Enquanto o apuramento dos resultados prossegue, o nervosismo aumenta.
Cada um dos três principais partidos reage à sua maneira. A população
também começa a sair à rua, em tom de protesto contra supostas
irregularidades.
Em Moçambique, os resultados das eleições, continuam a ser divulgados. A
Comissão Nacional de Eleições (CNE) concluiu esta quinta-feira (23.10) o
apuramento em todas as 11 províncias, mas ainda não foram divulgados
dados oficiais. A lei prevê que o resultado oficial, a nível nacional,
seja apresentado - o mais tardar - 15 dias depois do dia das eleições,
portanto no final do corrente mês de outubro.
População sai às ruas na província de Manica
Na cidade de Chimoio, capital da província de Manica, simpatizantes da
RENAMO manifestaram-se, hoje à tarde (23.10), mostrando o seu agrado
pela vitória tangencial de Afonso Dhlakama na província, mas também
algum desagrado pelas irregularidades que terão beneficiado o candidato
da FRELIMO, "aqui e acolá". Nesta província do interior o candidato da
RENAMO, Afonso Dhlakama terá ficado à frente do candidato da FRELIMO,
Filipe Nyusi. Dhlakama terá, nomeadamente, conquistado 48,33 por cento
dos votos, Nyusi 47,91 por cento. E é essa vitória que os populares
quiseram festejar. Ao mesmo tempo queriam manifestar-se contra alegados
casos de favorecimento do candidato do partido no poder. Sem
irregularidades a vitória da RENAMO, na cidade de Chimoio teria sido
maior ainda, afirmam.
A polícia regular e a Força de Intervenção Rápida (FIR), acorreram ao local da manifestação, alegadamente para repôr a ordem. No entanto, não há registo de ocorrência de actos de grande violência. O comandante da Polícia na cidade de Chimoio afirmou que os seus homens tiveram que "repôr a ordem". A polícia apelou à população no sentido de se evitar a violência e destruição de bens e pessoas: "Isso estaremos a proibir uma vez para sempre!"
A situação está, pois, longe de estar calma, sobretudo no centro e no norte do país, agora que surgem cada vez mais resultados e também relatos de irregularidades.
Apuramento Provincial dá vitória à FRELIMO e ao candidato Nyusi
A polícia regular e a Força de Intervenção Rápida (FIR), acorreram ao local da manifestação, alegadamente para repôr a ordem. No entanto, não há registo de ocorrência de actos de grande violência. O comandante da Polícia na cidade de Chimoio afirmou que os seus homens tiveram que "repôr a ordem". A polícia apelou à população no sentido de se evitar a violência e destruição de bens e pessoas: "Isso estaremos a proibir uma vez para sempre!"
A situação está, pois, longe de estar calma, sobretudo no centro e no norte do país, agora que surgem cada vez mais resultados e também relatos de irregularidades.
Apuramento Provincial dá vitória à FRELIMO e ao candidato Nyusi
Falando de resultados: segundo os dados hoje (23.10) divulgados, a
Frelimo e o seu candidato presidencial, Filipe Nyusi, terão vencido as
eleições gerais moçambicanas. Os últimos números disponíveis rezam que
57 por cento dos eleitores moçambicanos terão escolhido o candidato da
FRELIMO como futuro presidente do país. O candidato da RENAMO, Afonso
Dhlakama, terá conquistado 36 por cento dos votos, enquanto que o
candidato do MDM recolheu 6 por cento.
Quanto à composição da futura Assembleia da República, a FRELIMO vai ter o maior grupo parlamentar: cerca de 140 assentos, o que corresponde a 57 por cento dos votos. A RENAMO terá 89 assentos, o que corresponde a 34 por cento dos votos. E o MDM terá apenas 19 assentos o que corresponde a 9 por cento dos votos.
Quanto à composição da futura Assembleia da República, a FRELIMO vai ter o maior grupo parlamentar: cerca de 140 assentos, o que corresponde a 57 por cento dos votos. A RENAMO terá 89 assentos, o que corresponde a 34 por cento dos votos. E o MDM terá apenas 19 assentos o que corresponde a 9 por cento dos votos.
MDM: As eleições defraudaram os moçambicanos e devem ser repetidas
O porta-voz do Movimento Democrático de Moçambique, MDM, Sande
Carmona, em conversa hoje à tarde (23.10) com a DW-África, voltou a
afirmar que "estas eleições não refletem a vontade expressa pelo povo
nas urnas, no dia 15 de outubro. Estas eleições apenas defraudaram mais
uma vez as expetativas e o futuro do povo moçambicano."
Sande Carmona recorda que o partido MDM ainda está a estudar a melhor maneira de saír deste impasse. Por isso afirma a título pessoal: "Essas eleições por mim - Sande Carmona - deveriam ser anuladas. Devia-se formar um governo de transição em Moçambique para que não haja candidatos privilegiados."
Um olhar mais profundo para as diferentes províncias evidencia diferenças bastante grandes entre o norte, o centro e o sul do país: no sul, Nyusi ganhou com uma larga vantagem sobre os concorrrentes. No norte, mais precisamente em Nampula, o maior círculo eleitoral do país, Dhlakama ganhou as presidenciais, mas o partido RENAMO terá perdido nas parlamentares.
Os processos de contagem nas províncias do Centro e Norte do país, sobretudo em Sofala e na Zambézia, têm sido marcados por suspeitas de irregularidades, após a chefe de operações do STAE (Secretariado Técnico de Administração Eleitoral) na cidade da Beira ter sido detida por suspeita e falsificação de editais e de, na Zambézia, terem desaparecido dados dos apuramentos em pelo menos 13 mesas, correspondentes a 10,4 mil eleitores.
Sande Carmona recorda que o partido MDM ainda está a estudar a melhor maneira de saír deste impasse. Por isso afirma a título pessoal: "Essas eleições por mim - Sande Carmona - deveriam ser anuladas. Devia-se formar um governo de transição em Moçambique para que não haja candidatos privilegiados."
Um olhar mais profundo para as diferentes províncias evidencia diferenças bastante grandes entre o norte, o centro e o sul do país: no sul, Nyusi ganhou com uma larga vantagem sobre os concorrrentes. No norte, mais precisamente em Nampula, o maior círculo eleitoral do país, Dhlakama ganhou as presidenciais, mas o partido RENAMO terá perdido nas parlamentares.
Os processos de contagem nas províncias do Centro e Norte do país, sobretudo em Sofala e na Zambézia, têm sido marcados por suspeitas de irregularidades, após a chefe de operações do STAE (Secretariado Técnico de Administração Eleitoral) na cidade da Beira ter sido detida por suspeita e falsificação de editais e de, na Zambézia, terem desaparecido dados dos apuramentos em pelo menos 13 mesas, correspondentes a 10,4 mil eleitores.
RENAMO: Queremos negociar como saír desta crise de roubalheira
O porta-voz da RENAMO, António Muchanga, também falou, esta tarde com
a DW-África e fez o seguinte comentário: "Os números que estão a ser
divulgados são resultados da contagem vergonhosa que já denunciamos em
conferência de imprensa. Em Cabo Delgado há distritos em que o número de
votos supera o número de pessas inscritas. Em Gaza há distritos onde a
votação é de 99 por cento. Eles fizeram enchimentos, ultrapassaram a
medida, faltou-lhes inteligência!"
Para o porta-voz da RENAMO a solução agora é negociar com a FRELIMO. Só em conjunto se poderá sair do impasse: "Nós já nos disponibilizámos para um diálogo sério com o governo para discutirmos sobre o melhor caminho para a saída desta crise de roubalheiras."
Os resultados - recorde-se - ainda não são oficiais. Nas palavras do porta-voz da FRELIMO, Damião José, o partido no poder aguarda "serenamente" o anúncio oficial dos resultados.
Para o porta-voz da RENAMO a solução agora é negociar com a FRELIMO. Só em conjunto se poderá sair do impasse: "Nós já nos disponibilizámos para um diálogo sério com o governo para discutirmos sobre o melhor caminho para a saída desta crise de roubalheiras."
Os resultados - recorde-se - ainda não são oficiais. Nas palavras do porta-voz da FRELIMO, Damião José, o partido no poder aguarda "serenamente" o anúncio oficial dos resultados.
FRELIMO: Não vemos razão para contestar estas eleições
Como reage a FRELIMO ao facto dos dois maiores partidos da oposição
terem exigido a repetição das eleições ou negociações sobre a saída do
impasse? Damião José responde: "As posições desses dois partidos da
oposição revelam falta de coerência, porque na altura em que o pacote
eleitoral foi submetido à Assembleia da República, os três maiores
partidos - a FRELIMO, a RENAMO e o MDM - aprovaram esse pacote
eleitoral. E as eleições decorreram segundo os princípios democráticos
constantes nesse pacote eleitoral."
Segundo o porta-voz, a FRELIMO não vê "nenhuma razão para contestação dos resultados que estão sendo anunciados pela Comissão Nacional de Eleições." Deutsche Welle
Segundo o porta-voz, a FRELIMO não vê "nenhuma razão para contestação dos resultados que estão sendo anunciados pela Comissão Nacional de Eleições." Deutsche Welle
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