quinta-feira, 18 de julho de 2013

A pertinência da prática de seminário pelos estudantes do ensino superior em Moçambique

Falar do Plano Curricular do Ensino Superior em Moçambique, é o mesmo que falar dos currículos dos níveis primário e secundário, que têm como objectivo dotar o graduado de competências necessárias   para a satisfação das exigências do mercado de trabalho. Tudo isto, ele aprende dentro dum espaço de ensino-aprendizagem (escola ou universidade), sendo o professor a figura chave para a mediação  dos conhecimentos, os quais media-os através de diversas estratégias tais como: trabalhos para casa, avaliações (oral e escrita) e trabalhos de investigação, sendo que alguns destes são apresentados na sala de aulas em forma de seminário.
Em relação ao seminário, como uma estratégia de ensino/aprendizagem, ele é um método que consta quer do plano analítico quer do plano de aulas da maior parte dos docentes do ensino superior em Moçambique e que, pela sua natureza, quando bem aplicado, evidentemente dota os estudantes  de  capacidades   que  possam ser úteis, tanto nas comunidades  de onde são oriundos, como na vida profissional ou ainda em ambiente de trabalho.
Parafraseando Moreira at all (1997) o seminário constitui a  primeira manifestação  daquilo que se convencionou chamar de métodos activos, calcados na actividade e acção intelectual do aluno sobre o objecto da aprendizagem.
De facto, o seminário constitui um dos métodos activos no processo de ensino-aprendizagem, porque o estudante se torna centro de produção de conhecimento, enquanto ao professor apenas lhe compete os papéis de orientador, mediador e facilitador. Por conseguinte, com a adopção desta prática por parte dos docentes, como uma estratégia de ensino- aprendizagem, e posterior concretização por parte dos estudantes do ensino superior, estaríamos a enveredar por aquilo que as escolas moçambicanas ultimamente tendem a adoptar, a pedagogia construtivista, esta que se opõe à pedagogia tradicional implementada outrora, e que até à actualidade tem sido abraçada na sua íntegra por alguns docentes universitários, na sala de  aulas, onde acham que são mero detentores de conhecimento, são agentes activos, considerando de modo implícito os estudantes como tábuas rasas.
 Com efeito, se assim for, os estudantes não estarão aprender a aprender, isto é, estarão isentos da produção do conhecimento que os docentes tanto querem que eles produzam.
As aulas de seminário são pertinentes para os estudantes do ensino superior em Moçambique porque constituem uma forma de prepará-los para a investigação de qualquer tema integrante duma dada área científica.
Além de preparar os estudantes para a investigação, as aulas de seminário, quando bem aplicadas, no ensino superior revelam-se pertinentes porque desenvolvem a competência oral  dos estudantes, uma vez que ela (competência oral)  é o “saber falar” e constitui um dos requisitos para a integração do graduado de uma classe /nível ou ciclo de estudos no mercado de emprego.
 A prática de seminário pelos  estudantes do ensino superior constitui uma das estratégias ou métodos eficazes e modernas para a partilha de conhecimentos, atitudes e experiências entre estudantes, mesmo entre os estudantes e o docente, tendo em conta que a maior parte das turmas das universidades do nosso país são multiculturais e multilingues, onde  encontramos estudantes   provenientes de contextos socioculturais e linguísticos variados. Às vezes, durante a prática de seminário, vão transmitindo as experiências da sua realidade sociocultural e isso, certamente  torna a aula  bastante relevante, interessante e produtiva, contribuindo assim para a aprendizagem por parte do docente de certos aspectos socioculturais e linguísticos da comunidade de onde os estudantes são oriundos, uma vez que cada comunidade apresenta características peculiares que a identificam.
Sacristán e Gomez (1998) consideram a vida na sala de aulas como um sistema social  que manifesta as seguintes características: multidimensio-nalidade e simultaneidade.
Embora a citação acima esteja inserida no modelo ecológico na sala de aulas, penso que também se adequa às aulas de seminário, pois, quanto mais aberto e multidimensional for o sistema de interacção entre os intervenientes no processo de ensino-aprendizagem durante as aulas de seminário, maior é a probabilidade do desenvolvimento da atitude crítica e reflexiva por parte dos estudantes e é o que está plasmado nos currículos de diferentes níveis de ensino em Moçambique, ou seja, espera-se que o graduado no fim de uma classe/nível ou ciclo de aprendizagem tenha uma atitude crítica e reflexiva.
Em conclusão, gostaria de ressaltar que as aulas de seminário, quando bem orientadas e praticadas pelos principais  intervenientes no processo de ensino- aprendizagem (professor e estudante), revelam-se de extrema importância porque respondem àquilo que são os desafios da educação em Moçambique, assentes em quatro pilares importantes:
- Saber ser, onde o estudante formado seja capaz de produzir conhecimento a partir de si, fazer juízos de valor e desenvolver atitude  crítica  e reflexiva;
- Saber conhecer, que é uma educação para aprendizagem eficaz e constante de conhecimentos sólidos, e aquisição de instrumentos precisos para compreensão, interpretação dos fenómenos políticos, económicos e sociais;
- Saber fazer, que o formado tenha qualificação pessoal sólida, espírito empreendedor para que ele acompanhe as tendências de transformação do mercado, visto que os nossos mercados de trabalho estão em constantes mudanças, mudanças estas que acompanham paralelamente o desenvolvimento científico  e tecnológico;
- Saber viver junto e com os outros, entra em jogo o respeito próprio ou auto-respeito, respeito da família e outras pessoas de comunidades, culturas e religiões diferentes. Diário de Moçambique
   
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFRICAS

GIL, A. Carlos. Metodologia do Ensino Superior. 4ª edição. São Paulo: Atlas, 2009.
LAKATOS, E.M e MARCONI, M. A. Metodologia Cientifica. São Paulo: Atlas, 1992.
MOREIRA, D. Augusto (Org.). Didáctica do Ensino Superior: Técnicas e Tendências. São Paulo: Pioneira, 2003.
SACRISTÁN, J. Gimeno. O Currículo: uma reflexão sobre a prática. 3ª ed. Porto Alegre: ArtMed, 2000.
SACRISTÁN, J. Gimeno & GOMEZ, A.I Perez. Compreender a transformar o ensino. 4 ª ed. Porto Alegre: ArtMed. 1998.
SEVERINO, António Joaquim. Metodologia do trabalho científico. 22ª ed. São Paulo: Cortez, 2002.

*Docente da Universidade Pedagógica – Beira (Curso de Português), mestrando em Ensino de Português

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