A terceira maior força política de Moçambique insiste que as eleições
gerais foram marcadas por "práticas de fraudes". Por isso, o MDM rejeita
os resultados preliminares que estão a ser divulgados.
A Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) e o seu candidato
presidencial, Filipe Nyusi, lideram a contagem dos votos desde que foram
divulgados os primeiros resultados das eleições gerais, na semana
passada.
A versão mais recente da contagem paralela do Observatório Eleitoral
confirma a vitória de Nyusi, com 58 por cento dos votos, enquanto o
candidato presidencial do Movimento Democrático de Moçambique (MDM),
Daviz Simango, obteria 8 por cento. Na votação para a Assembleia da
República, o MDM teria obtido 10 por cento dos votos. Estima-se que o
partido conseguiu 25 assentos parlamentares, segundo as projeções, que
têm uma margem de erro de 2 por cento.
Mas, entrevistado pela DW África, o porta-voz do MDM, Sande Carmona, diz
que o seu partido não acredita nos números da contagem de votos
anunciados.
"Os números que estão a ser divulgados não têm nada a ver com os votos
nas urnas. Estão a sair números de editais cuja proveniência não se
conhece", denuncia Carmona. "Não concordamos com esses números. Esse
processo foi viciado. Estes números não interessam ao povo moçambicano
e, por isso, não interessam ao MDM."
"Não reconhecemos processo de votação"
Na sexta-feira passada (17.10), o presidente do MDM e candidato
presidencial, Daviz Simango, chamou a atenção para vários "relatos" de
votos pré-preenchidos, pessoas com mais de um cartão de eleitor, pessoas
que não puderam votar, ou, por exemplo, a não abertura de assembleias
de voto.
Segundo o porta-voz do MDM, Sande Carmona, face a estes relatos, o povo
moçambicano sai a perder do escrutínio. "O seu voto não contou para
aquilo que eram as suas aspirações no processo de democratização e na
eleição dos futuros dirigentes de Moçambique. Daí que não reconhecemos o
processo de votação de 15 de outubro. "
O partido da oposição insiste que está no direito de denunciar situações
que colocam em perigo o processo eleitoral moçambicano por ser um
partido que participou neste processo desde o recenseamento até à
votação. Agora, o MDM pede para ver os editais e as atas do processo.
"De acordo com a legislação moçambicana, temos o direito de termos os
editais e as atas", afirma o porta-voz do MDM. "Até hoje, quer os nossos
delegados de candidatura, quer os nossos Membros das Mesas de Voto
(MMV) ainda não receberam os editais e as atas. E as datas para a
divulgação dos resultados eleitorais já passaram."
Razão do atraso dos resultados
Para o porta-voz do MDM, a demora na divulgação dos resultados tem uma explicação clara.
"Tem a ver com o processo de viciação dos próprios dados que vão sendo
divulgados pelos órgãos eleitorais", diz Sande Carmona. "Este é um
atraso planificado, que tem a ver com a transformação da vontade do povo
moçambicano na vontade de um grupo de pessoas. Isso significa que, mais
uma vez, ao povo moçambicano é retirado o direito de escolher os seus
legítimos dirigentes e os seus órgãos do Estado."
Face a este quadro, o MDM assegura que não vai baixar os braços.
"O MDM vai reunir os seus órgãos dentro de dias para decidir qual o rumo
que vamos tomar e para definir o que o partido vai fazer como
providência perante o desmando todo que está a ser feito pela FRELIMO,
usando a Polícia da República de Moçambique", diz o porta-voz do partido
da oposição. Deutsche Welle
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