terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Afonso Dhlakama diz que, se o Conselho Constitucional validar a fraude eleitoral, “vai haver confusão”

Afonso Dhlakama já não está em Maputo desde o dia 19 de Dezembro. Apesar de ter prometido que não regressaria às matas, o certo é que deixou Maputo com destino à Gorongosa, onde, nos dias 20 e 21 de Dezembro, orientou a reunião da Comissão Política do seu partido, e ficou por Sofala. É de lá onde diz que vai esperar pela decisão do Conselho Constitucional. Está fora de hipótese Dhlakama estar amanhã presente a escutar a decisão do Conselho Constitucional.
O “Canalmoz” / “Canal de Moçambique” procurou saber a opinião do presidente da Renamo sobre toda a pressão que o partido Frelimo está a exercer sobre o Conselho Constitucional e saber dele o que espera que daí advenha.
Afonso Dhlakama diz que sabe que o partido Frelimo está a exercer enorme pressão sobre os juízes do Conselho Constitucional e está informado até sobre o juiz que sofreu um AVC. Mas disse que a única decisão que o Conselho Constitucional deve tomar, para salvar a democracia e evitar violência, é anular as eleições de 15 Outubro.
Em entrevista exclusiva ao “Canalmoz” e “Canal de Moçambique”, disse que também sabe que a Frelimo anunciou antes do próprio Conselho Constitucional a data em que o Conselho Constitucional se vai pronunciar.
Afonso Dhlakama diz que está informado sobre todas as irregularidades graves que o próprio Conselho Constitucional detectou e que foram premeditadamente cometidas pela Comissão Nacional de Eleições e pelo Secretariado Técnico da Administração Eleitoral, com o intuito de o prejudicar e de prejudicar a Renamo. “Eu sei de todas as irregularidades que o Conselho Constitucional detectou. Agora, se o Conselho Constitucional quiser agradar à Frelimo e fazer brincadeiras, aí vamos ver”.
“Gostaríamos que o Conselho Constitucional esquecesse os interesses do partido Frelimo e analisasse todas as irregularidades que detectou e tenha coragem de invalidar as eleições. Porque, se o Conselho Constitucional declarar o candidato derrotado como vencedor, será uma ofensa contra a maioria, e a maioria vai responder. Validar os resultados da CNE é arranjar problemas para o povo moçambicano e para o próprio Conselho Constitucional. É complicar o processo de estabilidade política nacional. Espero que o Conselho Constitucional tenha ‘cabeça fria’, embora sofrendo as pressões da Frelimo”, disse Dhlakama.
Dhlakama diz que, caso contrário, ou seja, caso o Conselho Constitucional valide os resultados fraudulentos, haverá problemas sérios. “Se o Conselho Constitucional escolher fazer brincadeiras, vai haver violência, vai haver desobediência, e ninguém vai aceitar reconhecer o perdedor como vencedor das eleições.” Acompanhe na íntegra a entrevista de Afonso Dhlakama na edição impressa do “Canal de Moçambique”, que sai à rua amanhã, terça-feira. Canalmoz
 
(Matias Guente)

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