quarta-feira, 4 de setembro de 2013

MIRADOURO - A profissão proibida progride (Concl.)

Uma profissional do sexo acabava de chegar à rua de Bagamoyo. Dizia-me ela que havia abandonado o lar. Era uma mulatinha com um corpo formidável, uma formosura de se lhe babar a saliva, uma formosura facial e física impressionantes. Porém, estava ela ali de corpo e alma, entregue à sua nova profissão, deixando, em casa, um petiz de três meses com a avó.
O marido dava-lhe chatices, já que queria que ela estivesse em casa e entregue a tarefas domésticas e do lar. Ela queria uma liberdade que muitos homens não admitem. Não queria que alguém fosse ao seu encalço. Se quisesse dar o fora, que o marido não fizesse questão, afinal de contas, a mulher estava emancipada.
Muitas daquelas meninas têm petizes por criar, tendo encontrado como alternativa da vida, a prostituição, uma profissão aparentemente fácil de se praticar. Ninguém quer saber de nada. Quem de direito, rendeu-se à evidência dos factos. Nos últimos tempos, fala-se de prostituição apenas para agradar as instituições internacionais que lutam pela dignidade da mulher e da criança feminina. Os factos reais dão conta que ninguém se preocupa com isso. Se elas vão à rua, é porque assim querem e que se virem, que os tempos são maus, que a vida aperta para todos e cada uma por si e Deus se encarrega de zelar por todas elas. Ora, há poucos dias e como o faço de quando em vez, desloquei-me à baixa da cidade capital para rever os meus amigos. Tinha que ver se tudo se encontrava no lugar. E, como sempre, a esquina habitual foi o local de encontro com o meu cunhado, que o encontrei a sorver uns goles de uma 2M bem cara naquelas bandas. O destino, algumas vezes, prega-nos partidas. A ideia inicial era apenas servirmo-nos da esquina como ponto de referência e de encontro, para em seguida, seguirmos outro rumo, o de recolher para casa, já que se tratava do fim de uma jornada laboral. Entretanto, um colega terá sido “o culpado” dos impropérios que o meu cunhado foi alvo. Tudo partiu do dólar americano, em que uma das meninas da venda do sexo disse que cambiava a moeda norte-americana. O mundo caiu em cima de nós. Como era possível um dólar norte-americano valer 30.00 MT? Foi o início da bagunça, tendo ela entendido que o meu amigo lhe dizia que não tinha valor para vender o seu sexo em dólares. Só quem esteve ali presente entendeu que tipo de gente ali frequenta. Ao que percebi, de boa educação, aquela menina nunca ouviu falar. Ou porque o álcool domava a sua consciência. Até porque companheiras de profissão que acompanharam a cena, não acreditaram no que estavam a ouvir. Era uma brava, uma bravura que podia fazer parte de uma peça teatral.
As injúrias ficaram vulgarizadas que, como sempre, ninguém, naqueles locais, está para impor ordem da civilização, pois, vender sexo humano não significa faltar respeito aos pacatos convivas que ali se encontravam, acabando confundidos com muitos que não querem gastar o seu dinheiro com as “meninas”. No meio de muita vozearia, em que eu e o meu cunhado saímos perdedores e envergonhados, consolámo-nos com esta: O local é integralmente delas e nós fomos invadi-las. O que nós esperávamos? Diz um ditado popular que quem se sente incomodado, que se retire”. Comentámos nestes termos, porém, os palavrões já haviam cessado, “socorridos” que fomos por um grupo de rapazes que nos conhecem e perceberam que, realmente, o local não era nosso. Saímos angustiados e arrependidos de lá termos posto os pés. Cada macaco no seu galho e nós falhamos o piso. Notícias

Arlindo Oliveira

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