O líder da Renamo, num acto de generosidade sem precedentes, acaba de
anunciar que ordenou aos seus homens um cessar-fogo porque“...não gostou
das imagens de televisão mostrando uma senhora ferida e chorosa numa
carrinha de caixa aberta”, segundo o jornal “Savana” do dia 05.07.13, na
sua página 2.
Pode enganar aos incautos, mas nunca a um cidadão
atento: não foram, de forma nenhuma, os motivos que Dhlakama elenca que o
fizeram cessar o fogo. Ele percebeu, como perceberia qualquer estratega
militar – e até dos piores – que o cerco está a fechar e a paciência a
esgotar-se por parte do Governo. Portanto, o medo de tombar diante da
possibilidade de um ataque fulminante das forças governamentais no qual
poderia perder a vida foi a maior razão desse recuo.
De facto,
Dhlakama percebeu que tinha se excedido nas suas atitudes, que tinha
gente do povo questionando o porquê de não “solucionar o problema de uma
vez por todas” (escuso-me de referenciar o significado deste
solucionar, por demais óbvio). Havia correntes que questionavam a
paciência e tolerância do Governo em deixar impune o líder da Renamo,
quando o mesmo Governo tinha a localização exacta de onde ele estava e
podia, por assim dizer, capturar o homem vivo ou morto.
Não se
engane, portanto, quem pensa que quem mata não teme a morte. Estudos
mostram que estes, refira-se, são os que têm maior pavor da morte e
Dhlakama é, por isso, um exemplo flagrante desse temor desmedido. Aliás,
o “Savana”, que nós citamos acima, partilha na sua reportagem, na já
citada página 2 in fine, que “de fonte segura, o Savana apurou à
posterior que esta situação de tensão e possibilidade de uma ofensiva
militar governamental determinou o convite, endereçado durante o
fim-de-semana, aos editores moçambicanos e a ‘luz verde’ para a visita
do OE”.
Portanto, não sou eu o único com certeza de que Dhlakama não
pensou em ninguém, senão nele mesmo e na sua própria vida. Até porque,
quando diz que a solução Savimbi não resolveria o problema, está a
deixar claro e notório que o que lhe assusta é o espectro da morte e, cá
entre nós, diríamos que podia não ser a solução de todo o problema, mas
seria um problema a menos: o Dhlakama, mal acostumado e mimado que
abusa constantemente da nossa paciência e boa-fé.
Que fique, pois,
claro que não há altruísmo na atitude do líder da Renamo, há sim, uma
manifestação clara e cobarde de medo das garras da morte e de manifesto
egoísmo, próprio de pessoas como ele: pouco sérias e que não se
preocupam com o bem jurídico primário que é a vida quando a mesma reside
fora do seu corpo. Aliás, ao assumir que foi o mandante dos ataques, os
quais justifica como “forma de pressão”, citando o mesmo jornal,
mostra, exactamente que para ele o POVO NÃO PASSA DE MEIO PARA ELE
ATINGIR SEUS FINS EGOÍSTAS.
Demonstra Dhlakama, com esta atitude, um
manifesto desprezo pela vida humana e pelo povo que ele diz amar.
Demonstra também que o mato, lugar para onde ele foi, é onde deveria
ficar. Dito de outro modo: se alguém, findos 21 anos na cidade, não
consegue adaptar-se ao convívio com os demais, é justo que se diga que
merece o isolamento. Portanto, Dhlakama estava preso entre pessoas
normais e que pautam pelo diálogo para resolver diferendos. Estava preso
entre humanos e, por isso, os seus instintos primários levaram-no para o
mato, lugar onde pode dar vazão ao que lhe é intrínseco: a selvajaria, o
roubo descarado e a violência miserável e cobarde.
Quando o
Presidente Guebuza disse que sempre esteve disposto a conversar com
Dhlakama e este é o que sempre se esquivava, talvez os cépticos agora
lhe darão razão neste momento em que o líder da Renamo deveria mostrar
igual disposição, mas enceta uma fuga para frente, impondo condições.
Fica
claro, nesta imposição de condições, que a Renamo pretende somente
livrar-se do perigo do ataque que paira sobre si, pois, os homens do
Governo posicionaram-se em pontos tão estratégicos que a Renamo sempre
julgou impossíveis de alcançar. Esta imposição de retirada não passa,
diga-se, de uma tentativa de reocupação do espaço perdido e o Governo
não pode o permitir. Deve manter este triunfo da garantia real de que
sempre que o líder da Renamo pisar a linha vermelha, será encontrado.
Aliás, a presença dos homens do Governo naquele local é também uma
garantia de que a curto e médio prazo as tropas da Renamo devem ser
desarmadas, como corrolário de um imperativo democrático que proibe a
coexistência de mais um exército fora das lides governamentais.
A sorte do líder da Renamo será, quanto a nós, traçado por ele e pelos seus homens. O Governo não pode, neste momento. perder a possibilidade de neutralizar o lider da Renamo quando se mostrar necessário. Diário de Moçambique
Guebuza é que pensa no povo. Por isso que acumula riqueza para um dia devolver o povo.
ResponderEliminar