A Liga dos Direitos Humanos e o CIP escreveram uma carta aberta ao
Presidente da CNE a pedir explicações das irregularidades nas eleições.
Em algumas regiões o clima esteve tenso, porque muitos não conseguiram
votar.
Ainda sem dados oficiais sobre as eleições de quarta-feira (15.10), os
moçambicanos estão revoltados com os problemas que enfrentaram para
exercer o seu direito de voto.
Teles Ribeiro, investigador do CIP, Centro de Integridade Pública de
Moçambique, informa que se registaram vários atrasos na distribuição de
material eleitoral, ao contrário do que tinha sido avançado pela CNE,
Comissão Nacional de Eleições, que garantiu estar tudo a postos para o
sufrágio.
O investigador do CIP lista os problemas do escrutínio: "Tivemos
problemas de ordem logística, em primeiro lugar, com várias assembleias
que não abriram a hora prevista por causa da falta dos cadernos onde
constam os nomes dos eleitores. Nalgumas mesas os eleitores que possuiam
cartões e não conseguiam identificar os seus nomes, isto criou vários
constrangimentos, tivemos várias pessoas que não puderam votar por estes
fatores."
E a lista de Teles é longa: "Tivemos também outros casos ligados à
demora na alocação do material eleitoral. Ainda ontem (15.10) havia
distritos onde não havia chegado o material para votação, os boletins de
votos, as urnas, que não tinham chegado a algumas regiões de alguns
distritos."
Violência nos bastiões da oposição
Todas estas dificuldades fizeram com que várias pessoas não conseguissem
votar, explica o investigador: "Durante o dia de ontem quando houve o
encerramento das assembleias de votos havia muitas pessoas revoltadas
porque não conseguiram exercer o seu direito de voto, as pessoas foram
para votar, mas foram impedidas desse direito."
Segundo o pesquisador independente, os problemas que conduziram à
protelação da abertura das assembleias de voto levam a população a
duvidar dos resultados eleitorais que ainda serão divulgados: "Em
algumas regiões, por exemplo, falo das regiões de Tsangano, em Tete,
exatamente o que as pessoas alegavam é que com essa demora as urnas já
vinham contendo votos pré-registados."
Porém, ontem (15.10), o clima subiu de tom em algumas regiões do país,
sobretudo naquelas em que a oposição ganha por tradição: "tivemos
incidentes na província de Tete, onde alegadamente simpatizantes da
RENAMO invadiram as assembleias de voto e destruiram os boletins de voto
que já estavam lá, abriram as urnas e queimaram os votos."
A região centro foi a mais crítica: "Também tivemos casos de violência
em Nampula, Cabo Delgado, tivemos casos na Beira e em Quelimane. Talvez
por serem locais em que as pessoas votam na oposição é que criou este
clima de tensão."
Violência após o anúncio dos resultados?
Lourenço do Rosário, em declarações à agência de notícias Lusa, teme que qualquer um dos partidos não aceite eventuais frustrações decorrentes dos resultados eleitorais.
Lourenço do Rosário, em declarações à agência de notícias Lusa, teme que qualquer um dos partidos não aceite eventuais frustrações decorrentes dos resultados eleitorais.
Porém, não acredita que tal degenere em violência: "Acredito que
qualquer das partes, se houver uma frustração das suas expetativas, não
vão aceitar bem. Agora, até irmos de novo à violência, acho que vai ser
difícil."
Numa carta aberta, tornada pública ainda ontem, a Liga dos Direitos
Humanos (LDH) e o Centro de Integridade Pública (CIP) de Moçambique
pediram satisfações a Abdul Carimo, presidente da Comissão Nacional de
Eleições a propósito das irregularidades.
Porém Teles Ribeiro, salienta que: "não podemos afirmar categoricamente
que possa haver casos de fraude, mas que todo o ambiente e as
irregularidades que foram registadas propiciam a que hajam casos de
fraude eleitoral."
Nas redes sociais, escreve-se que a Polícia terá reagido com violência e
usado gás lacrimogéneo para dispersar a população. Porém, o CIP não
confirma que tenha existido repressão policial no país. Deutsche Welle
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