sábado, 13 de julho de 2013

Os pecados da governação de Guebuza

O pecado “CAPITAL” na governação do actual Chefe de Estado, Armando Emílio Guebuza, é de ter introduzido a circulação monetária nos locais que estavam outrora esquecidos e que constituíam a base do eleitorado da oposição no nosso país. Os vulgos sete milhões foram ou são a machadada final no que às bases anti-Frelimo diz respeito; os Conselhos Consultivos Distritais, como órgãos de gestão do fundo, dissiparam equívocos ao processo; as denúncias contra governantes, seguidas de medidas concretas nas presidências abertas e inclusivas, entre outros, constituem, sem dúvidas, o pecado capital na governação de Armando Guebuza. Mas, nem tudo é um mar de rosas, como podemos ver nesta reflexão, convido o estimado leitor a raciocinar comigo.
Quando Armando Guebuza foi eleito secretário-geral da Frelimo e candidato presidencial desta formação política para as eleições de 2004, muitas pessoas davam o partido Frelimo como um partido “moribundo” e tinham as suas razões. Nas eleições de 1999, o candidato da Frelimo e a própria Frelimo ganharam as eleições à tangente, muitos analistas davam como missão “impossível” a reversão do quadro político nacional por parte de Armando Guebuza, de modo particular, e da Frelimo, de modo geral. Recorde-se que na legislatura de 2000 a 2005 a diferença entre as bancadas era mínima. O principal opositor de Guebuza, o senhor Afonso Dhlakama, disse nessa altura que a vitória estava assegurada e que Guebuza era um “desconhecido” na sociedade moçambicana.
A resposta de Armando Guebuza foi de um trabalho de base em silêncio, visitou em menos de dois anos todas as unidades do partido Frelimo e revitalizou-as, dando-lhes um valor acrescentado que não possuíam antes. Ao mesmo tempo, trabalhou com as organizações sociais do partido, nomeadamente, a OMM, OJM e ACLIN, atribuindo-lhes responsabilidades especiais no âmbito eleitoral e de votação. Escusado recordar ao estimado leitor que estas organizações estavam meio “marginalizadas” desde o Acordo Geral de Paz até 2002, salvo melhor entendimento. Este exercício de Guebuza viria a dar frutos na boca das urnas, revertendo efectivamente o quadro político e de poder nacional; os deputados da oposição reduziram substancialmente e, o pior estava por vir.
Se Guebuza conseguiu reverter o quadro nas eleições de 2004, seria nas eleições de 2009 que as coisas pioraram para a oposição e, com tendência a ficarem cada vez pior, devido ao trabalho político levado a cabo pela Frelimo. Os deputados da Frelimo, na legislatura de 2005 a 2009, já avisavam a oposição sobre a sua “redução” substancial nas eleições seguintes, vaticínio que viria a concretizar-se. Na verdade, a par do trabalho político levado a cabo sob liderança de Guebuza, acresce-se então a introdução dos sete milhões para a produção de comida e redução de pobreza nos distritos. Esta acção, que inicialmente foi minimizada pelos actores políticos e analistas nacionais, muito rapidamente foi considerada acção de compra ou troca de favores entre os camaradas; só que, num “golpe” de mestre, o Governo introduz os chamados Conselhos Consultivos Distritais como órgãos de gestão destes fundos. Estes órgãos viriam a trazer uma lufada de ar fresco e devolveu a credibilidade aos objectivos de fundo; aliado a isso, as presidências abertas e inclusivas serviriam de outro “tubo de escape” das populações e passaram a centrar as suas intervenções na gestão destes recursos, reduzindo cada vez mais o espaço do cepticismo reinante.
Com estas e outras acções, Guebuza reduziu o campo de manobra dos seus detractores nas zonas rurais, mas, o descontentamento aparece nas zonas urbanas, onde estes recursos não tinham sido alocados e por via disso aumentavam os índices de pobreza urbana. Aliás, esta realidade é espelhada no relatório do MARP. Em resposta, o Governo introduz os famosos sete milhões nas cidades capitais, deixando na marginalidade aqueles que só estão à espera de criticar.
Entretanto, os sucessos desta governação não foram e continuam a não ser acompanhados pelos diferentes integrantes do elenco governativo de Guebuza, muitos governantes dormem à sombra dos sucessos de um homem, Armando Emílio Guebuza e, quando a massa crítica constata esse facto, a tendência desses governantes é de generalizar, falar em nome de todos, como se todos tivessem a mesma atitude perante a coisa pública. Não é e não pode ser segredo que alguns membros do Governo não parecem estar sob direcção do mesmo chefe, estes governantes caracterizam-se por elaborar relatórios falseados; quantas vezes não foram abortadas tentativas de silenciar cidadãos nas presidências abertas que queriam denunciar o estado de governação “podre”? Quantos dirigentes não sofreram efeitos de governação aberta e inclusiva na pele, separando, aos olhos do cidadão, o trigo do jóio!
A crise política que se vive no nosso país, nos últimos dias, pode ser a consequência do sucesso na governação de Armando Guebuza. É verdade que nem tudo é um mar de rosas; contudo, o espaço de retórica política reduziu substancialmente; muitos analistas recorrem à vida privada das pessoas para atacar a organização, tal é o sucesso. Aliás, as eleições autárquicas que retiraram da governação o partido Renamo são disso o exemplo paradigmático do sucesso. Perante a ameaça de repetir esse sucesso, havia que reverter o quadro, infelizmente da pior forma, através da ameaça à paz, através da guerra como única forma de manchar Armando Guebuza. Como “animal” político que é, espero que consiga reverter mais este quadro sombrio, a bem de todos os moçambicanos amantes da PAZ. Diário de Moçambique

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