Ora, nesta teia de dinheiros, os que nós pensamos imediatamente que são
os que ficaram prejudicados, podem o não ser; há na verdade, como antes
dissemos, uma grande rede que se beneficiava destes dinheiros e que
hoje, privada dele, pode muito bem engrossar o grupo dos interessados
em assassinar não apenas o carácter, como o perfil político, de quem
eles acham que foi quem mais os prejudicou: o Presidente.
Ora, a
conclusão a que chegamos é que estas mudanças de paradigmas e
perspectivas de governação, ainda que positivas, como se verifica,
porquanto a vida no distrito nunca mais será a mesma, constituem um
desafio ao que o editorial do “Domingo” chamou de “statu”, porquanto
subvertem por completo as praxes, assombram e arruínam as expectativas
dos grupos que se consideram preferenciais no acesso ao poder e
riquezas, criam novas formas de ser e estar. Não é, pois, estranho que
Guebuza seja amado nas zonas rurais, seja idolotrado, isto porque
empoderou a quem nunca se pensava empoderar, agiu como um verdadeiro
banqueiro do povo e ainda que os “sete milhões” (actualmente dez
milhões) não sejam ainda felizes na vertente dos reembolsos, eles, já
estão a fazer o seu serviço social, criando novas hospedarias onde antes
inexistiam, um comércio intenso nos distritos e localidades,
dinamizando a vida no campo, onde verifica-se a transição de rádio para
televisão, de bicicleta para motorizada, de casa precária para uma com
recurso ao bloco queimado e cobertura de chapas de zinco, variação da
dieta alimentar, e ontem quando os pedidos feitos ao Presidente em
presidências abertas e inclusivas eram referentes aos hospitais,
escolas, hoje, pede-se morgues e carros funerários, sinal de que já se
atacou o básico. O mais interessante, é a resposta a este pedido dada
pelo Presidente quando diz: o Governo alocou um fundo para
infra-estruturas, cabendo a vocês mesmos (em referência à população que
pede), através dos vossos conselhos consultivos, decidir no caso de a
morgue e carro funerário serem prioridades, usar o fundo para adquirir
estes bens. Nada melhor que “soluções locais para problemas locais”,
apregoam os entendidos.
Fica claro, que esta é uma forma de dizer
que cabe ao povo definir as suas prioridades e decidir sobre as mesmas é
uma outra forma de dizer que vocês é que governam. E também aqui,
reside o maior mal do Guebuza: devolver ao povo o seu verdadeiro poder
quando este, foi sempre reclamado e exercido por uma minoria que sempre
cercou os presidentes de Moçambique e os impedia de ter acesso ao seu
povo e resolver as suas preocupações; é esta minoria que se insurge,
porque sente a cada dia que perde o seu espaço, a favor do povo.
Portanto, Guebuza tem sim alguns inimigos interessados em o enfraquecer
porque sabem que está forte e nada melhor do que iniciar uma guerrilha
psicológica com epicentro na cidade, tendo como principal auxiliar os
jornais ditos independentes que a cada dia que passa arremessam todo o
tipo de matéria virulenta - não interessando se se trata de verdade ou
da mais deslavada mentira - desde que prejudique Guebuza. Diário de Moçambique
Sem comentários:
Enviar um comentário