A denúncia, com vários exemplos, está no relatório da Fundação Igreja que sofre.
A situação da liberdade religiosa deteriorou-se em Angola e o país é o
único de língua portuguesa a integrar a lista dos Estados com piores
registos de perseguições motivadas pela fé. A revelação está no
relatório sobre a liberdade religiosa em 196 países entre Outubro de
2012 e Junho de 2014 da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre publicado
hoje, 4.
Apesar de reconhecer que em Angola as igrejas "têm total liberdade
para evangelizar, dar catequese e gerir instituições como rádios e
publicações escritas", o relatório dá conta de que alguns grupos
religiosos minoritários se queixam do "favoritismo para com a Igreja
Católica".
Para a Fundação Ajuda à Igreja que Sofre, a própria Constituição de
2010 dificulta a liberdade religiosa, segundo Catarina Martins, daquela
organização ligada à Igreja Católica. “A Constituição impõe um mínimo de
100 mil assinaturas para a legalização de uma igreja o que é
praticamente impossível”, explica.
O relatório destaca igualmente queixas de "discriminação governamental e propaganda negativa" por parte da comunidade muçulmana.
No relatório, o imã David Já, presidente da Comunidade Islâmica de
Angola (COIA) acusa as autoridades de perseguirem o Islão e de ordenarem
o fecho de mesquitas, acusação negada pelo Governo que justificou a
rejeição de pedidos de registo apresentados por várias comunidades
muçulmanas com o não cumprimento dos pressupostos legais.
Os evangélicos também têm enfrentado muitas dificuldades.
O Governo reconheceu a destruição de algumas mesquitas por terem sido
construídas em "lugares impróprios", porque não tinham autorização ou
porque não cumpriam a lei.
O relatório manifesta também alguma preocupação com a situação da
liberdade religiosa no Brasil, onde, em 2012, foram registados 109
incidentes de perseguições e discriminação por motivos religiosos.
Nos restantes países língua portuguesa, o relatório não regista tensões religiosas relevantes.
Segundo a Agência Ecclesia, 81 dos 196 países analisados, ou seja 41
por cento do total, são identificados como locais onde a liberdade
religiosa “é perseguida ou está em declínio”.
No total, 20 países são designados como de perseguição “alta” em
relação à liberdade religiosa. Desses, 14 experimentam perseguição
religiosa relacionada com o extremismo islâmico: Afeganistão, República
Centro-Africana, Egipto, Irão, Iraque, Líbia, Maldivas, Nigéria,
Paquistão, Arábia Saudita, Somália, Sudão, Síria e Iémen.
Um total de outros 35 países, entre eles Angola, foi classificado
como tendo problemas de liberdade religiosa “preocupantes”, sem
deterioração da sua situação. Voz da América
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