Dhlakama chega esta terça-feira (25.11) à cidade da Beira, na província de Sofala. Segue depois para Manica e Tete.
Em Moçambique, o líder do maior partido da oposição, Afonso Dhlakama,
começa esta terça-feira (25.11) uma viagem pelo centro do país. Dhlakama
quer aproveitar a viagem para explicar aos populares por que razão está
a exigir um "Governo de gestão", depois das eleições de 15 de outubro. A
DW África entrevistou o porta-voz da RENAMO António Muchanga, sobre
esta viagem.
DW África : Por que é que a RENAMO exige um "Governo de gestão"?
António Muchanga (AM): Porque a RENAMO é o partido que
sofreu o roubo de votos e a RENAMO é o partido que ganhou as eleições. O
presidente Dhlakama é o candidato que ganhou as eleições. Ou se entrega
o governo ao presidente Dhlakama e ao partido RENAMO ou a um "Governo
de gestão".
DW África: Mas que "Governo de gestão" seria este?
AM: Este Governo seria constituído por membros da
RENAMO e da FRELIMO e teria a responsabilidade de organizar e reformar
as instituições do Estado relevantes num processo eleitoral, para
garantir que as eleições em Moçambique sejam ganhas por aqueles em que
efetivamente as pessoas votaram e não por aqueles elementos que
financiaram a adulteração dos editais e dos boletins de voto..
DW África: Mas seria possível um Governo deste género (de gestão) com partidos que defendem posições tão diferentes?
AM: É a norma do bem-estar social do povo moçambicano.
Tendo em conta que esse povo está acima dos interesses dos partidos
seria possível.
DW África: Tendo em conta que a FRELIMO já disse que rejeitava
esta ideia, qual o motivo da insistência da RENAMO neste "Governo de
gestão"?
AM: A FRELIMO ainda não disse que rejeita esta ideia.
As pessoas que tentaram insinuar que a FRELIMO rejeita essa ideia não
conhecem a posição da FRELIMO e, neste momento, estamos a negociar o
"Governo de gestão" com o atual executivo. Porque as pessoas que
cometeram as fraudes são pessoas que foram nomeadas pelo Governo e não
pelo partido. Portanto não precisamos da resposta de um primeiro
secretário do partido. Precisamos da resposta do Presidente da República
em relação à questão.
DW África: À agência de notícias LUSA o porta-voz da FRELIMO,
Damião José, tinha precisamente rejeitado esta ideia de "Governo de
gestão" e agora diz-nos que não... não é assim?
AM: O porta-voz da FRELIMO sempre rejeitou tudo. Mesmo as negociações que agora culminaram com o acordo recém firmado que permitiu que o país regressasse à normalidade. O porta-voz da FRELIMO nunca apoiou uma tal ideia. Portanto, o porta-voz da FRELIMO pode ser uma carta fora do baralho.
DW África: Porquê fazer agora esta viagem pelo centro de Moçambique?
AM: Entendemos que é o momento oportuno. Esperámos
primeiro para ver o que a Comissão Nacional de Eleições (CNE) ia fazer
de acordo com as denúncias que foram feitas. A CNE na altura tínha-nos
prometido analisar as irregularidades... mas pelos vistos não há nada
que está a ser feito. Portanto, é tempo oportuno para que o presidente
Dhlakama se faça ao terreno e converse com as pessoas.
DW África: De qualquer das formas, ainda se está à espera de uma decisão do Conselho Constitucional...
DW África: De qualquer das formas, ainda se está à espera de uma decisão do Conselho Constitucional...
AM: Com ou sem decisão temos direito de comunicar com o
nosso eleitorado e temos o direito de falar com o povo moçambicano. A
lei moçambicana não proíbe os candidatos e os partidos de contatarem os
seus membros e simpatizantes para lhes explicar as suas posições por
causa do Conselho Constitucional.
DW África: Por enquanto a viagem será a Sofala, Manica, Tete...
Porquê ao centro do país? Será porque na parte sul do país a RENAMO não
está a angariar muitos apoios relativamente a esta questão do "Governo
de gestão"?
AM: O partido RENAMO começou a sua campanha eleitoral
no centro do país, subiu para o norte e depois desceu para o sul e foi
encerrá-la no norte. Para nós tudo é Moçambique e, na segunda fase, o
presidente irá a Quelimane, Nampula, Cabo Delgado e Niassa. E, na última
fase, vai fazer mais uma visita à região sul. Deutsche Welle
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