Afonso Dhlakama já não está em Maputo
desde o dia 19 de Dezembro. Apesar de ter prometido que não regressaria
às matas, o certo é que deixou Maputo com destino à Gorongosa, onde, nos
dias 20 e 21 de Dezembro, orientou a reunião da Comissão Política do
seu partido, e ficou por Sofala. É de lá onde diz que vai esperar pela
decisão do Conselho Constitucional. Está fora de hipótese Dhlakama estar
amanhã presente a escutar a decisão do Conselho Constitucional.
O “Canalmoz” / “Canal de Moçambique”
procurou saber a opinião do presidente da Renamo sobre toda a pressão
que o partido Frelimo está a exercer sobre o Conselho Constitucional e
saber dele o que espera que daí advenha.
Afonso Dhlakama diz que sabe que o
partido Frelimo está a exercer enorme pressão sobre os juízes do
Conselho Constitucional e está informado até sobre o juiz que sofreu um
AVC. Mas disse que a única decisão que o Conselho Constitucional deve
tomar, para salvar a democracia e evitar violência, é anular as eleições
de 15 Outubro.
Em entrevista exclusiva ao “Canalmoz” e
“Canal de Moçambique”, disse que também sabe que a Frelimo anunciou
antes do próprio Conselho Constitucional a data em que o Conselho
Constitucional se vai pronunciar.
Afonso Dhlakama diz que está informado
sobre todas as irregularidades graves que o próprio Conselho
Constitucional detectou e que foram premeditadamente cometidas pela
Comissão Nacional de Eleições e pelo Secretariado Técnico da
Administração Eleitoral, com o intuito de o prejudicar e de prejudicar a
Renamo. “Eu sei de todas as irregularidades que o Conselho
Constitucional detectou. Agora, se o Conselho Constitucional quiser
agradar à Frelimo e fazer brincadeiras, aí vamos ver”.
“Gostaríamos que o Conselho
Constitucional esquecesse os interesses do partido Frelimo e analisasse
todas as irregularidades que detectou e tenha coragem de invalidar as
eleições. Porque, se o Conselho Constitucional declarar o candidato
derrotado como vencedor, será uma ofensa contra a maioria, e a maioria
vai responder. Validar os resultados da CNE é arranjar problemas para o
povo moçambicano e para o próprio Conselho Constitucional. É complicar o
processo de estabilidade política nacional. Espero que o Conselho
Constitucional tenha ‘cabeça fria’, embora sofrendo as pressões da
Frelimo”, disse Dhlakama.
Dhlakama diz que, caso contrário, ou
seja, caso o Conselho Constitucional valide os resultados fraudulentos,
haverá problemas sérios. “Se o Conselho Constitucional escolher fazer
brincadeiras, vai haver violência, vai haver desobediência, e ninguém
vai aceitar reconhecer o perdedor como vencedor das eleições.” Acompanhe
na íntegra a entrevista de Afonso Dhlakama na edição impressa do “Canal
de Moçambique”, que sai à rua amanhã, terça-feira. Canalmoz
(Matias Guente)
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