Em Angola, Luanda será palco de uma manifestação este sábado (22.11)
contra o Governo de José Eduardo dos Santos que está há 35 anos no
poder. Os ativistas, apesar de ameaçados, não sentem medo.
O protesto, organizado na maioria por jovens angolanos, pretende
reivindicar a saída do líder e uma distribuição equilibrada da riqueza
do país.
A menos de dois dias da manifestação, as intimidações já se fizeram
sentir. Adolfo Campos, do Movimento Revolucionário, organização que
também participa na manifestação, recorda que as ameaças não são de
agora, mas denota a intensificação das mesmas na última semana.
"Já começaram a aparecer em casa dos ativistas, para ver se
conseguem fazer alguma coisa. Não sabemos qual é o plano deles. Da noite
de hoje para amanhã, ainda muita coisa vai ocorrer", avisa.
À procura de Mandela
António Kissanda, mais conhecido por Beimane, porta-voz do Conselho
Nacional dos Ativistas de Angola, em entrevista à DW África relata em
concreto um episódio de intimidação com um dos ativistas.
"No período noturno, por volta das 22 do dia de ontem [19.11], na casa
de um dos nossos membros, de Raul Mandela, foi um carro Land Cruiser,
branco, com vidros fumados, à procura dele… Mas na graça de Deus ele
escapou ao atentado", conta.
"Eles chegaram a dizer que eram amigos do Mandela e que estavam à
procura do Mandela... Mas encontraram-se com o próprio Mandela quando
faziam as perguntas", explica.
a favor do Governo do MPLA, algo que na sua ótica é inconstitucional.
"Nós esperamos que a polícia nacional seja apartidária. Vamos ver o que
eles vão fazer, deveriam proteger os manifestantes e reprimir os
professores para que não comparecessem. Não pode haver uma
contra-manifestação. Isto é irregular, é contra a lei constitucional",
defende.
Angolanos sem medo
O protesto preparado por movimentos independentes de 18 províncias
angolanas pretende pedir a demissão imediata de José Eduardo dos Santos
do cargo de Presidente da República, lugar que ocupa há mais de 35 anos.
"Nunca tivemos medo, inclusivamente estamos quase mortos… Já
sofremos muitas torturas, prisões inclusivé. Isto é do conhecimento do
mundo. Nós estamos aqui erguidos, não fugimos de Angola. É em Angola que
vamos resolver os nossos problemas. Se eles quiserem matar, vão matar
novamente", diz Adolfo Campos.
"Nós não queremos que um ditador continue no poder, ele não pode continuar", reclama.
António Kissanda frisa que o protesto vai mesmo acontecer, em clima de
paz, e no âmbito do exercício do direito de liberdade de expressão e
manifestação.
"A manifestação, como sempre, será pacífica, quem cria distúrbios é a
polícia, quem cria o clima de medo na sociedade é a própria polícia",
critica.
"Sabemos que a cada dia que passa entram mais militares na cidade de
Luanda, já estão acampados na cidade alta para criar um clima de medo…
Nós estamos conscientes disso, independente dos riscos que estamos a
passar e que vamos passar", comenta Kissanda, que acrescenta: "Estamos
prontos". Deutsche Welle
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