terça-feira, 9 de julho de 2013

Eis-nos aqui… reféns de Afonso Dhlakama!

O mote do ‘ngurangurar’ tem sido, até aqui, questões relacionadas com desenvolvimento. É uma área apaixonante, extremamente crucial para o nosso desiderato comum: Moçambique. O país não é de ninguém, melhor: é de todos nós, moçambicanos. Não é do partido Frelimo que o libertou do colonialismo; não é da Renamo que, segundo se auto-defende, lutou pela democracia… – custa-me muito engolir esta! Tendo lutado ou não pela independência do país, ou pela democracia, todos somos moçambicanos. Assim, Moçambique é de todos nós! E nem serve pressupor que há uns que são mais moçambicanos que os outros, ou que são menos moçambicanos que os outros.
Todos somos moçambicanos e Moçambique é nosso. Por isso, temos o dever de pensar Moçambique!
Escrevi num dos textos passados e tenho insistido bastante: a questão de desenvolvimento de um país é muito séria. Não é algo que devesse ser relegada para um pequeno clube de pseudo-pensadores somente; ou a uma instituição política que precisa conquistar votos e perpetuar-se no poder. É, quanto a mim, uma questão que deve ser confiada a pessoas competentes, com saber e experiência refinadas, qualificadas; que têm noção de que uma ideia constrói-se. Não basta sonhar, é preciso transformar o sonho em uma ideia racionalmente construída, com alicerces, estrutura e lógica.
O contrário é um descalabro. Nós somos um caso de estudo. Matérias de desenvolvimento são confiadas a políticos ou a gente com conhecimentos medianos, incipientes em muitos casos e sem experiência conhecida! Por isso estamos onde estamos e está a ser difícil sairmos!
Lá estou eu de novo nas questões de desenvolvimento… Na verdade, a minha reflexão para esta semana era no mesmo inesgotável tema. Mas, como dizia o outro, não posso continuar a assobiar para cima ou para o lado, enquanto… a caravana está a arder! Aliás, só há desenvolvimento numa caravana que não está a arder… em paz! Não faz sentido continuar a discutir um assunto, quando o momento impõe a análise de outro!
Pois então: eis-nos aqui, no nosso belo Moçambique, reféns… reféns, sim! Nas mãos de um único homem: Afonso Dhlakama! Tudo praticamente está parado, ou de sobreaviso. A economia nacional está de sobreaviso; o dia-a-dia do país está… de sobreaviso; a sociedade política nacional está parada (essa, sim, está parada: não se sabe se vai haver eleições, não se sabe se se vai à guerra ou não…); a sociedade civil está… paralisada; a educação (o funcionamento de algumas escolas) está comprometido; até o desporto (futebol, o nosso Moçambola) regista interferências!
Se Dhlakama amanhã entender, pode haver ataques na N1!...
Que país é que somos e que país queremos ser? Esta pergunta é especialmente para o homem do momento: o líder da Renamo. Que democracia é esta, a nossa? Ou que democracia queremos para o nosso país? É esta? De algumas instituições políticas que não o Estado deterem armas de fogo e utilizarem-nas quando o voto lhes não é favorável? A democracia tem como fundamento o voto, o respeito ao voto, a eleição dos representantes. E aquele que é eleito é quem governa; aquele que consegue fazer eleger a maioria no Parlamento faz as leis que entende serem melhores para o seu Governo; e os outros actores submetem-se ao resultado das votações. Este é o princípio democrático.
O líder da Renamo não concorda com a lei eleitoral e vai daí puxar das armas! Ao contrário do que punha um comentarista, que ‘vamos morrer por causa de mais três pessoas na CNE…’ –, é preciso matar porque a maioria eleita pelo povo votou uma lei com aspectos com que não concorda? É preciso mesmo ir matar?
A Renamo entende que há discriminação económica, ou exclusão económica. Em ciências de desenvolvimento, diríamos que não concorda com certas políticas económicas do partido no poder. Certo, certíssimo. Em democracia, é assim; estranho seria um partido estar inteiramente de acordo com a política económica do outro partido. Nessa medida, então, o caminho é pegar em armas e ir matar? Não é, como preconiza a democracia, elaborar a sua política e estratégia económica para convencer o eleitorado a votar em si? É ir matar?
A Renamo não concorda com, digamos, o modus operandi das Forças Armadas de Defesa de Moçambique e acha que há partidarização do aparelho do Estado. Perfeito. Nada de anormal nisso. Mas então, é por causa disso que se vai pegar em armas e matar? Não é fazer um trabalho de base para mostrar aos eleitores que a forma como estão a ser geridos o Estado e as Forças Armadas é errada e nociva ao país? É pegar em armas e impedir a circulação de pessoas e bens?
A Renamo não concorda com… Perfeito. Democracia é isso mesmo: termos a liberdade de discordar de certas ideias e de propor ideias alternativas. É pegarmos em armas e ir disparar contra pessoas e bens?
É esta a nossa democracia, senhor líder da Renamo?
Mau grado: até porque em teoria de ciência política, aparentemente a oposição em Moçambique (Renamo incluída) goza de uma muito considerável vantagem: o incipiente desenvolvimento do país. Moçambique não está a desenvolver-se de forma satisfatória e muitos indicadores e análises apontam que a pobreza está a aumentar. E isto causa/causou um grande desgaste da imagem e popularidade da Frelimo. Um partido que se preze, podia e bem explorar esta situação. Por quê não a Renamo?
Pergunta para todos os moçambicanos: como foi possível chegarmos a este ponto de estarmos reféns de uma e única pessoa? Como foi possível voltarmos à guerra? Diário de Moçambique

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