Angola celebra 39 anos de independência. Apesar de ser um dos países que
mais cresce em termos económicos em África, ainda regista altos índices
de pobreza, restrições à liberdade de expressão e fraco acesso à
justiça.
Angola assinala esta terça-feira (11.11) 39 anos de independência
nacional. O país africano tornou-se independente de Portugal a 11 de
novembro em 1975, depois de quase 500 anos de presença colonial.
Após 14 anos de guerra, a independência foi proclamada por António
Agostinho Neto, líder do Movimento Popular de Libertação de Angola
(MPLA) e primeiro Presidente de Angola.
Os principais partidos políticos angolanos, com destaque para o MPLA (no
poder), União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) e
Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA) continuam a manifestar
posições opostas sobre os ganhos alcançados na luta pela independência
do país.
O partido no poder considera que o grande desafio tem sido o do
crescimento. Para a UNITA, o maior partido na oposição, o país ganhou um
neo-colonizador e, por isso, os angolanos precisam de conquistar “uma
segunda independência”.
“Independência total”
“Falta a independência total, que é baseada na liberdade – que não
existe –, na justiça social, no respeito dos direitos humanos, na
igualdade de oportunidades”, afirma o secretário-geral da UNITA,
Vitorino Nhany.
“Só têm oportunidades aqueles que sustentam o cartão do MPLA”, critica o
político da oposição, sublinhando que “todos os angolanos deveriam
usufruir dos recursos que o país produz”.
Segundo o secretário-geral da UNITA, também “falta a independência dos
tribunais e do poder legislativo”, porque em Angola “não há separação de
poderes”.
Dificuldades persistem
Ngola Kabangu, figura histórica de Angola ligada à FNLA, um dos três
movimentos de libertação nacional ao lado do MPLA e da UNITA, afirma que
os princípios que nortearam a luta pela independência estão a ser
“esvaziados do seu verdadeiro conteúdo” pelo Governo do MPLA.
“Infelizmente, 39 anos após a proclamação da independência, ainda temos
grandes dificuldades, sobretudo no domínio das liberdades colectivas e
individuais dos angolanos”, lamenta.
Ngola Kabangu diz estar a celebrar a independência com profunda tristeza
pelo facto das entidades angolanas continuarem a discriminar aquele que
foi o primeiro líder do movimento que inicialmente conduziu a guerra
anticolonial.“Esqueceram-se que foi Holden Roberto que conduziu
vitoriosamente a luta de libertação nacional”.
Desafio do crescimento
O MPLA considerou, em comunicado distribuído à imprensa, que “num
momento ímpar como este, em que a paz se consolida todos os dias, o
grande desafio é o do crescimento”, para que a economia angolana seja
mais robusta e possa produzir mais bens e serviços, competindo com as
outras da região e fazendo distribuir melhor a riqueza nacional.
Aos ganhos importantes alcançados nos 39 anos de independência o
secretário-geral do partido no poder, Julião Paulo ”Dino Matross”,
acrescenta a “formação de quadros e a questão da saúde”. Deutsche Welle
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