Aventa-se a possibilidade de receber titulo honorário no Estado e mesmo dentro do seu partido
Afonso Dhlakama deve receber do Estado uma posição honorífica para
garantir a estabilidade da Renamo e do país, defenderam dois analistas
moçambicanos ouvidos pela VOA.
Esta possibilidade surge numa altura em que, segundo dados
preliminares, tudo aponta para mais uma derrota do presidente da Renamo
nas eleições em Moçambique. Correntes de opinião, mesmo dentro da
própria Renamo, apontam que talvez tenha chegado o momento de Dhlakama
se afastar da liderança do seu partido.
Fernando Nhantumbo, da Liga Juvenil da Renamo, diz ser da opinião de
que Afonso Dhlakama deve abandonar a presidência da Renamo, de modo a
que se possa revitalizar o partido.
Mas para o professor Calton Cadeado, especialista em relações
internacionais e segurança, do Instituto Superior de Relações
Internacionais de Moçambique, tendo em conta que a Renamo depende muito
de Afonso Dhlakama, afastá-lo da liderança do Partido e tentar
colocá-lo como presidente honorário, como defendido por alguns, pode
ser um exercício perigoso.
Segundo aquele académico, a Renamo como estrutura está fragilizada e
ela depende muito da figura do seu líder, Afonso Dhlakama, que mesmo
fragilizado em termos de liderança é o nome que garante a sobrevivência
do partido.
Cadeado fez notar que, no passado, quando a Renamo teve pessoas com
capacidade de garantir a vitalidade do partido, "o líder foi um
obstáculo”.
“Estou a falar de figuras como Manuel de Araújo, actual Presidente do
Município de Quelimane, de Ismael Mussá, deputado independente e do
próprio Daviz Simango, que estiveram na Renamo para dar uma certa
energia, mas tiveram a resistência e o obstáculo do estilo de liderança
de Afonso Dhlakama, e essas pessoas saíram e foram revitalizar um outro
partido", explicou.
Por seu turno, o analista político Salimo Abdula considera que o
Governo deve encontrar formas de acomodar Afonso Dhlakama, para o bem da
nação, colocando-o como presidente honorário, ao nível do Estado.
"Penso que esta é uma boa forma de acomodar o líder da Renamo,
sobretudo em reconhecimento do seu papel na democratização deste país”,
realçou o analista.
Por sua vez, António Gaspar, do Centro de Estudos Estratégicos e
Internacionais, disse que a derrota eleitoral a confirmar-se “não é o
fim” de Dhlakama que “ continua a ser importante” para a Renamo.
“Há ideias muito claras para se passar a olhar para o segundo candidato
mais votado com um certo estatuto reconhecido pelo Estado,” disse
Gaspar.
“O futuro de Afonso Dhlakama está mais tranquilo do que no passado”,
acrescentou o analista que fez notar também o facto de o líder da Renamo
ser "filho de autoridades tradicionais” que “com carimas e charme”
preenche um vazio para “aqueles que não cabem na Frelimo e no MDM”.
O jornalista e analista Fernando Lima, por seu turno, pensr que
Dhlakama vai continuar a liderar a Renamo “dada a capacidade que ele tem
de mobilizar as pessoas dentro do seu próprio partido”
“Quando tantos vaticinavam a sua morte política o facto mais saliente
destas eleições foram os comícios que Afonso Dhlakama fez neste período
de campanha e que nenhum outro candidato arrasta tanta gente”, disse
Lima
"Ele é uma pessoa muito carismática e tem uma capacidade de diálogo
com a população que os outros dois candidatos não têm, acrescentou.
A concretizarse, esta será a quinta derrota de Afonso Dhlakama, que,
na opiniao de Salimo Abdula, fica a dever-se ao facto de lhe ser
colocado constantemente o papel de guerreiro constante e de ter feito a
campanha eleitoral numa situação de desvantagem, relativamente aos seus
adversários mais directos. Voz da América
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