A polícia impediu que um grupo de ativistas marchasse domingo nas ruas
de Luanda contra fim da violência policial e deteve promotores da
iniciativa. Movimento Revolucionário estuda novos métodos de luta contra
o Governo.
As autoridades angolanas abortaram, mais uma vez, uma marcha convocada
pelo Movimento Revolucionário. A iniciativa, que contou com o apoio de
várias organizações de defesa dos direitos humanos, começou com a
detenção de vários ativistas logo nas primeiras horas de domingo
(07.12). Entretanto, os jovens foram postos em liberdade.
A Polícia da Ordem Pública, auxiliada pela Polícia de Intervenção Rápida
e alguns operativos dos serviços secretos à paisana, ocuparam todos os
locais públicos e colocaram vigilantes nas principais vias de acesso ao
Largo da Independência e ao Marco Histórico do Cazenga, locais onde
terminaria a “Marcha Contra a Violência Policial”.
Apesar do forte aparato policial, alguns jovens ativistas ainda
conseguiram chegar ao largo da Shoprite do Palanca, local da
concentração da marcha, mas foram imediatamente detidos.
As forças policiais levaram os jovens manifestantes até à casa do
ativista Manuel Nito Alves, ao invés de conduzi-los a uma esquadra
policial.
Novos métodos de luta
Perante a atitude do regime de Luanda contra iniciativas dissonantes aos
seus interesses, o jovem Adolfo Campos, um dos rostos do movimento
contestatário ao regime, diz que chegou a hora de delinear “métodos mais
eficientes” de luta contra o Governo do Presidente José Eduardo dos
Santos.
“Estamos agora a analisar uma nova estratégia para ver como é que
podemos combater esta grande irregularidade por parte da polícia. A
polícia não está a trabalhar para o povo, mas sim para um partido, que é
o MPLA [no poder]”, critica o ativista.
Entre os detidos da abortada marcha contra a violência policial estava o
escritor Domingos da Cruz. O também jornalista afirma que,
efetivamente, é vontade do Presidente angolano reprimir as vozes
discordantes do seu poder instituído. “O simples facto de clamarmos por
uma democracia é sinal de que nos encontramos numa ditadura”, disse à DW
África.
“Edifício da ditadura” tem de ruir
Questionado sobre a possibilidade de se levar ao tribunal processos
contra as autoridades governamentais pelas violações do direito à
manifestação, Domingos da Cruz responde que “ a solução para que as
pessoas possam um dia manifestar-se de forma livre e sem receio passa
por aquilo que vimos no Burkina Faso e na Tunísia.”
Domingos da Cruz diz não acreditar em processos judiciais dentro de um
sistema que classifica como autoritário. “A solução para Angola é uma
solução popular que seja capaz de ruir o edifício da ditadura e ponto
final”, conclui.
A marcha prevista para domingo visava apelar ao fim da violência
policial contra os manifestantes, tendo como exemplo o caso Laurinda
Gouveia.
A jovem universitária foi torturada por ter participado na manifestação
de 23 de novembro, organizada pelo Movimento Revolucionário para exigir
justiça em relação ao assassinato de Manuel Alberto Ganga, um militante
da coligação eleitoral Convergência Ampla de Salvação de Angola
(CASA-CE) morto por membros da Guarda Presidencial há cerca de um ano.
Sobre o assunto, o Grupo de Trabalho de Monitoria dos Direitos Humanos
em Angola (GTMDH), uma plataforma que alberga diversas associações
cívicas, exigiu na semana passada um pronunciamento imediato do
Presidente José Eduardo dos Santos. Deutsche Welle
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