aprendizagem.
De facto, o
seminário constitui um dos métodos activos no processo de
ensino-aprendizagem, porque o estudante se torna centro de produção de
conhecimento, enquanto ao professor apenas lhe compete os papéis de
orientador, mediador e facilitador. Por conseguinte, com a adopção desta
prática por parte dos docentes, como uma estratégia de ensino-
aprendizagem, e posterior concretização por parte dos estudantes do
ensino superior, estaríamos a enveredar por aquilo que as escolas
moçambicanas ultimamente tendem a adoptar, a pedagogia construtivista,
esta que se opõe à pedagogia tradicional implementada outrora, e que até
à actualidade tem sido abraçada na sua íntegra por alguns docentes
universitários, na sala de aulas, onde acham que são mero detentores de
conhecimento, são agentes activos, considerando de modo implícito os
estudantes como tábuas rasas.
Com efeito, se assim for, os
estudantes não estarão aprender a aprender, isto é, estarão isentos da
produção do conhecimento que os docentes tanto querem que eles produzam.
As
aulas de seminário são pertinentes para os estudantes do ensino
superior em Moçambique porque constituem uma forma de prepará-los para a
investigação de qualquer tema integrante duma dada área científica.
Além
de preparar os estudantes para a investigação, as aulas de seminário,
quando bem aplicadas, no ensino superior revelam-se pertinentes porque
desenvolvem a competência oral dos estudantes, uma vez que ela
(competência oral) é o “saber falar” e constitui um dos requisitos para
a integração do graduado de uma classe /nível ou ciclo de estudos no
mercado de emprego.
A prática de seminário pelos estudantes do
ensino superior constitui uma das estratégias ou métodos eficazes e
modernas para a partilha de conhecimentos, atitudes e experiências entre
estudantes, mesmo entre os estudantes e o docente, tendo em conta que a
maior parte das turmas das universidades do nosso país são
multiculturais e multilingues, onde encontramos estudantes
provenientes de contextos socioculturais e linguísticos variados. Às
vezes, durante a prática de seminário, vão transmitindo as experiências
da sua realidade sociocultural e isso, certamente torna a aula
bastante relevante, interessante e produtiva, contribuindo assim para a
aprendizagem por parte do docente de certos aspectos socioculturais e
linguísticos da comunidade de onde os estudantes são oriundos, uma vez
que cada comunidade apresenta características peculiares que a
identificam.
Sacristán e Gomez (1998) consideram a vida na sala de
aulas como um sistema social que manifesta as seguintes
características: multidimensio-nalidade e simultaneidade.
Embora a
citação acima esteja inserida no modelo ecológico na sala de aulas,
penso que também se adequa às aulas de seminário, pois, quanto mais
aberto e multidimensional for o sistema de interacção entre os
intervenientes no processo de ensino-aprendizagem durante as aulas de
seminário, maior é a probabilidade do desenvolvimento da atitude crítica
e reflexiva por parte dos estudantes e é o que está plasmado nos
currículos de diferentes níveis de ensino em Moçambique, ou seja,
espera-se que o graduado no fim de uma classe/nível ou ciclo de
aprendizagem tenha uma atitude crítica e reflexiva.
Em conclusão,
gostaria de ressaltar que as aulas de seminário, quando bem orientadas e
praticadas pelos principais intervenientes no processo de ensino-
aprendizagem (professor e estudante), revelam-se de extrema importância
porque respondem àquilo que são os desafios da educação em Moçambique,
assentes em quatro pilares importantes:
- Saber ser, onde o estudante
formado seja capaz de produzir conhecimento a partir de si, fazer
juízos de valor e desenvolver atitude crítica e reflexiva;
- Saber
conhecer, que é uma educação para aprendizagem eficaz e constante de
conhecimentos sólidos, e aquisição de instrumentos precisos para
compreensão, interpretação dos fenómenos políticos, económicos e
sociais;
- Saber fazer, que o formado tenha qualificação pessoal
sólida, espírito empreendedor para que ele acompanhe as tendências de
transformação do mercado, visto que os nossos mercados de trabalho estão
em constantes mudanças, mudanças estas que acompanham paralelamente o
desenvolvimento científico e tecnológico;
- Saber viver junto e com
os outros, entra em jogo o respeito próprio ou auto-respeito, respeito
da família e outras pessoas de comunidades, culturas e religiões
diferentes. Diário de Moçambique
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFRICAS
GIL, A. Carlos. Metodologia do Ensino Superior. 4ª edição. São Paulo: Atlas, 2009.
LAKATOS, E.M e MARCONI, M. A. Metodologia Cientifica. São Paulo: Atlas, 1992.
MOREIRA, D. Augusto (Org.). Didáctica do Ensino Superior: Técnicas e Tendências. São Paulo: Pioneira, 2003.
SACRISTÁN, J. Gimeno. O Currículo: uma reflexão sobre a prática. 3ª ed. Porto Alegre: ArtMed, 2000.
SACRISTÁN, J. Gimeno & GOMEZ, A.I Perez. Compreender a transformar o ensino. 4 ª ed. Porto Alegre: ArtMed. 1998.
SEVERINO, António Joaquim. Metodologia do trabalho científico. 22ª ed. São Paulo: Cortez, 2002.
*Docente da Universidade Pedagógica – Beira (Curso de Português), mestrando em Ensino de Português
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