Antes queira V. Excia aceitar os meus respeitosos cumprimentos e saúdo a vossa nomeação para a nobre missão de dirigir o mais prestigiado matutino, desejando deste modo boas vindas. O assunto de hoje e que marca a actualidade na cidade e província de Maputo é a onda de criminalidade que assola todos os bairros, com maior incidência os novos.
Tem sido notícia ao acordarmos sermos confrontados com revelações chocantes de crimes hediondos, assaltos a residências e estabelecimentos comerciais perpetrados por uma guerrilha composta por 18 a 20 elementos e outros em menor número, que têm tirado sono a milhares de cidadãos.
O móbil é arrombar as portas e grades de protecção com recurso a instrumentos contundentes, armas de fogo de grande calibre e submeter as vítimas a várias sevícias desde espancamento, torturas, violação de mulheres e crianças perante olhar indefeso dos pais, filhos, irmãos, netos, etc., exigindo elevadas somas em dinheiro, pois tem a certeza e informações de que as vítimas têm os valores que pretendem e actuam segundo os que já sofreram assaltos a mando de um tal Chefe. Essa guerrilha não tem o mínimo de dó nem piedade e respeito pela vida e dignidade humanas.
Há um clima total de insegurança nos bairros pois, não se sabe quando é que cada um de nós será a próxima vítima, visto que a actuação deles é diária e demonstra poderio militar nas suas incursões.
Hoje em dia somos obrigados a contrairmos dívidas monetárias para levarmos a casa, esperando que o seu dia chegue e encontrem o que eles pretendem. Hoje em dia ter uma filha menor ou adolescente é um problema, pois estamos à espera que as violem em frente dos progenitores e demais familiares.
Hoje em dia é problema ter um estabelecimento comercial virado a vários tipos de negócios, vender carvão, tomate, cebola, batata, etc. Hoje em dia é difícil frequentar o curso nocturno vivendo nos novos bairros e peri-urbanos da cidade e província de Maputo.
Cadê o respeito e valorização da vida humana, por que é que não assaltam somente tirando os bens domésticos e os ditos valores que precisam e que as vítimas muitas vezes não tem e se tem resultam do trabalho árduo inserido no propalado Programa de Combate e Redução da Pobreza Absoluta.
Acham correcto passar o ferro de engomar a alta temperatura no corpo de alguém?
As vias de acesso nos nossos bairros são precárias, não existem esquadras muito menos postos policiais e os que existem possuem um efectivo de dois a três agentes e quando as vítimas apresentam as queixas a música é a mesma: Não há efectivo, não há condições, há um trabalho aturado com vista a neutralizar a guerrilha, não se preocupem durmam a vontade, a polícia está no terreno no encalço dos responsáveis.......
Caríssimas autoridades de ordem e segurança lanço um apelo no sentido de reduzirem o elevado efectivo de segurança que se encontre em Satungira e reforcem nos bairros, estamos dispostos a juntarmos os pacatos recursos e colaborar com os responsáveis locais na construção de esquadras e seu apetrechamento com mínimas condições para a sua funcionalidade.
Estamos num momento de muita agitação que a qualquer momento poderá concorrer para a revolução popular através de patrulhas nocturnas e aplicação de justiça pelas próprias mãos por linchamento dos membros da guerrilha e outros oportunistas. Vamos evitar a eclosão de uma manifestação popular reforçando permanentemente as patrulhas. É tempo da FIR fazer-se também nos bairros para protegermos. A situação da criminalidade está ficando fora do controlo da PRM e suspeita-se que alguns agentes estão envolvidos nesses assaltos. Vejamos o exemplo da notícia da caça furtiva cujos fornecedores de armas eram agentes da polícia.
Muito obrigado pela atenção dispensada, aguardo mais colaborações sobre como estancarmos esta onda de assaltos perpetrado pela guerrilha e oportunistas. Notícias
- Michaque Muthakate
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