Uma das organizadoras do protesto de sábado é Laurinda Gouveia, vítima
de agressões e ameaças na última manifestação na capital angolana.
"Estamos vivos para dar o nosso testemunho e mudarmos a situação", diz a
ativista.
O protesto, marcado para este sábado (20.12), está a ser organizado
por um grupo de jovens e conta, pela primeira vez, com a participação de
cinco meninas, que subscreveram a carta de protesto entregue ao Governo
Provincial de Luanda.
Os ativistas angolanos querem chamar a atenção do Presidente
angolano, José Eduardo dos Santos, para o clima de insegurança e
violações dos direitos humanos por parte das autoridades.
Uma das organizadoras da manifestação é a jovem ativista Laurinda Gouveia, vítima de agressões policiais
no dia 23 de novembro. "Um dos nossos objetivos é pedir que o senhor
Presidente se pronuncie, para que se comece a dar o tratamento devido às
pessoas, porque a polícia não deve bater na população", disse por
telefone à DW África.
Ameaça de morte
Questionada se não teme pela sua vida, tendo em conta uma ameaça de
morte que lhe terá sido feita por oficiais da polícia nacional e dos
serviços secretos, caso fosse vista numa manifestação, Laurinda Gouveia
disse estar consciente dos perigos que corre.
"Mesmo com esta ameaça vou participar na manifestação. Muita gente
sofre esse tipo de agressão nas mãos da polícia. Graças a Deus, estamos
vivos para dar o nosso testemunho e mudarmos a situação", afirmou.
"Gostaria que as pessoas, em geral, aderissem a essa manifestação."
Movimento Revolucionário e JMPLA já se encontraram
O protesto surge numa altura em que a JMPLA manteve um encontro com os jovens do chamado Movimento Revolucionário. O desafio fora lançado por Tomás Bica,
secretário provincial da juventude do partido no poder em Luanda, com o
intuito de conhecer melhor o fundamento da luta dos jovens ativistas.
Adolfo Campos, do Movimento Revolucionário, disse que o encontro
serviu apenas para transmitir aos jovens do MPLA que os mesmos não têm
"maturidade suficiente" para um debate sobre os problemas do país:
"Vamos debater com alguém que ainda defende o Presidente da República,
dizendo que ele é um ‘santo' e o melhor? Já estamos fartos disso."
Para o ativista, a única pessoa que se deveria sentar frente-a-frente
com o Movimento Revolucionário para debater os problemas do país devia
ser o chefe de Estado angolano.
"Porque ele é o dono de todos os poderes no país – do poder económico
e financeiro, do setor da defesa… Não há outra pessoa que possamos
questionar", afirmou Adolfo Campos. “Se eu falar com o ministro do
Interior para saber por que razão se bate todas as vezes em
manifestantes, ele não tem resposta para me dar. Ele recebe ordens
superiores do Presidente José Eduardo dos Santos. Então, vou debater o
quê com essa pessoa?" Deutsche Welle
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