A Organização das Nações Unidas
(ONU) considera que as altas taxas de crescimento em África não
reflectem uma transformação social e económica, deixando o continente
dependente das matérias-primas e dos recursos naturais, e com grandes
desigualdades sociais.
Nova York - A Organização das Nações Unidas (ONU)
considera que as altas taxas de crescimento em África não reflectem uma
transformação social e económica, deixando o continente dependente das
matérias-primas e dos recursos naturais, e com grandes desigualdades
sociais.
De acordo com um relatório com o título 'Dinamismo da Política
Industrial Dinâmica em África, lançada pela Organização das Nações
Unidas e pela União Africana, a transformação estrutural que é defendida
permitiria ao continente deixar de ser caracterizado como 'uma
sociedade basicamente agrária com uma aguda dependência dos recursos
naturais'.
Passaria, argumentam estes peritos, 'para um modelo económico baseado
nos setores de alta produtividade, especialmente a manufaturação e os
serviços e agricultura modernos, com uma significativa adição de valor,
geração de emprego, mais competitivo local e internacionalmente, e com
uma distribuição mais equitativa do rendimento', que potenciaria ainda
mais as taxas de crescimento médio a rondar os 6%.
No dia em que se assinala a Industrialização em África, o relatório
com quase 150 páginas, explica que esta transformação estrutural tem
sido limitada por um conjunto de razões, entre as quais se contam 'a
fraca capacidade institucional e a capacidade de organização, os poucos
investimentos em manufaturação e capacidades produtivas, e o limitado
desenvolvimento de perícia e conhecimento para as actividades económicas
mais desenvolvidas'.
A industrialização, sendo reconhecido como os meios através dos quais
todos os países conseguem evoluir do ponto de vista das suas economias,
é 'o caminho mais claro para África conseguir crescimento que fomente o
mercado de trabalho e o desenvolvimento', lê-se no relatório, que
argumenta que uma das principais razões para o falhanço da política
industrial em África tem sido 'a negligência sobre o processo e o
enfoque primordial nos instrumentos'.
Salientando que cada país tem a sua especificidade, e que o
continente africano não pode ser encarado como um conjunto de países com
os mesmos problemas e características, o relatório, ainda assim,
oferece um conjunto de passos e soluções que são transversais às
características de cada país.
Desde logo, as associações industriais de cada país são chamadas a
jogo: 'elas devem mostrar dinamismo e crescimento orgânico, força no
diálogo público-privado, altos níveis de coordenação e apoio político, e
eficácia regulatória'.
A característica central da política industrial no continente,
encarado como um todo, é que o crescimento económico pujante não
encontra um par na transformação económica e social, porque 'muitos
países africanos ainda dependem fortemente da produção e exportação de
matérias-primas brutas e a agricultura de baixa produtividade, e o setor
informal é o maior gerador de empregos'.
O problema, explicam, é que os decisores políticos, os académicos e
os analistas concentram-se principalmente em definir políticas comuns,
modelos regulatórios semelhantes e constrangimentos semelhantes em
vários países, 'mas raramente se focam nas instituições que conduzem a
política industrial, ou nas suas fraquezas - as fracas arquitecturas
institucionais e o mau planeamento industrial têm estado no epicentro do
problema da política industrial em África', concluem os peritos da ONU e
da União Africana.
O Dia da Industrialização de África, que hoje se assinala, foi criado
em julho de1989 em Adis Abeba numa reunião de chefes de estado e de
governo da então Organização da Unidade Africana e adoptado em dezembro
no mesmo ano pela assembleia-geral das Nações Unidas. África 21
AIM
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