sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Guebuza diz que governo de gestão em Moçambique seria "anarquia"

O presidente de Moçambique, Armando Guebuza, considerou, quarta-feira, em Roma, que um Governo de gestão, exigido pela Renamo, principal partido de oposição, seria "anarquia" e ignorar os resultados das eleições gerais de 15 de Outubro.
 
Roma - O presidente de Moçambique, Armando Guebuza, considerou, quarta-feira, em Roma, que um Governo de gestão, exigido pela Renamo, principal partido de oposição, seria "anarquia" e ignorar os resultados das eleições gerais de 15 de Outubro, noticiou a Rádio Moçambique.
"Quando chegamos ao fim de um resultado eleitoral e encontramos um partido que ganhou e aquele que não ganhou não gosta e portanto (quer que se) faça um Governo de unidade nacional ou Governo de gestão, isso é anarquia, é anarquia", declarou Guebuza na quarta-feira, durante um encontro com a comunidade moçambicana em Itália.
"Qual é o critério que foi utilizado para concluir que os moçambicanos não querem e não aceitam os resultados eleitorais", questionou o Presidente da República e da Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique), à margem da sua visita de cinco dias a Itália e ao Vaticano, sustentando que "o critério menos arriscado" é o apuramento do vencedor do processo eleitoral.
O líder da Renamo (Resistência Nacional Moçambicana), Afonso Dhlakama, está há mais de uma semana a visitar cidades do centro e norte de Moçambique, para explicar às populações a sua exigência de um Governo de gestão, formado pelos dois principais partidos, alegando que as eleições gerais de 15 de Outubro foram fraudulentas e garantiu que não vai deixar a Frelimo governar sozinha.
O Presidente moçambicano já tinha rejeitado esta exigência, através do seu porta-voz, com o argumento de que era inconstitucional.
Na quarta-feira, voltou ao assunto estabelecendo uma comparação com um jogo de futebol.
"Imaginem que um clube vai jogar com outro e chega com três golos. E o outro mete cinco. Então aparece alguém a dizer 'alto lá, vamos lá negociar, porque eu não consegui ganhar o jogo'. Negociar o quê? Então para que fizemos o jogo? Porque fizemos as eleições", questionou.
"As eleições eram para resolver o facto de nós, moçambicanos, como gente normal, termos opiniões diferentes sobre as coisas. Então vamos saber se aqueles que votam por uma maneira de fazer têm uma maioria em relação aos outros", disse ainda.
Ao longo dos últimos dias Dhlakama, apesar de insistir que não voltará a pegar em armas, tem endurecido o discurso e voltou a ameaçar partir o país em dois e governar o centro e norte de Moçambique caso a Frelimo rejeite a sua exigência de um executivo de gestão, ao mesmo tempo que acusa o candidato vencedor das presidenciais, Filipe Nyusi, de "ladrão de votos".
Segundo os resultados oficiais divulgados pela Comissão Nacional de Eleições, a Frelimo ganhou as legislativas com maioria absoluta no parlamento e o seu candidato, Filipe Nyusi, as presidenciais à primeira volta.
A Renamo e o MDM (Movimento Democrático de Moçambique), terceira força política, pediram a anulação do processo eleitoral junto do Conselho Constitucional, que ainda não se pronunciou.
As eleições decorreram logo após 17 meses de confrontos militares entre Renamo e exército e que apenas terminaram com um acordo de paz celebrado a 05 de Setembro em Maputo pelo Presidente da República e pelo líder do principal partido de oposição.
O acordo prevê o desarmamento da Renamo, num processo que se encontra neste momento bloqueado nas negociações entre as partes, e também a criação do estatuto de líder da oposição, aprovado na quarta-feira no parlamento, e que Dhlakama já rejeitou, justificando que a alegada fraude torna incerto o vencedor das eleições. África 21
 
Angop

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