sábado, 25 de outubro de 2014

Irregularidades: sociedade civil confirma, CNE investiga e FRELIMO desvaloriza

Em Moçambique, plenária da CNE declarou não compreender atrasos por detrás da não divulgação dos resultados distritais. CNE está a apurar as causas. CIP diz que atrasos inviabilizam contestar resultados.
 
A Lei Eleitoral moçambicana determina que as comissões distritais têm 72 horas, após o fim da votação, para divulgar os resultados. Mas até aqui, oito dias depois da votação, há distritos que ainda não divulgaram os mesmos.
Borges Nhamire, pesquisador do Centro de Integridade Pública (ClP), participou ativamente na monitorização do processo eleitoral. Que explicação dá ele para as muitas irregularidades e atrasos vereficados no apuramento dos resultados, um pouco por todo o pais?
"Eu penso que não existe uma explicação plausível para que os atrasos que estejam a acontecer aconteçam, porque as eleições foram marcadas há muito tempo e todas as questões logísticas e processuais, que hoje estão a ser enfrentadas, já eram do conhecimento das entidades organizadoras – a Comissão Nacional de Eleições [CNE] e o Secretariado Técnico de Administração Eleitoral [STAE]," avalia.
O pesquisador acrescenta que tanto STAE quanto CNE "tiveram o orçamento muito elevado, muito acima daquilo que era o orçamento previsto, para organizar as eleições."
Na opinião de Nhamire, tudo indica que os trasos podem "ser uma coisa um pouco propositada. Então, isso não é uma questão de dificuldade ou de desconhecimento, mas é falta de vontade para cumprir com a lei."
 
Falsificação dos resultados?
 
Segundo afirmam várias fontes independentes, inclusive o sítio na internet CanalMoz, o que está a acontecer em Moçambique é que as comissões distritais estão envolvidas numa "mega-operação de falsificação de editais."
A plenária da CNE terá, por isso, deliberado mandar vogais às províncias para perceber a razão da não divulgação de resultados e para se inteirar dos relatos de fraude que se espalham por todo o país.
O que Borges Nhamire e os seus colaboradores conseguiram apurar no terreno, confirma a teoria da fraude?
O investigador do CIP considera que "onde não se publica o edital, quem quer contestar não tem como contestar. E, pronto, passam os prazos e a contestação."
"Não publicar o edital ao nível distrital é um caminho andado para que não se possam contestar as eleições," diz Borges Nhamire. Ler +

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