Não me entusiasmam as percentagens que a administração eleitoral vai anunciando em cada território autarcizado, pois na verdade, já em rota final, bem gostaria de as saber gordas, o que seria um sinal de que a cada dia que passa, a vontade de participação do processo de escolha de governantes por parte dos governados, vai ganhando uma expressão maior, um acento tónico na consolidação da democracia, em processo de construção.
Não encontro as razões desta pouca afluência aos centros de registo eleitoral, mas que é necessário buscá-las e explicá-las, isso sim. Atrevo-me, contudo, a dizer que pode ser que se trate de medo ou de outra razão que não entendo por parte dos eleitores, mas aqui é necessário conhecer os motivos. Mas também é preciso dizer que não servirá de nada conhecer as motivações que conduzem a esta fraca afluência aos centros de registo eleitoral se não se for capaz de enfrentá-los com razoabilidade, com espírito aberto e franco.
Atrevo-me ainda a dizer, que o medo pode ser um elemento desmotivador. E o país, no meu modesto entender, está com medo e trata-se de um medo fundado: basta falarmos dos acontecimentos de Muxúnguè, nos acontecimentos do paiol de Sofala, nos acontecimentos de Gorongosa, todos eles carregados de morte, todos eles embebidos em sangue de filhos de mulheres e praticados por filhos de mulheres.
Podem estes tristes acontecimentos, que alimentarão as páginas da história deste povo nobre, articularem-se como uma forma de pressão, mas no meu modesto entender, pode a pressão ser feita sem que isso signifique derramamento de sangue, sem que isso signifique o recurso às armas. As pessoas têm que falar para se entenderem e os moçambicanos têm essa capacidade.
Sandjundjira pode estar na origem do medo. Mas então se Sandjundjira pode estar na origem do medo, da desmotivação, é preciso resolver este Sandjundjira.
Podem ou não as descobertas de minerais e petróleo no solo pátrio alimentarem Sandjundjira? Não sei, ou melhor não tenho resposta, mas me permito a especulação: me parece verdadeiro que Dhlakama não se fixou na Gorongosa por vontade própria, mas sim pela pressão da ala militar que reclama melhores condições e, curiosamente, foi pouco tempo depois de ter tido um encontro com o Presidente da República, em Nampula, encontro de que se disse bem.
Por outro lado, os comboios eram impedidos de circular transportando carvão de Tete para o porto da Beira, em Sofala. A linha atravessa todo um território na província de Sofala que é de domínio de Dhlakama e os seus homens que simplesmente se alimentam de ordens. Pode, o Dhlakama, ter aproveitado esta circunstância para mandar uns recadinhos às mineradoras no sentido de que ele e só ele pode garantir a livre circulação dos comboios, já que as tropas governamentais não interessariam atacá-los e não parece poder garantir a sua circulação com segurança.
Podem ou não, neste sentido, as mineradoras verem-se na contingência de negociar com o homem de Sandjuundjira em ordem a assegurarem os seus negócios?
Podem ou não os grandes interesses económicos mundiais, em razão das descobertas que o país tem vindo a registar, fazerem uma aproximação ao Dhlakama, devido à estrutura do seu movimento e alimentá-lo na esperança, ou na certeza, de que uma vez no poder consigam contratos de exploração, com vantagens, desses recursos?
Podem ou não os interesses económicos mundiais instigarem a guerra, ainda que de forma subtil, com o objectivo final de que o país se endivide na base destes recursos que vai descobrindo?
Podem ser feitas muitas outras perguntas, mas prefiro parar por aqui e esperar que esteja completamente errado neste aspecto.
Acredito que o leitor está de alguma maneira confundido, pois faz tempo que não me ponho a falar destas coisas publicamente, mas acho que devo voltar, de vez em quando, a estas conversas, não obstante não qualificar. Creio também que alguém dirá que, como sempre, já se está à procura de uma mão externa. Claramente que isso não me preocupa. Me preocupa sim a tranquilidade, a paz e a segurança de poder votar, de poder escolher aquele que me vai governar.
Busquemos todos a paz e não deixemos que as águas, por muitas que sejam, não consigam apagar o amor que os moçambicanos têm entre si. Notícias
- Djenguenyenye Ndlovu
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